domingo, 10 de outubro de 2010

O que diz o Público do Angrajazz'10

Fotografia Público

Jazz Transatlântico
No primeiro dia, cumprindo a tradição, apresentou-se a Orquestra Angrajazz, desta vez com a participação especial do trombonista Luís Cunha. Dirigida, como habitual, por Claus Nymark e Pedro Moreira, a orquestra, integrada por jovens músicos residentes na Terceira, interpretou um repertório dedicado essencialmente à obra de Wayne Shorter.
Com alguma desenvoltura instrumental e boas intervenções por parte de Nymark (trombone) e Moreira (saxofone), destacou-se sobretudo a excepcional clareza e foco do trombone de Luís Cunha, a quem falta apenas um pouco mais de arrojo nas improvisações. Estranhou-se o facto de não ter acontecido uma única intervenção solista por parte dos músicos locais, factor que vem subverter toda a lógica que presidiu à criação da orquestra.


Actuou de seguida a Mingus Dinasty, banda que se dedica, há anos, a divulgar e interpretar o repertório do contrabaixista e compositor Charles Mingus. Formada por Wayne Escoffery ("sax"-tenor), Abraham Burton ("sax"-tenor), Alex Sipiagin (trompete), Frank "Ku-umba" Lacy (voz, trombone), Boris Kozlov (contrabaixo), Kenny Drew Jr (piano), e Donald Edwards (bateria), destilou um hard-bop extremamente eficaz, em que se destacaram as improvisações de Burton, contidas mas com enorme direcção, Lacy, brilhante no trombone mas um pouco excessivo nas intervenções vocais, e particularmente Kenny Drew Jr, sendo este quem melhor soube evocar o espírito de Mingus.


No segundo dia, o pianista Stefano Bollani entrou em cena como um furacão, fazendo antever o melhor. Com uma técnica prodigiosa e um drive rítmico bastante mais poderoso do que no seu último registo para a ECM, Bollani fez a música cantar e dançar, brincando com os tempos e intercalando sucessivas explosões harmónicas que potenciavam cada novo segmento das canções. A secção rítmica, formada por Jesper Bodilsen e Morten Lund, cumpriu, sem estar, no entanto, à altura da exuberância criativa de Bollani. Infelizmente, sucessivas tiradas de um humor igualmente exuberante, por parte de Bollani, interromperam o fluxo musical e acabaram por desconcentrar músicos e assistência.


Na segunda parte, a cantora Paula Oliveira apresentou o seu novo disco, Raça. Reunindo o trio - Leo Tardin, Bernardo Moreira e Bruno Pedroso - a um quarteto de trombones liderado por Lars Arens - com Claus Nymark, Luís Cunha e Rui Bandeira - Oliveira alinhou uma ambiciosa selecção de temas, entre originais e standards, e procurou um som novo e original. Com os trombones a marcar os melhores momentos do espectáculo - destaque para a versão de Cão - revelaram-se, no entanto, alguma falta de ensaios e, sobretudo, fragilidades da voz e postura em palco de Oliveira.


No último dia, após uma actuação da Orchestre National de Jazz que teve demasiado estilo e pouca substância, algures entre o pop cabaret dos Pink Martini e um lounge-rock estafado com pretenções vanguardistas (salvando-se, ainda assim, o carácter de entertainment da coisa e um jovem saxofonista e clarinetista, Rémi Dumoulin), seguiu-se aquele que foi o grande concerto do festival, o Transatlantik Quartet do contrabaixista Henri Texier.


Com Joe Lovano (saxofone), Steve Swallow (baixo eléctrico), e Aldo Romano (bateria), o concerto revelou quatro mestres absolutos nos seus respectivos instrumentos, a tocar com a inspiração, rigor e vitalidade que lhes garantiram já um lugar cativo na história do jazz. É um enorme prazer observar a forma como abordam os seus instrumentos, como trabalham sequências harmónicas injectando-lhes pequenos detalhes de uma enorme criatividade que transportam a música para um nível superior de comunicação. Exemplos máximos terão sido os solos absolutos de Swallow e de Romano, bem como toda a actuação, explosiva, de Lovano, que tirou proveito de um set enérgico e vibrante. Certeira foi também a combinação de timbres dada pelo contrabaixo e pelo baixo eléctrico. Surpreendente e inspirador.
Rodrigo Amado, Y/Público de 8 Out'10
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

City Sickness





Rua de Lisboa, Set'10
 
À primeira vista parece um carro estacionado igual a tantos outros. Depois verificamos que não é bem assim. E não é uma nova peça de mobiliário urbano. É apenas mais 'um' veículo que jaz abandonado nas ruas da cidade do 'maior Concelho dos Açores'.

Este exemplar passou incólume, durante todo o Verão de 2010, e sem que 'ninguém' desse por ele.

Uma missão para a recém-criada Polícia Municipal?! Parece-me que sim.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

100 anos e um dia

«(...) Parece que a Iª República cometeu o grande pecado de ser uma balbúrdia, - mas por oposição a quê? Pelos vistos, deve haver quem ache que o resto do mundo era, naquele primeiro quartel do século XX, uma espécie de pacífico jardim.
Não era; desde ocupantes de cargos eleitos a cabeças coroadas, do primeiro-ministro de Espanha ao arquiduque da Áustria, houve homicídios para todos os gostos naquela época. Não excederam, contudo, a morte massificada da gente comum; entre os anos de 1914-1918 - não tinha a nossa República quatro anos - houve simplesmente uma Guerra Mundial, neste continente e nas suas colónias. Quando essa Grande Guerra e a sua estúpida e inútil mortandade acabou, tinham acabado também vastos impérios: o dos Czares, varrido por duas revoluções e desmembrado; o Austro-Húngaro, despedaçado; e pouco tempo depois o Império Otomano. No culminar desse processo, fez-se o ensaio geral aos genocídios que seriam levados às maiores consequências nos meados do século XX europeu. A República Portuguesa lá aguentou, mas entre a Iª e a IIª Guerra Mundial nasceram o fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, e regimes seus aparentados - como a ditadura nacional em Portugal - um pouco por toda a Europa. Desfez-se o sonho da Sociedade das Nações. Como eloquentemente diz a historiadora Zara Steiner, esta foi a época em que - por quase todo o mundo e sobretudo na Europa - “as luzes falharam”.
Perante isto, - ou melhor, esquecendo isto - há gente que faz da leitura da Iª República uma única lenga-lenga sobre como os líderes políticos portugueses da época eram defeituosos. Pois eram. Sem querer ser preciosista, esse é exatamente o sentido da República: sermos governados por gente imperfeita. Precisamente porque não existe gente perfeita, nem gente que herde a predisposição para governar vitaliciamente um país, o princípio republicano é o de que nem o nascimento nem a classe social devem vedar alguém de eleger e ser temporariamente eleito. Isto é uma coisa boa, e uma coisa simples. Às vezes há coisas assim. É pueril alegar que ser governado pelo filho do rei da Casa de Bragança tivesse sido melhor do que ter sido governado pelos Srs. Teófilo Braga ou Bernardino Machado, mas quer o sentimento anti-progressista que rasguemos as vestes por cada vez que este país deu um salto político. Pelo grande gozo que é “irritar a esquerda”, pratica-se o contorcionismo da mioleira. Mesmo assim, o liberalismo continua a ser melhor do que o absolutismo; e a república melhor do que a monarquia, a democracia melhor do que a ditadura. Melhores porque regimes mais livres e mais iguais, mais próximos do princípio de que a sociedade se pode - e deve - auto-governar. (...)»
Leitura obrigatória para esta crónica (e todas as outras) do Rui Tavares, publicada ontem com o Público, sobre aqueles que, em ano de Centenário, 'depreciam' a República e 'suspiram', quiçá, por tempos idos.

* o bold é meu 

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

«Arquipélago»

Filipe Franco Linha de Terra, 2004





















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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Blackout
















O lado sul do Teatro Micaelense está, literalmente, ‘às escuras’ desde que terminaram as obras de requalificação do antigo Largo de S. João.

Para além do aparente ‘abandono’ do local, em particular, naquele em redor desta importante ‘sala de visitas’ da cidade, o mesmo está sem iluminação pública. O que dificulta a vida a quem por lá transita. E 'facilita' a quem prevarica.

É, infelizmente, mais uma infelicidade municipal, num concelho que se diz feliz mas que tem, neste âmbito, poucas razões para sorrir.

Felizmente, e a outro nível, a noite foi luminosa.

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domingo, 3 de outubro de 2010

Posta dominical


Recta final para uma semana em que havia e há muito para e por dizer...

"You know I why I hate you, baby?/ Because you make me hate you, baby (...)".

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sábado, 2 de outubro de 2010

Estreia mundial















Hoje, 2 de Outubro, pelas 21h30, no Teatro Micaelense, acontece, pela primeira vez nos Açores, o concerto de laureados do Prémio Jovens Músicos/2010 (PJM). Este concerto está integrado na Temporada de Música 2010 e assinala as Comemorações do Centenário da República com a presença da Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro Osvaldo Ferreira, que fará a estreia mundial da obra sinfónica Centenário da República, do compositor Filipe Pires, encomendada pela Presidência do Governo Regional dos Açores através da Direcção Regional da Cultura.  

Imperdível!

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Modas

Por estes dias o que prevalece, pelos menos aparentemente, é o diz que disse... Parece - dizem - que é uma espécie de pisca, pisca.

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quem fala 'verdade'?!

Actividade económica dá sinais de quebra in Público 29 Set'10
Clima Económico mantém-se estável em Setembro in Publituris 29 Set'10
O camarada Francisco já escreveu sobre o assunto mas acho, hoje mais do que ontem, que a actividade especulativa dos mercados financeiros exige, perante a instabilidade que vivemos, uma 'melhor regulação'.

A bem de todos.

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SIARAM

Ilhéu das Cabras, ilha Terceira

O governo apresentou hoje um novo site destinado a divulgar a natureza e a fauna dos Açores.

Este instrumento agrega um conjunto de informação dispersa, melhora o seu processamento e permite o acesso a fotografias de grande nível.

Um projecto notável!

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Há vida para além do deficit?!

Haver havia...agora é que já não há.

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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sensibilidade e bom senso

Jorge Miranda ao Público de 27 Set'10
«(...) Tem defendido que esta não é a altura certa para rever a Constituição da República. Porquê? A três meses das eleições presidenciais, não me parece correcto misturar revisão constitucional com a campanha eleitoral. Em segundo lugar, o debate fundamental dos próximos tempos deve ser em torno da aprovação do Orçamento do Estado. Tudo gira à volta desse tema: se o orçamento passar, a situação será uma; se não, iniciar-se-á uma crise política. Por outro lado, não é oportuno nem sensato um país que está numa situação económica como a nossa entreter-se com o processo de revisão constitucional. Mas há ainda uma outra razão. Os casos recentes, com o da Casa Pia, mostram que é urgentíssimo reformar as leis de processo e as leis judiciárias, o país não aguenta mais processos que se arrastam ao longo dos anos, é um desprestígio para a justiça. (...)»
António Barreto ao Diário Económico de 28 Set'10
«António Barreto adiantou ainda que é contra a abertura de um processo de revisão constitucional nesta altura, defendendo "que deveria ser daqui a seis meses ou um ano, depois da eleição do presidente da República e devia ser feita com mais calma (...)".»
Não há nada que justifique um projecto apressado, que se quer ponderado e amplamente consensualizado. No meio de todo este 'processo' é bom que haja alguém que tenha uma réstia de sensibilidade e bom senso.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dia Mundial do Turismo





















Comemora-se hoje, em Ponta Delgada, o Dia Mundial do Turismo sob o lema da Biodiversidade.

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Aonde é que pára a Polícia (Municipal)?!

Rua do Peru, Ponta Delgada, Set'10







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terça-feira, 21 de setembro de 2010

It's Just a Question of Time

«À porta de um jantar, a líder do PSD/Açores afirmou que a “JSD não tem rigorosamente nada a ver com o PSD”. Berta Cabral, para além do evidente exercício de negação que Freud tão bem explica, “disse”, não só aos jovens do seu partido como aos seniores, aos eleitores sociais-democratas e aos açorianos em geral, que a JSD, hoje, como Francisco Álvares, António Silveira, Rui Melo e todos quantos, há meses, perderam as eleições autárquicas, não podem olhar para a sua ainda líder como os marinheiros olham para o comandante do navio em dificuldades, certos de que ele será o último a abandoná-lo… Ao fugir das consequências políticas de um problema que, sendo incómodo, não era particularmente difícil, Berta Cabral deu de si própria a dimensão que a maioria do eleitorado há muito pressentia e, por isso, mesmo, mais não lhe tem consentido do que a dimensão local de que não consegue sair. Ao demitir-se de assumir, publicamente, o papel liderante que lhe era exigido, e de, com isso, mostrar que manda mesmo no PSD, que o partido é, também, a JSD, e que bem se podiam desenganar os que sussurram que nem consegue pôr em ordem a sua própria “casa”, Berta Cabral voltou a ensaiar aquela espécie de “haraquíri” político da noite das Autárquicas e deixou os seus com a certeza de que não pode contar com ela para coisa nenhuma. Com estas declarações a “líder” do PSD foi clara num aspecto, embora, evidentemente, sem o dizer, como é seu timbre: não vai mexer uma palha para resolver o problema da JSD, que aquilo é só chatices, que não está para ali para resolver birras de rapazes, que era só o que faltava! E que bem podem continuar a desdobrar-se em conferências de imprensa, invocar a filiação partidária, demonstrarem cientificamente que a JSD é do PSD há mais anos do que eles têm de idade, recorrerem a Lisboa, queixarem-se ao Ministério Público, tudo o que quiserem, que nada disso terá qualquer validade perante a sentença, sem direito a recurso, ditada por quem disse que o congresso escolhera, estava escolhido, mas, logo a seguir, que não tinha nada a ver com aquilo tudo! No fundo, nada de novo, vindo de quem parece não ter tido tantas responsabilidades nesta Região, com as conhecidas pesadas heranças deixadas a quem veio a seguir. O mesmo vai acontecer no PSD. É também uma questão de tempo...»
Mariana Matos hoje em crónica 'acertada' no AO.

* um original dos DM

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

@ Paisagem da Cultura da Vinha do Pico

Fotografia Filipe Franco





















Uma iniciativa que traduz aquilo que deve constituir-se como exemplo de uma boa 'experiência turística'.

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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Diz que é uma espécie de felicidade...



Recupero uma entrada com 4 anos que mantém, infelizmente e na íntegra, toda a pertinência e actualidade.

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Congresso Internacional




















Mais um exemplo que comprova a estratégia regional em torno do segmento MICE - Meetings, Incentives, Congresses and Events e na feliz conjugação de lazer & trabalho.

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