segunda-feira, 25 de outubro de 2010

(I Can't Get No) Satisfaction


Este é e tem sido o modus operandi do maior partido da oposição que agora, e perante a publicação das alterações de serviço público de transporte aéreo entre os Açores e o Continente, diz que o mesmo não o satisfaz.

Os argumentos, tal como os 'provérbios', estão-se a acabar.

#

domingo, 24 de outubro de 2010

Sinais de outros tempos

Fotografia António Barreto * Ilha de São Miguel (há + de 20 anos)

O 'nosso' Mundo mudou.
quem não tenha dado por isso...

#

sábado, 23 de outubro de 2010

Imperdível!

















No âmbito da Temporada de Música dos Açores, a Companhia Olga Roriz, apresenta esta noite, no Teatro Micaelense, as coreografias Electra + A Sagração da Primavera.

#

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Desleixo ou abandono?!

Rua de Lisboa, Ponta Delgada, Set'10
















A Rua de Lisboa é a principal porta de entrada, pelo lado poente, da cidade de Ponta Delgada.

No entanto, a degradação a que tem sido sujeita, no decorrer dos últimos anos, está à vista de todos e/ou daqueles que a querem ver.

Para quem lá vive e tem de conviver com: Noites de Verão, afterhours no Coliseu Micaelense, parca iluminação pública, estacionamento selvagem e diversos atropelos automobilísticos, é tempo de implementar medidas de controlo "físico da velocidade", e outros, nomeadamente: lombas de abrandamento, semáforos e melhor iluminação, de modo que seja preservada e reintroduzida a qualidade de vida aos residentes e aos turistas que a frequentam.

Está na altura de alterar este 'estado de coisas'.

#

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Boas notícias

Tarifas promocionais abaixo dos 100 euros com luz verde de Bruxelas
Nos termos legais, estas alterações entram em vigor 60 dias depois da sua publicação no Jornal Oficial das Comunidades Europeias, o que significa que as tarifas promocionais inferiores a € 100, nas ligações entre os Açores e o continente, devem estar disponíveis, ainda, durante o mês de Dezembro.

#

terça-feira, 19 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

«Cumplicidade e oportunismo» *

Já toda a gente pediu a Pedro Passos Coelho que desista da ideia perigosa e aberrante de rejeitar o Orçamento. Do dr. Durão Barroso até (anteontem) um grupo de banqueiros com Ricardo Salgado e Artur Santos Silva à frente. Mas no meio deste espectáculo o Presidente da República brilha pela sua ausência. É verdade que de quando em quando deixa cair uma frase prudente e sibilina, que entusiasma muito a televisão e os jornais. Não devia entusiasmar ninguém, porque o Presidente da República não está a cumprir a sua obrigação mais básica: prevenir solenemente o país de que a atitude de Passos Coelho (e a correspondente fita, que já dura há mais de seis semanas) prejudica o futuro dos portugueses. O silêncio de Cavaco é um acto grave de cumplicidade e de oportunismo.

É um acto de cumplicidade, porque manifestamente encoraja um desvario, que nos vai trazer mais miséria e pobreza; e também porque ajuda Passos Coelho a conseguir que o partido aceite sem tugir nem mugir a sua extravagância e a sua inacreditável estupidez. Nunca o Presidente deveria dar o seu consentimento tácito a um exercício de irresponsabilidade, que põe em risco a vida já difícil da maioria da população e o próprio prestígio da República. E, em segundo lugar, o silêncio de Cavaco é um acto de puro oportunismo, porque se destina antes de mais nada a não hostilizar o eleitorado do PSD de que ele precisa para a eleição presidencial. O homem não quer entrar em guerra aberta com Passos Coelho, mesmo para evitar uma catástrofe, para não perder um voto do seu putativo eleitorado, um alto objectivo que a Pátria com certeza lhe agradecerá.

O pior é que esta subtileza de saloia nem sequer o levará a parte alguma. O português comum acha hoje Cavaco responsável pela questão do Orçamento e a sua reserva sem desculpa. As bandeirinhas que, segundo Alegre, ele distribui pela criançada não compensam o gesto de autoridade (e censura) que lhe cabia imperativamente fazer. O que parece muito hábil agora será um peso, provavelmente mortal, em 23 de Janeiro, caso Passos Coelho acabe, como ele promete, por empurrar Portugal para a impotência e o caos político. Se Cavaco se opusesse a tempo às manobras do PSD, valeria a pena um esforço para o repor em Belém. A neutralidade professoral, inteiramente inútil, que ele adoptou não o recomenda para coisa nenhuma e, muito em particular, para Presidente.

* Vasco Pulido Valente, in Público de 15 Out'10

Leitura obrigatória!

#

domingo, 17 de outubro de 2010

Clap, clap, clap, clap!

«Carlos César anuncia suspensão dos aumentos em creches, amas, jardins de infância e ATLs»
Uma decisão que (re)introduz justiça social perante as dificuldades impostas às famílias pelos 'cortes' das medidas de austeridade contidas na proposta de OE para 2011.

Mais uma vez o Governo dos Açores demonstra que trabalha "para bem dos açorianos", colocando as pessoas em 1º lugar.

Aplaudo de pé!!!

#

sábado, 16 de outubro de 2010

O fim dos 'ismos'?!




















«(...) Was minimalism the last absurd, exhausted spasm of neophilia, the cult of the new that so defined modern taste? Or is it still, and will it remain, the ultimate refinement of aesthetic sensibility: the place we go when we have been everywhere else? The answer to both questions is yes. (...)»
Recomendação de leitura para um sábado de Outono que mais parece de Inverno.

#

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

À Procura de Escala *

Maqueta Menos é Mais





















A Direcção Regional da Cultura assinou com o Instituto dos Museus e da Conservação, no passado dia 5 de Outubro, um protocolo que visa a realização de uma exposição na Galeria do Rei D. Luís I, no Palácio da Ajuda, entre Outubro de 2011 e Janeiro de 2012, constituída pelo acervo do futuro Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas.

Esta iniciativa constitui prova inequívoca, do interesse e empenho da Região na promoção dos seus criadores, dentro e 'fora de portas'. A concretização deste objectivo é um desígnio do programa do X Governo dos Açores e é, legitimamente, uma das reivindicações maiores da comunidade artística do arquipélago.

As limitações a que está sujeito o 'mercado de arte' nos Açores, associado a um falta de visibilidade e de reconhecimento necessários à evolução, que se impõe, na carreira de quem procura 'crescer', são elementos, mais do que suficientes, para que esta exposição seja reconhecida com uma conquista que visa romper e perspectivar para "fora das fronteiras da Região", o trabalho de quem está confinado à geografias das ilhas.

Mostrar aquilo que por cá se produz é fundamental para quem cria. E por várias razões: pela abrangência com um público alargado e mais exigente; pelo confronto com a crítica especializada ou ainda como introdução a novos mercados. Parte desta problemática reside no facto de, localmente, não existir, salvo raras e valiosas excepções, um trabalho aturado e profissional, no difuso mercado artístico, em torno da promoção dos criadores regionais. Primeiro, porque nem todos os artistas estão representados por uma galeria. Segundo, porque nem todos falam a 'linguagem' que se exige a um meio fortemente concorrencial (ou porque não querem ou porque não têm perfil para isso). Terceiro, porque não existem galerias, em número e com essa 'vocação', no espaço insular.

Não obstante o carácter e o funcionamento do mercado interno, no sector artístico, o que se perspectiva nesta mostra é «(…) um desafio para os Açores se mostrarem e valorizarem no exterior», parafraseando Jorge Bruno, o Director Regional da Cultura.

Mesmo e apesar de uma existência num local (ultra)periférico, longe dos 'centros', é possível estar em sintonia com a contemporaneidade, na medida em que «(…) passámos a estar ligados a todos independentemente do lugar, os recantos mais periféricos estão desencravados, o local está em contacto com o global: a cultura-mundo é a cultura da compressão do tempo e da diminuição do espaço». Mais isso não significa que exista, actualmente, uma 'única' cultura. «(…) Quanto mais o mundo se globaliza, mais particularismos culturais aspiram a afirmar-se nele. Uniformização globalitária e fragmentação cultural caminham a par» (G. Lipovetsky/J. Serroy in A Cultura-Mundo, Ed. 70, 2010). O nosso caso é, neste sentido, paradigmático.

Esta iniciativa marca - de forma simbólica - o arranque das actividades do futuro Centro de Artes Contemporâneas, a ser instalado na antiga Fábrica do Álcool, na cidade da Ribeira Grande, e cujo concurso público, para a empreitada de construção, será lançado até final do mês de Outubro.

Esta mostra incidirá sobre as peças disponíveis na Colecção de Arte Contemporânea da Região, que conta com um núcleo principal composto por cerca de três centenas de peças, cuja aquisição tem vindo a ser traçada ao longo da última década.

A Colecção é composta, essencialmente, por pintura e escultura, na sua maioria de criadores açorianos, mas onde figuram outros artistas nacionais e internacionais. É, nas palavras de Jorge Bruno, «(…) uma colecção representativa dos principais criadores açorianos, mas onde eles se confrontem com os criadores do exterior». Pretende-se que a mesma venha a constituir-se como referência e de visita obrigatória a quem nos visite.

É com base neste confronto de linguagens que podemos ambicionar a construção de um novo Centro, polivalente, que posicione a Região, também, como pólo criador. É uma questão de programarmos à "escala justa".

Neste ponto, parece-me adequado citar Gabriela Canavilhas, a actual Ministra da Cultura, quando escreve que: «(…) A obrigação do Estado, num governo socialista, é garantir a liberdade, a pluralidade, a diversidade, a memória, o passado e o futuro da nossa identidade cultural - património herdado e aquele que queremos legar, em permanente regeneração. Essa é a grandeza e imprescindibilidade da arte (…)» (in Público 17 Set’10).

Há, no entanto, quem receie a "liberdade absoluta que a arte comporta". Para outros, é uma questão de orgulho e de "marca genética".

Alexandre Pascoal, Outubro 2010

* Título de um livro de António Pinto Ribeiro, editado em 2009 pela Cotovia
** Publicado na edição de 14 Out'10 do Açoriano Oriental

#

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A partir de amanhã

Fotografia Francisco Botelho
















A campanha «VisitAzores com voo incluído», promovida pela Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) e com o apoio da Secretaria Regional da Economia dos Açores, arranca amanhã e decorre entre 15 Out'10 e 31 Mar'11.

#

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O meu 'ecoponto'

Parque do Peru, Ponta Delgada, Out'10
















Esta situação é mais do que recorrente e passou a ser um mau cartão-de-visita a quem, em sua casa e muitas das vezes sem espaço para o realizar, faz a triagem do seu lixo doméstico.

Não sou daqueles que desmotivam ao primeiro sinal de contrariedade. E não faço da minha prática - o 'exemplo' de todos. Outros há que, perante este cenário, desacreditam do 'processo'.

Temos de reconhecer que é frustrante verificar a 'insuficiência' de quem não cumpre com o estipulado, age de forma irregular e sem a celeridade que este tipo de acções exige. O lixo aqui fotografado permaneceu 'intacto' todo o passado fim-de-semana. Infelizmente, não faltam exemplos destes. Para isso bastará uma simples deambulação pela urbe. Esteve mau tempo?! Esteve. Mas se a recolha fosse atempada, contínua e eficaz, porventura não teríamos a proliferação destes 'aglomerados'.

Para o caso de sermos confrontados com um ecoponto vandalizado ou sobrelotado devemos informar o município pelo nº disponível (800223660), de forma a denunciar a situação e exigir a sua resolução. É nosso dever exigir a quem gere os destinos municipais que faça o que lhe compete.

A proactividade em prol de uma cultura de eficiência e de respeito pelo espaço público é uma tarefa de todos. Como munícipes devemos pugnar quotidianamente pelos nossos deveres/direitos e não apenas quando o 'lixo nos bate à porta'.

* Informação complementar em O Meu Ecoponto

#

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A infelicidade de um 'título'





Mulher no corpo da notícia. Prostituta no título. A razão desta categorização, alguém?!

Parece-me uma leitura apressada da sociedade que nos rodeia, e a perpetuação de 'estigmas', por intermédio de uma 'opção editorial'.

Não havia necessidade. Penso eu de que...

* Título da página 5 da edição de 12 Out'10 do Açoriano Oriental

#

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Concertos pedagógicos









A Orquestra Académica Metropolitana está, a partir de hoje, em digressão pelos Açores.

#

domingo, 10 de outubro de 2010

O que diz o Público do Angrajazz'10

Fotografia Público

Jazz Transatlântico
No primeiro dia, cumprindo a tradição, apresentou-se a Orquestra Angrajazz, desta vez com a participação especial do trombonista Luís Cunha. Dirigida, como habitual, por Claus Nymark e Pedro Moreira, a orquestra, integrada por jovens músicos residentes na Terceira, interpretou um repertório dedicado essencialmente à obra de Wayne Shorter.
Com alguma desenvoltura instrumental e boas intervenções por parte de Nymark (trombone) e Moreira (saxofone), destacou-se sobretudo a excepcional clareza e foco do trombone de Luís Cunha, a quem falta apenas um pouco mais de arrojo nas improvisações. Estranhou-se o facto de não ter acontecido uma única intervenção solista por parte dos músicos locais, factor que vem subverter toda a lógica que presidiu à criação da orquestra.


Actuou de seguida a Mingus Dinasty, banda que se dedica, há anos, a divulgar e interpretar o repertório do contrabaixista e compositor Charles Mingus. Formada por Wayne Escoffery ("sax"-tenor), Abraham Burton ("sax"-tenor), Alex Sipiagin (trompete), Frank "Ku-umba" Lacy (voz, trombone), Boris Kozlov (contrabaixo), Kenny Drew Jr (piano), e Donald Edwards (bateria), destilou um hard-bop extremamente eficaz, em que se destacaram as improvisações de Burton, contidas mas com enorme direcção, Lacy, brilhante no trombone mas um pouco excessivo nas intervenções vocais, e particularmente Kenny Drew Jr, sendo este quem melhor soube evocar o espírito de Mingus.


No segundo dia, o pianista Stefano Bollani entrou em cena como um furacão, fazendo antever o melhor. Com uma técnica prodigiosa e um drive rítmico bastante mais poderoso do que no seu último registo para a ECM, Bollani fez a música cantar e dançar, brincando com os tempos e intercalando sucessivas explosões harmónicas que potenciavam cada novo segmento das canções. A secção rítmica, formada por Jesper Bodilsen e Morten Lund, cumpriu, sem estar, no entanto, à altura da exuberância criativa de Bollani. Infelizmente, sucessivas tiradas de um humor igualmente exuberante, por parte de Bollani, interromperam o fluxo musical e acabaram por desconcentrar músicos e assistência.


Na segunda parte, a cantora Paula Oliveira apresentou o seu novo disco, Raça. Reunindo o trio - Leo Tardin, Bernardo Moreira e Bruno Pedroso - a um quarteto de trombones liderado por Lars Arens - com Claus Nymark, Luís Cunha e Rui Bandeira - Oliveira alinhou uma ambiciosa selecção de temas, entre originais e standards, e procurou um som novo e original. Com os trombones a marcar os melhores momentos do espectáculo - destaque para a versão de Cão - revelaram-se, no entanto, alguma falta de ensaios e, sobretudo, fragilidades da voz e postura em palco de Oliveira.


No último dia, após uma actuação da Orchestre National de Jazz que teve demasiado estilo e pouca substância, algures entre o pop cabaret dos Pink Martini e um lounge-rock estafado com pretenções vanguardistas (salvando-se, ainda assim, o carácter de entertainment da coisa e um jovem saxofonista e clarinetista, Rémi Dumoulin), seguiu-se aquele que foi o grande concerto do festival, o Transatlantik Quartet do contrabaixista Henri Texier.


Com Joe Lovano (saxofone), Steve Swallow (baixo eléctrico), e Aldo Romano (bateria), o concerto revelou quatro mestres absolutos nos seus respectivos instrumentos, a tocar com a inspiração, rigor e vitalidade que lhes garantiram já um lugar cativo na história do jazz. É um enorme prazer observar a forma como abordam os seus instrumentos, como trabalham sequências harmónicas injectando-lhes pequenos detalhes de uma enorme criatividade que transportam a música para um nível superior de comunicação. Exemplos máximos terão sido os solos absolutos de Swallow e de Romano, bem como toda a actuação, explosiva, de Lovano, que tirou proveito de um set enérgico e vibrante. Certeira foi também a combinação de timbres dada pelo contrabaixo e pelo baixo eléctrico. Surpreendente e inspirador.
Rodrigo Amado, Y/Público de 8 Out'10
#

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

City Sickness





Rua de Lisboa, Set'10
 
À primeira vista parece um carro estacionado igual a tantos outros. Depois verificamos que não é bem assim. E não é uma nova peça de mobiliário urbano. É apenas mais 'um' veículo que jaz abandonado nas ruas da cidade do 'maior Concelho dos Açores'.

Este exemplar passou incólume, durante todo o Verão de 2010, e sem que 'ninguém' desse por ele.

Uma missão para a recém-criada Polícia Municipal?! Parece-me que sim.

#

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

100 anos e um dia

«(...) Parece que a Iª República cometeu o grande pecado de ser uma balbúrdia, - mas por oposição a quê? Pelos vistos, deve haver quem ache que o resto do mundo era, naquele primeiro quartel do século XX, uma espécie de pacífico jardim.
Não era; desde ocupantes de cargos eleitos a cabeças coroadas, do primeiro-ministro de Espanha ao arquiduque da Áustria, houve homicídios para todos os gostos naquela época. Não excederam, contudo, a morte massificada da gente comum; entre os anos de 1914-1918 - não tinha a nossa República quatro anos - houve simplesmente uma Guerra Mundial, neste continente e nas suas colónias. Quando essa Grande Guerra e a sua estúpida e inútil mortandade acabou, tinham acabado também vastos impérios: o dos Czares, varrido por duas revoluções e desmembrado; o Austro-Húngaro, despedaçado; e pouco tempo depois o Império Otomano. No culminar desse processo, fez-se o ensaio geral aos genocídios que seriam levados às maiores consequências nos meados do século XX europeu. A República Portuguesa lá aguentou, mas entre a Iª e a IIª Guerra Mundial nasceram o fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, e regimes seus aparentados - como a ditadura nacional em Portugal - um pouco por toda a Europa. Desfez-se o sonho da Sociedade das Nações. Como eloquentemente diz a historiadora Zara Steiner, esta foi a época em que - por quase todo o mundo e sobretudo na Europa - “as luzes falharam”.
Perante isto, - ou melhor, esquecendo isto - há gente que faz da leitura da Iª República uma única lenga-lenga sobre como os líderes políticos portugueses da época eram defeituosos. Pois eram. Sem querer ser preciosista, esse é exatamente o sentido da República: sermos governados por gente imperfeita. Precisamente porque não existe gente perfeita, nem gente que herde a predisposição para governar vitaliciamente um país, o princípio republicano é o de que nem o nascimento nem a classe social devem vedar alguém de eleger e ser temporariamente eleito. Isto é uma coisa boa, e uma coisa simples. Às vezes há coisas assim. É pueril alegar que ser governado pelo filho do rei da Casa de Bragança tivesse sido melhor do que ter sido governado pelos Srs. Teófilo Braga ou Bernardino Machado, mas quer o sentimento anti-progressista que rasguemos as vestes por cada vez que este país deu um salto político. Pelo grande gozo que é “irritar a esquerda”, pratica-se o contorcionismo da mioleira. Mesmo assim, o liberalismo continua a ser melhor do que o absolutismo; e a república melhor do que a monarquia, a democracia melhor do que a ditadura. Melhores porque regimes mais livres e mais iguais, mais próximos do princípio de que a sociedade se pode - e deve - auto-governar. (...)»
Leitura obrigatória para esta crónica (e todas as outras) do Rui Tavares, publicada ontem com o Público, sobre aqueles que, em ano de Centenário, 'depreciam' a República e 'suspiram', quiçá, por tempos idos.

* o bold é meu 

#

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

«Arquipélago»

Filipe Franco Linha de Terra, 2004





















#

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Blackout
















O lado sul do Teatro Micaelense está, literalmente, ‘às escuras’ desde que terminaram as obras de requalificação do antigo Largo de S. João.

Para além do aparente ‘abandono’ do local, em particular, naquele em redor desta importante ‘sala de visitas’ da cidade, o mesmo está sem iluminação pública. O que dificulta a vida a quem por lá transita. E 'facilita' a quem prevarica.

É, infelizmente, mais uma infelicidade municipal, num concelho que se diz feliz mas que tem, neste âmbito, poucas razões para sorrir.

Felizmente, e a outro nível, a noite foi luminosa.

#

domingo, 3 de outubro de 2010

Posta dominical


Recta final para uma semana em que havia e há muito para e por dizer...

"You know I why I hate you, baby?/ Because you make me hate you, baby (...)".

#

sábado, 2 de outubro de 2010

Estreia mundial















Hoje, 2 de Outubro, pelas 21h30, no Teatro Micaelense, acontece, pela primeira vez nos Açores, o concerto de laureados do Prémio Jovens Músicos/2010 (PJM). Este concerto está integrado na Temporada de Música 2010 e assinala as Comemorações do Centenário da República com a presença da Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro Osvaldo Ferreira, que fará a estreia mundial da obra sinfónica Centenário da República, do compositor Filipe Pires, encomendada pela Presidência do Governo Regional dos Açores através da Direcção Regional da Cultura.  

Imperdível!

#

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Modas

Por estes dias o que prevalece, pelos menos aparentemente, é o diz que disse... Parece - dizem - que é uma espécie de pisca, pisca.

#

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quem fala 'verdade'?!

Actividade económica dá sinais de quebra in Público 29 Set'10
Clima Económico mantém-se estável em Setembro in Publituris 29 Set'10
O camarada Francisco já escreveu sobre o assunto mas acho, hoje mais do que ontem, que a actividade especulativa dos mercados financeiros exige, perante a instabilidade que vivemos, uma 'melhor regulação'.

A bem de todos.

#

SIARAM

Ilhéu das Cabras, ilha Terceira

O governo apresentou hoje um novo site destinado a divulgar a natureza e a fauna dos Açores.

Este instrumento agrega um conjunto de informação dispersa, melhora o seu processamento e permite o acesso a fotografias de grande nível.

Um projecto notável!

#

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Há vida para além do deficit?!

Haver havia...agora é que já não há.

#

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sensibilidade e bom senso

Jorge Miranda ao Público de 27 Set'10
«(...) Tem defendido que esta não é a altura certa para rever a Constituição da República. Porquê? A três meses das eleições presidenciais, não me parece correcto misturar revisão constitucional com a campanha eleitoral. Em segundo lugar, o debate fundamental dos próximos tempos deve ser em torno da aprovação do Orçamento do Estado. Tudo gira à volta desse tema: se o orçamento passar, a situação será uma; se não, iniciar-se-á uma crise política. Por outro lado, não é oportuno nem sensato um país que está numa situação económica como a nossa entreter-se com o processo de revisão constitucional. Mas há ainda uma outra razão. Os casos recentes, com o da Casa Pia, mostram que é urgentíssimo reformar as leis de processo e as leis judiciárias, o país não aguenta mais processos que se arrastam ao longo dos anos, é um desprestígio para a justiça. (...)»
António Barreto ao Diário Económico de 28 Set'10
«António Barreto adiantou ainda que é contra a abertura de um processo de revisão constitucional nesta altura, defendendo "que deveria ser daqui a seis meses ou um ano, depois da eleição do presidente da República e devia ser feita com mais calma (...)".»
Não há nada que justifique um projecto apressado, que se quer ponderado e amplamente consensualizado. No meio de todo este 'processo' é bom que haja alguém que tenha uma réstia de sensibilidade e bom senso.

#

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dia Mundial do Turismo





















Comemora-se hoje, em Ponta Delgada, o Dia Mundial do Turismo sob o lema da Biodiversidade.

#

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Aonde é que pára a Polícia (Municipal)?!

Rua do Peru, Ponta Delgada, Set'10







#

terça-feira, 21 de setembro de 2010

It's Just a Question of Time

«À porta de um jantar, a líder do PSD/Açores afirmou que a “JSD não tem rigorosamente nada a ver com o PSD”. Berta Cabral, para além do evidente exercício de negação que Freud tão bem explica, “disse”, não só aos jovens do seu partido como aos seniores, aos eleitores sociais-democratas e aos açorianos em geral, que a JSD, hoje, como Francisco Álvares, António Silveira, Rui Melo e todos quantos, há meses, perderam as eleições autárquicas, não podem olhar para a sua ainda líder como os marinheiros olham para o comandante do navio em dificuldades, certos de que ele será o último a abandoná-lo… Ao fugir das consequências políticas de um problema que, sendo incómodo, não era particularmente difícil, Berta Cabral deu de si própria a dimensão que a maioria do eleitorado há muito pressentia e, por isso, mesmo, mais não lhe tem consentido do que a dimensão local de que não consegue sair. Ao demitir-se de assumir, publicamente, o papel liderante que lhe era exigido, e de, com isso, mostrar que manda mesmo no PSD, que o partido é, também, a JSD, e que bem se podiam desenganar os que sussurram que nem consegue pôr em ordem a sua própria “casa”, Berta Cabral voltou a ensaiar aquela espécie de “haraquíri” político da noite das Autárquicas e deixou os seus com a certeza de que não pode contar com ela para coisa nenhuma. Com estas declarações a “líder” do PSD foi clara num aspecto, embora, evidentemente, sem o dizer, como é seu timbre: não vai mexer uma palha para resolver o problema da JSD, que aquilo é só chatices, que não está para ali para resolver birras de rapazes, que era só o que faltava! E que bem podem continuar a desdobrar-se em conferências de imprensa, invocar a filiação partidária, demonstrarem cientificamente que a JSD é do PSD há mais anos do que eles têm de idade, recorrerem a Lisboa, queixarem-se ao Ministério Público, tudo o que quiserem, que nada disso terá qualquer validade perante a sentença, sem direito a recurso, ditada por quem disse que o congresso escolhera, estava escolhido, mas, logo a seguir, que não tinha nada a ver com aquilo tudo! No fundo, nada de novo, vindo de quem parece não ter tido tantas responsabilidades nesta Região, com as conhecidas pesadas heranças deixadas a quem veio a seguir. O mesmo vai acontecer no PSD. É também uma questão de tempo...»
Mariana Matos hoje em crónica 'acertada' no AO.

* um original dos DM

#

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

@ Paisagem da Cultura da Vinha do Pico

Fotografia Filipe Franco





















Uma iniciativa que traduz aquilo que deve constituir-se como exemplo de uma boa 'experiência turística'.

#

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Diz que é uma espécie de felicidade...



Recupero uma entrada com 4 anos que mantém, infelizmente e na íntegra, toda a pertinência e actualidade.

#

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Congresso Internacional




















Mais um exemplo que comprova a estratégia regional em torno do segmento MICE - Meetings, Incentives, Congresses and Events e na feliz conjugação de lazer & trabalho.

#

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

87



Obrigado, Irmão!

#

domingo, 12 de setembro de 2010

Rentrée













Hoje no Pinhal da Paz a festa será grande.

#

sábado, 11 de setembro de 2010

7 Maravilhas Naturais de Portugal @ Azores'10

Fotografia José Albergaria @ Lagoa do Fogo, ilha de São Miguel, Ago'10















Hoje em Ponta Delgada todos os caminhos vão dar, literalmente, às Portas do Mar.

#

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

No bom caminho










«Com decisão positiva do Governo da República, tarifas promocionais de 100 euros seguem para Bruxelas» para apreciação da Comissão Europeia

Entrada linkada daqui.

#

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

E Veneza aqui tão perto...



O filme Dharma Guns, do realizador J.F. Ossang, rodado quase inteiramente nos Açores, passa hoje na edição 67ª do Venice International Film Festival.

Um bom prenúncio para experiências futuras.

Aguardemos, agora, a exibição da prova material.

#

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Green Islands



Investimento reprodutivo num futuro que se quer sustentável.

#

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Elogios *

«(...) Ponta Delgada é uma cidade agradável que acolhe em si monumentos e museus merecedores de descoberta. Há ainda o jardim António Borges para passear, a marina para conviver, o mercado para comprar queijos, ananás e bolos lêvedos. Na Marginal fica a Livraria Solmar, onde pode manter dois dedos de conversa com José Carlos Frias. É o melhor livreiro dos Açores.»
Ainda não tinha lido. Mas agora compreendo o brilho da Helena...

* Com o suplemento Fugas no Público de 04 Set'10

#

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

It's a Go











O Governo Regional dos Açores autorizou a abertura do concurso público para a construção do Centro de Artes Contemporâneas, estimado em 14,8 milhões de euros.

O Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas estará apto para diferentes expressões artísticas, desde as artes plásticas ao audiovisual, passando pela dança, pelo teatro e pelas artes performativas. O governo de Carlos César pretende que fique aí sediada a colecção pública de referência de arte contemporânea, com uma dominante açoriana, mas não exclusivamente de criação local.

O novo centro de artes será instalado na antiga Fábrica do Álcool da Ribeira Grande. Lançado por Gabriela Canavilhas, ex-directora regional da Cultura dos Açores e actual ministra da Cultura, o projecto deste novo equipamento - baptizado como Arquipélago - é da autoria dos arquitectos João Mendes Ribeiro, Cristina Guedes e Vieira de Campos. Abrange a requalificação do actual edifício e a criação de três novos, destinados à colocação das obras que não estão em exposição, a oficinas/laboratórios e um pavilhão multiusos.

O 1º acto do futuro 'Arquipélago'. Hoje com o Público.

#

domingo, 5 de setembro de 2010

A não perder

S/ Título, 1968

















«(...) Quase nada na obra de Ana Vieira nos é oferecido de mão estendida; quase tudo surge velado, quase tudo está por trás de uma porta, de uma parede, de um biombo ou das vidraças de uma janela; quase tudo se insinua como sombra ou reflexo especular, como projecção fugaz de luz, como mero recorte no espaço, como negativo e ausência; quase tudo é entrevisto, mais do que visto; quase tudo faz de nós "voyeurs", mais do que espectador. (...)» Vanessa Rato in Ípsilon de 13.08.10

Recta final da exposição antológica Entre Muros para visitar até 12 de Setembro no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada.

#

sábado, 4 de setembro de 2010

More than Words

In Açoriano Oriental de 03.09.2010
















Ou como esta imagem vale mesmo mais do que 1000 palavras...

#

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Labjovem'10: na estrada...





















Para além do início das Comemorações do Centenário da República - nos Açores - arranca hoje a MOSTRA LABJOVEM 2010, assinalada pela presença dos projectos seleccionados no âmbito do LabJovem.

A mostra dará início às 21h, na Galeria Arco 8 (Sta. Clara/Ponta Delgada), e contará com a exposição dos projectos seleccionados das áreas de Vídeo, Design de Moda, Arquitectura, Design Gráfico, Fotografia e Ilustração+BD.

#

Brand New

Fotografia Bernardo Rodrigues
















A 'Casa do Voo dos Pássaros' - um projecto do arquitecto micaelense Bernardo Rodrigues algures na costa norte da ilha de São Miguel - toma forma e ameaça 'voar'.

#

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tá mal

Prescreveram dívidas fiscais iguais a 5 vezes os cortes "indispensáveis" nas prestações de apoio ao mais pobres?
Na íntegra aqui.

#

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O 'incendiário'



O Verão tem sido quente e o país continua a arder.

Apesar do combate árduo às chamas há sempre quem esteja disposto a atear o lume, ao alimentar ódios primários por enviesamento demagógico e populista.

O cenário é novo, a fo(´)rm(ul)a é a mesma.

#

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Recolha [selectiva]

Rua do Perú, Ponta Delgada, 26 de Agosto'10













Este é o cenário pré e pós-férias no 'meu' ecoponto. O problema é 'antigo'. A resolução também. Mas sem uma recolha eficaz não há triagem que resista.

Apesar das conquistas recentes temos ainda um longo caminho a percorrer no que à recolha selectiva diz respeito. Bem como, na adesão das populações, no número e no formato dos ecopontos e na qualidade daquilo que é triado. Mas se quem faz a recolha não o faz com a regularidade que se exige - qual o garante do 'resultado final'?! Esta situação é desmobilizadora para quem tria?! Produzimos mais lixo em Agosto?! Há mais funcionários municipais de férias?! As pessoas gostam mais do azul?!

Esta problemática não é exclusiva das entidades oficiais, na medida em que o papel de cada um é fundamental para que o processo resulte. Temos todos de aprender a reduzir, cativar quem não separa o lixo em casa e exigir melhores serviços a quem faz a recolha dos resíduos urbanos.

Por estes dias tenho andado, literalmente, com o papel (e derivados) às costas...

#

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Por estes dias

Fotografia Jorge Góis









O Mundo na sua simplicidade.

#

domingo, 15 de agosto de 2010

Adicionar aos Favoritos

 



















O mundo decadente do dr. Pacheco Pereira
O dr. Pacheco Pereira decidiu fazer na revista Sábado um conjunto de comentários sobre a criação artística contemporânea em Portugal. O teor dos comentários indicava essa obsessão que o político tem por controlar tudo o que aparece no espaço público e revelava nos mesmos comentários que o seu mundo de referências culturais para a arte é um mundo decadente. O dr. Pacheco Pereira, que é o político que mais espaço ocupa na comunicação social, tem um desejo incontido de querer arregimentar o país. O dr. Pacheco Pereira quer arregimentar a relação dos jornalistas com os políticos (lembramo-nos todos do triste episódio quando, enquanto líder da bancada do PSD, quis impor normas de acesso dos jornalistas aos deputados da AR), quer impor quais são os bons e os maus jornais, quer decidir quais as boas e as más notícias. No programa que tem na SIC, supostamente sobre comunicação social, é constrangedor ouvir o elevado número de lugares- comuns que profere sobre jornalismo, sem apresentar qualquer fundamentação teórica, quer dos cânones das ciências da comunicação, quer das teorias mais recentes sobre comunicação em espaço público. Muito recentemente, o dr. Pacheco Pereira achou que também tinha algo a dizer sobre como arregimentar as artes em Portugal, em particular sobre todas as actividades artísticas que não conhece. E porquê? Porque se considera a si próprio um legislador de poéticas possíveis e autor de expressões que acha que são de um enorme contributo para a vida intelectual portuguesa, como esse exemplo de uma finura invulgar que é a palavra "culturalês", que ele criou para aplicar à linguagem utilizada por artistas. E vai daí, e do lugar da sua decadência cultural, tratar de opinar sobre o discurso das artes performativas em Portugal.

Ao comentar como comentou um conjunto de grupos e de espectáculos o dr. Pacheco Pereira demonstrou o desconhecimento que manifesta em tudo o que diz respeito à cultura e à arte contemporâneas. Pese embora não ver os espectáculos sobre cujos anúncios e o conteúdo se pronuncia, e pese embora, como o afirmou, ver filmes em casa, em DVD, do mesmo modo que alguém pode dizer que viu a Gioconda num calendário, o dr. Pacheco desta vez decidiu investir contra os artistas portugueses, porque não entende como estes possam ser subsidiados pelo Estado e pelos contribuintes, quando ele acha ridícula a linguagem por estes utilizada. O dr. Pacheco Pereira, que parece desconhecer que nos países da União Europeia, no Canadá e nos EUA a maioria das actividades produtivas são subsidiadas das mais diversas formas: da agricultura à investigação científica. É um defensor dos mercados, desde que estes se comportem conforme ao seu mundo próprio, mas de facto nada sabe do mercado das artes, nem de subsídios como estratégias possíveis de criação na formação, nem de outras formas de investimento na criação de massa crítica. No seu mundo decadente os artistas e as personagens históricas nascem já como génios ou como personagens históricas, não experimentam, não falham, não erram, não persistem. A ignorância do dr. Pacheco Pereira é grande no que diz respeito às artes contemporâneas e à evolução que as suas múltiplas formas têm tomado desde as vanguardas da década de 1970. E por isso estranha que se conceba e realize um espectáculo para cinco pessoas. Há espectáculos para cinco, para um, para dez ou para centenas de espectadores e não é pela quantidade de público que se determina a sua qualidade, nem tão-pouco há uma relação directa entre custo e qualidade. O dr. Pacheco Pereira deveria saber que a arte exige um pensamento sofisticado e que, a pronunciar-se sobre ela, deveria ter estudado, visto, investigado. Talvez, se tivesse lido alguns textos de Hal Foster, Didier-Huberman, Jacques Rancière, Giorgio Agamben, Penny Phelan, Susan Foster, Homi K. Bhabha, André Lepecki, ou mesmo alguns de autores mais antigos, como algumas páginas de Crítica da Faculdade de Julgar, de Kant, no que diz respeito à autonomia da arte ou Organon de Brecht no que diz respeito aos heróis demasiado humanos, não tivesse proferido tão soberbas opiniões. Afinal, toda avaliação do dr. Pacheco Pereira sobre os artistas que fazem arte contemporânea baseia-se em provas, em argumentação? Não, é apenas a sua opinião.

Quero com isto dizer que todos os artistas portugueses são bons e o que fazem é excelente? Não. Há alguns muito pouco interessantes e há obras que muitas vezes nos levam a lamentar o tempo passado a contemplá-las. Mas o contrário também é verdadeiro e bastante mais frequente: há artistas contemporâneos em Portugal a criar obras fantásticas, que alargam o mundo, que alargam a nossa percepção do mundo e nos transformam. E tal como na investigação em todos os ramos das ciências, na criação artística existem falhas, cometem-se erros e há tempo perdido, mas isso faz parte da natureza da produção contemporânea.

Este tipo de artigos, como o do dr. Pacheco Pereira, não é inocente. Antes prepara e condiciona a opinião pública, que já muito facilmente considera como desperdício os subsídios concedidos aos artistas, apresentando-os como portadores de uma linguagem cifrada, inspirando-se e criando sobre coisas materiais do quotidiano e não bélicas, que é o que entusiasma o dr. Pacheco Pereira
. Mais uma vez, um pouco de estudo sobre a história da arte e ele perceberia que os quartos do hotel e o quotidiano de que falava o performer são matéria de trabalho artístico numa história que pode ser encontrada tanto em Bizâncio como nos infortúnios no cinema de Apiachtpong. Este tipo de artigos feitos a partir, de facto, de um lugar decadente, de um lugar sem esperança, são na sua falsa cautela com o erário público de uma enorme perversidade, pois servem de pretexto para retirar os subsídios aos artistas, porque supostamente o que estes produzem fica aquém dos mínimos. Será que o dr. Pacheco Pereira já se questionou se o que ganha, tal como os seus colegas deputados, e que representa duas vezes e meia mais do salário de um artista português das artes performativas a recibos verdes, pode parecer-nos excessivo, dado que aquilo que vemos produzir por si e pela grande maioria dos seus colegas nos parece ser absolutamente irrisório? Ao que nos é dado ver de fora da AR através dos jornais e da TV, porque havemos de continuar a subsidiar os senhores deputados que produzem pouco, que têm uma linguagem pobre, maioritariamente desprovidos de qualquer criatividade política? Não, não estamos já a diabolizar os políticos-deputados. Seria de uma enorme leviandade, pese embora que nos daria algum prazer imaginar que numa legislatura, apenas numa, como experiência, o orçamento da Assembleia da República fosse trocado pelo do Teatro S. Carlos e vice-versa.

Um dos problemas dos artistas portugueses é o de muitas vezes não saberem comunicar. Sim, deveriam saber escrever bom português como todos os cidadãos, mas não é isso que se espera deles: espera-se mais, espera-se que sejam capazes de transmitir a singularidade da sua obra, e para isso há especialistas que o fazem e bem mas... custa dinheiro. E portanto são eles que o fazem; mal sim, e às vezes com uma dose de ligeireza que não é correcta, mas que deriva da enorme instabilidade financeira em que vivem na maioria dos casos. Mas imaginemos que o dr. Pacheco Pereira, nas suas aulas de história política, queria explicar o Lago dos Cisnes aos seus estudantes. Se tem recursos financeiros para isso contrata uma companhia de ballet para que os estudantes possam ver a obra a que se refere. Se não tem tais recursos, será ele próprio a interpretar o papel do Príncipe Sigfried e a ter de executar os vários entrechats, pirouettes, grands jetés à frente dos seus estudantes. Não me parece que a solução fosse mais feliz e mais convincente que a prosa do Miguel Bonneville sobre a sua performance [na foto] e que foi o alvo da grande crítica e indignação do historiador.

Não vivera o dr. Pacheco Pereira no seu mundo decadente e politicamente autocentrado e deveria admitir a sua enorme ignorância em muitas matérias, e em arte em especial, e então talvez começar por estudar, ler e voltar a estudar e depois ver espectáculos, e cinema, e ouvir música numa sala de concertos, e gostar ou desgostar, entusiasmar-se ou angustiar-se, emocionar-se, se ainda for capaz, e admitir a estranheza ou exaltar-se com a beleza que pode emergir no mundo de hoje, e então pronunciar-se. De outro modo tudo não passará de uma visão decadente sobre o mundo, revelando uma obscenidade preconceituosa contra a produção artística contemporânea
.

Os bolds são meus... O artigo?! Sublinho-o na íntegra.

* António Pinto Ribeiro, Ensaísta e programador cultural
** Publicado na edição de 13 Ago'10 do Público

#

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nas Flores

Fotografia Mário Nelson Medeiros









O Governo anunciou que vai avançar com o plano de ordenamento das bacias hidrográficas das lagoas: Branca, Negra, Funda, Comprida, Rasa, Lomba e Patos.

Mais um importante instrumento de salvaguarda ambiental que se exige e impõe.


#

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sei o que Fizeste no Verão Passado



O país 'arde'.
E o PR?! Nem "vê-lo". Esperem...
Afinal interrompeu...as férias.
Mas não falou à nação.
Ainda.
Aguardemos...pois, serenamente ou nem tanto.

#