segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cultura, não é ‘gasto’ é Investimento



As análises feitas à Cultura e à indústria que a suporta enfermam, frequentemente, de algumas leituras superficiais que devem ser esclarecidas. Apesar da tendência crescente em tornar o produto cultural num bem rentável, há que salvaguardar que, na essência do gesto artístico estão pressupostos que o tornam, não todo, mas quase, num produto não 'reprodutível' e não 'massificável', cujo custo de investimento não pode ser rentabilizado por uma qualquer 'cadeia de valor' (in José Luis Ferreira, p. 115, Quatro Ensaios à Boca de Cena, Cotovia, 2009).

Importa distinguir o que é a actividade das chamadas indústrias criativas e aquilo que é a actividade artística, propriamente dita.

Há inúmeras actividades onde não é possível adaptar uma economia de escala. E esta condição passa a ter uma relevância, ainda maior, quando nos centramos em países e em regiões, como os nossos, com uma dimensão reduzida e com um número reduzido de utilizadores da coisa cultural.

O objectivo que alicerça o investimento cultural deve ter em conta, necessariamente, a 'obtenção de riqueza através de um bem-estar civilizacional'.

A Cultura deve ser encarada como um investimento social e como um instrumento de desenvolvimento, na medida em que “nem tudo o que conta é mensurável, nem tudo o que é mensurável conta”, nas palavras, mais que insuspeitas, de Albert Einstein.

O Governo dos Açores prossegue a missão de dotar todas as ilhas com infra-estruturas capazes de realizar e acolher espectáculos e eventos de índole diversa.

Nem todas têm as mesmas valências, pois há que acautelar as diferenças que existem em cada realidade de ilha. Fazê-lo, para além de utópico, seria querer replicar o mesmo por todos, o que na sua essência é justificável, mas impraticável. Não é, nem pode ser assim. Ninguém pode ser prejudicado pelo local onde fixou residência, mas não devemos cair na tentação de sustentar populismos e visões irrealistas. Mais do que edificar será conveniente, no acto da sua concepção, prever a gestão futura, quer em termos de recursos financeiros, quer humanos, não excluindo, como é óbvio, a sua componente programática.

A rentabilização far-se-á, se forem criadas condições para que ela se concretize.

As dificuldades geradas pelas medidas de austeridade e de contenção orçamental, do país e da região, não têm afectado, significativamente, os objectivos elencados para esta legislatura, na medida em que estes têm vindo a ser escrupulosamente cumpridos, alguns redefinidos, outros estão à mercê das contingências que advêm da tramitação legal em vigor.

Não obstante quaisquer obstáculos que possam surgir no decurso da concretização de um determinado projecto, mantém-se inalterado o carácter prioritário que este Governo atribui ao sector Cultural.

Mesmo e apesar das dificuldades emergentes «(...) tal não significa que a oportunidade, a pertinência e a legitimação da intervenção do Estado nas artes e cultura seja posta em causa. Antes pelo contrário, cada vez mais se comprova que gastos em cultura não são gastos - são investimento, é criação de emprego, é qualificação dos cidadãos, é desenvolvimento, no melhor sentido que a palavra contém».

Palavras de estímulo e confiança proferidas pela actual Ministra da Cultura, num colóquio decorrido em Setembro passado, e que aqui se aplicam ipsis verbis à acção do Governo Regional do Partido Socialista na Região Autónoma dos Açores.

O Plano e Orçamento para 2011, em particular, no Programa que à Cultura diz respeito, é um plano de confiança, demonstra ambição e revela o imenso trabalho em curso, de quem acredita no crescimento e na importância que a Cultura desempenha no desenvolvimento presente/futuro dos Açores.

Alexandre Pascoal
Novembro 2010


* Adaptação da intervenção efectuada a 23 de Nov’10 na ALRAA
** Publicado na edição de 02 Dez'10 do Açoriano Oriental

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Satisfaz 2x



A resposta, na 'dose' certa, ao ruído + o comunicado do Secretariado Regional do PS/A.

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sábado, 4 de dezembro de 2010

FdS

Fotografia Filipe Franco















Vou andar por aqui...

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cooperação estratégica



O acordo agora firmado permitirá solucionar 3 pendentes:

- O retomar da dinamização da «Morada da Escrita» para a função que foi, inicialmente, gizada;

- Simultaneamente, dotar o Instituto Cultural de Ponta Delgada de uma sede condigna para as suas actividades sociais, na medida em que antes não dispunha do local apropriado para as realizar;

- A 'libertação' de um espaço fundamental, no Convento de Sto. André, para a obra de reconversão museológica do núcleo sede do Museu Carlos Machado. Um processo que em breve se iniciará.

Esta é, sem qualquer dúvida, uma boa medida para todas as partes (Governo/Instituto/Público).

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cultura, o Plano e Orçamento para 2011

Sta. Cruz da Graciosa, Ago'10

















O Plano e Orçamento para 2011 reforça o empenho da Região na defesa do Património e das Actividades Culturais.

O investimento assenta nos múltiplos projectos em curso, sem descurar o apoio à actividade regular dos agentes culturais regionais nas diferentes áreas de acção, sejam de vertente tradicional ou contemporânea.

Exemplo disso é o apoio atribuído às Bandas Filarmónicas, que constituiu, em 2010, cerca de 34% do valor dispendido pela Direcção Regional da Cultura à acção 4.1.8, relativa às Actividades de Relevante Interesse Cultural. Este valor é demonstrativo da importância da actividade desenvolvida por estas colectividades junto do tecido social da Região.

O valor não será suficiente, dirão. Não é certamente, nem nunca o será, pois a insatisfação criativa é, em qualquer actividade, uma constante. Não obstante, a acção programada reflecte a estratégia delineada para esta legislatura: a de dotar o arquipélago de equipamentos modernos e com capacidade para acolher diferentes tipos de espectáculos e eventos. Esta acção deriva, essencialmente, da capitalização directa dos fundos comunitários disponíveis para o efeito, e que, neste caso, estão abrangidos pelo Programa Pro-Convergência, que consagra um máximo de 85% de comparticipação comunitária ao investimento previsto.

Para o próximo ano, estão afectos quase 23 milhões de euros no Plano para a Cultura. Apesar dos constrangimentos, que todos conhecemos, há um ligeiro aumento do investimento em 2011, em comparação com o ano anterior, de cerca de 1.1%. Este valor não é muito significativo, é certo, mas é revelador da importância estratégica que o sector representa para o Governo. Esta posição sai ainda mais reforçada, tendo em linha de conta os tempos de austeridade com que, actualmente, somos confrontados. E não deixa de ser simbólico o investimento a concretizar, que, para além do aspecto formativo, é, sobretudo, reprodutivo, quer pela criação de empregos qualificados, quer pela acção complementar na área da animação turística e, consequentemente, na dinamização da economia local.

No âmbito do programa - Defesa e Valorização do Património Arquitectónico e Cultural, o destaque em 2011 vai para: a conclusão da nova Biblioteca Pública de Angra do Heroísmo; o arranque, no decorrer do 1º trimestre, da obra do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, situado na cidade da Ribeira Grande; a conclusão do Espaço Cultural Multiusos do Corvo, a Temporada Musical, e a prossecução das Comemorações do Centenário da República, que culminarão com a inauguração da Casa Manuel de Arriaga, na cidade da Horta.

De igual modo, realça-se, ainda em 2010, a conclusão das obras do Museu da Graciosa, a inaugurar até final do ano, e a conclusão da intervenção de conservação da cobertura do Convento de São Boaventura - Museu das Flores.

Quanto à - Dinamização de Actividades Culturais, o Governo dos Açores mantém, em 2011, os incentivos à formação, à criatividade, à fruição e à itinerância, com o intuito de fomentar uma programação de âmbito regional, bem como, a continuada promoção ‘fora de portas’ dos criadores da Região, consubstanciando, por esta acção, as palavras do Presidente do Governo quando este afirma que «(…) compete (ao Governo) contribuir para a ocorrência de condições para que os nossos criadores possam concretizar as suas propostas estéticas», obviando, deste modo, os constrangimentos geográficos que nos rodeiam. E acentuando o facto da “criação cultural e artística ser universal”, pelo que a distância e o isolamento podem, no caso dos Açores, ser superados.

A este nível, saliente-se a Exposição de Arte Contemporânea na Galeria do Rei D. Luís I, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, a decorrer entre Outubro de 2011 e Janeiro de 2012, e o início do ‘acolhimento recíproco’ entre a Fundação Medeiros e Almeida e a Direcção Regional da Cultura, dando seguimento ao protocolo assinado, em Abril de 2010, entre ambas as entidades.

Alexandre Pascoal
Novembro 2010


* Adaptação da intervenção efectuada a 23 de Nov’10 na ALRAA
** Publicado na edição de 30 Nov'10 do Açoriano Oriental

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Foi ontem mas não deixa de ser actual







































Ainda e sobre os 75 anos da morte de Fernando Pessoa - uma descoberta de todos os dias.

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sábado, 27 de novembro de 2010

Tea Break's


Melhor do que as pausas são os regressos...

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

KO

Esta madrugada, durante as votações na especialidade do Plano Anual Regional para 2011, o PSD/A 'caiu do palco'. E nunca mais se levantou...

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

«Gastos em Cultura são investimento e desenvolvimento»














Nota de imprensa sobre a intervenção de tribuna dedicada à Cultura, no âmbito da sessão plenária relativa ao Plano e Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2011.

* A intervenção na sua versão integral em Pdf.

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Diário das Sessões

Na Horta, e apesar da Greve Geral, os trabalhos decorrem com a normalidade desejada.

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Diz que é uma espécie de...


 Antolhos.

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domingo, 21 de novembro de 2010

História



Um autor que sigo e que não tem dúvidas em afirmar que "a Europa não é uma prioridade para a América".

A 'produtividade', destes últimos dias, diz-me que chegou a hora de recolocar em agenda a leitura que tem sido consecutivamente adiada.

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sábado, 20 de novembro de 2010

Histórico




















Toda a história aqui.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sustentável



Projectos como o que aqui se noticia - o da produção de Cracas em regime de aquacultura - são exemplo daquilo que se pode e deve desenvolver, no futuro mais que próximo, de modo a tornar sustentável a exploração do Mar que nos rodeia.

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Streets of Your Town

Rua José Maria Raposo Amaral, Ponta Delgada, Nov'10

















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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Excelência

Fotografia Fernando Guerra






















Nos Açores, nos últimos anos, temos assistido à promoção de Projectos de Arquitectura de qualidade aliados a projectos no âmbito da educação e da sensibilização ambiental.

Esta prática é motivo de satisfação e deve constituir-se como um bom exemplo de investimento público reprodutivo.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Partilho

À luz das contas *

A maioria das autarquias do país e Região vai manter as iluminações de Natal, mas com cortes substanciais nos valores destinados a isso; muitas reduzirão o período de duração e os locais a ornamentar. Outras, pura e simplesmente, não iluminarão as ruas.

Em Coimbra, por exemplo, onde a iluminação de Natal custará 100 mil euros (como no Porto), as luzes acender-se-ão uma semana mais tarde que o habitual para poupar energia. Em Albufeira e Faro, as luzes vão custar 70 mil euros; em Bragança, 50 mil euros; em Santarém, 30 mil euros e em Vila Nova de Gaia, 20 mil euros, por exemplo.

Na nossa cidade de Ponta Delgada não há vestígios de cortes. As luzes vão manter-se acesas e vamos pagar 400 mil euros pelos anjos e pelas bolas e pelas prendas. A discrepância do que pagamos e do que paga uma cidade como o Porto, por exemplo, é intrigante, senão mesmo incrível! Ora bem e, por falar em intrigante e incrível, lembre-se a notícia que marcou a semana passada: o relatório da auditoria feita pelo Tribunal de Contas à empresa municipal "Acção PDL".

Com este documento ficámos a saber, coisas que a nossa memória não deixa apagar, que serão, agora novas, mas sempre repetidas, mudando apenas, aqui e ali, alguns dos e das protagonistas.

Ora, ficámos então a saber, dizia eu, que os estatutos da "Acção PDL" não estão em conformidade com a lei, porque atribuem à Câmara Municipal competências que são da Assembleia Municipal.

Ficámos a saber, também, que os estatutos da empresa municipal não estão de acordo com a lei, porque prevêem que sejam concedidos empréstimos pela autarquia à empresa.

E, ainda, ficámos a saber, agora, que os ordenados dos membros do conselho de administração não foram aprovados pela Assembleia Municipal, como deviam ter sido, assim como ficámos a saber que os funcionários da empresa, afinal, trabalham é na Câmara Municipal...

Mas ainda há mais, a auditoria do Tribunal de Contas a uma empresa da autarquia que se diz campeã do apoio às famílias carenciadas e às pessoas com dificuldades financeiras também revelou outros dados interessantes: por exemplo, que foi possível trocar a construção de um pavilhão e de uma piscina para todos os munícipes por um Driving Range para a prática do Golfe e por um Club House só para alguns.

Assim como foi possível descobrir que apesar de serem obras de dimensão bem mais reduzida, não só o seu preço se manteve igual, como ainda foi necessário mais dinheiro para concretizá-las. Se dúvidas ainda havia, a gestão da empresa "Acção PDL" demonstra bem a incoerência política existente entre o que é dito pela líder do PSD/Açores e o que é feito pela Presidente da Câmara de Ponta Delgada...

* Mariana Matos in AO de 09 Nov'11

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cruzes há muitas






















A nossa é outra + outra...

* Rabiscos Vieira @ Arrastão

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