segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A alternativa de César


Afinal, há alternativas e Carlos César provou-o. O presidente do Governo Regional dos Açores mostrou como é possível encontrar soluções para a crise económica que não passam exclusivamente pelo sacrifício das pessoas e do seu nível de vida. Como é possível encontrar saídas sem que isso ponha em causa os pressupostos políticos e ideológicos que devem mover a esquerda. Como é possível fazer um Orçamento mais parco sem pôr em causa os princípios ético-políticos que devem mover os partidos socialistas, nomeadamente o princípio de que primeiro está o bem-estar das pessoas e o respeito pela dignidade humana.

Pelos vistos, não doeu muito. Apenas foi preciso decidir que o Orçamento do Estado regional açoriano desviava parcialmente verbas do subsídio de seis milhões de euros que ia dar para a construção de dois estádios de futebol privados.

É claro que a atitude corajosa de Carlos César irritou os agentes políticos que têm subscrito a defesa e a prática de orientações político-ideológicas de desconstrução do Estado social, que se inspiram nas teses neoliberais de que a solução do que se convencionou chamar “crise” passa pela diminuição da redistribuição social da riqueza e pela diminuição do nível de vida e dos direitos sociais e laborais da generalidade das populações. Isto, baixando os recursos do Estado social e quebrando o espírito de solidariedade social e intergeracional anónima e colectiva – ao aliviar a carga fiscal sobre as empresas e diminuindo os chamados “custos do trabalho”. E satisfazendo assim os chamados “mercados”, ou seja, a liberdade de mercado e de acção negocial e de conquista de lucros financeiros pelos accionistas (proprietários) das empresas financeiras e de especulação. Tudo, obedecendo ao pressuposto de que só assim se cria riqueza e emprego – um princípio que, aliás, está por demonstrar em Portugal e de que a actual crise é a prova em contrário.

Assim, quando um líder político com autonomia de pensamento e de acção diz não e afirma que há alternativas à imposição de soluções que penalizam as pessoas, saltam para a praça pública os principais agentes da defesa dos interesses dos chamados “mercados”. E isso foi visível quer ao nível do mainstream do que é a opinião publicada, com Vítor Bento e Vital Moreira na primeira fila, quer ao nível do poder institucional, com o Presidente da República, Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, José Sócrates – é interessante constatar como Cavaco e Sócrates nunca divergem a fundo nas questões sócio-económicas e como o Presidente, tão interventivo que foi com os seus 13 vetos a diplomas da Assembleia, nunca vetou nenhum que incidisse nas áreas sócio-económicas.

É interessante também perceber o argumentário utilizado por todos os que vieram a terreiro apedrejar Carlos César. É que raia o absurdo, pois ultrapassa o ridículo, vir advogar a inconstitucionalidade da medida. Isto, quando a autonomia governativa e a reserva de soberania das regiões dos Açores e da Madeira e discriminação positiva da insularidade têm décadas em Portugal e são uma conquista do 25 de Abril, consagrada na Constituição de 1976 e que tem sido, aliás, sempre fortalecida a cada revisão, sendo até uma bandeira histórica do PSD.

O ridículo deste estranho coro de casandras aumenta ainda quando se percebe que a sua crítica a César se baseia no argumento de que esta decisão do chefe do governo regional terá posto em causa o princípio constitucional da igualdade. Mas essa desigualdade assumida para benefi ciar os que são discriminados e menos têm não é já praticada pela lei que prevê a atribuição de suplementos salariais compensadores da insularidade, que existe desde os anos 80? Lei que foi de novo regulamentada em 1996, sem que ninguém tivesse, até hoje, levantado a questão da constitucionalidade desta discriminação positiva. Mais duas perguntas: o princípio da igualdade não foi posto em causa ao cortar-se os salários só de alguns trabalhadores: os que ganham acima de determinada verba e trabalham para o Estado? Então, de acordo com esses critérios igualitários, o corte de salários pode deixar de fora as empresas privadas?

O que está de facto em causa é uma questão de ordem puramente político-ideológica que passa por saber que tipo de opções deve o poder político democrático tomar e se os objectivos do projecto político-partidário que os governantes defendem e praticam tem como fim servir as pessoas ou servir os chamados “mercados”. Até porque, convenhamos, neste caso dos Açores o que está em cima da mesa são valores ridículos, em termos do que é a despesa pública açoriana. Falamos de uma verba de três milhões de euros, que representam 0,22 por cento do Orçamento açoriano e que irá contemplar 3700 funcionários, que são os que menos ganham dos que são prejudicados nos seus vencimentos pela decisão do Governo central de cortar salários. A par desta decisão, o Governo de Carlos César decidiu complementar os subsídios de abono de família e abono social de idosos.

Daí que seja cristalina a percepção de que o que tanto irritou os representantes do consenso neoliberal do poder em Portugal foi, precisamente, a afronta à inevitabilidade neoliberal de retirar poder de compra e direitos sociais e laborais às pessoas que esta decisão de Carlos César representa. Assim como é também cristalino que o líder socialista dos Açores mostrou como nada é inelutável e como em política há sempre opções diversas e escolhas que são feitas de acordo com critérios estabelecidos e identificáveis no seu enquadramento ideológico. A questão não é senão um problema político e de coragem, característica central num líder político, a par da autonomia e da capacidade de acção e da assunção clara de quais os motivos político-ideológicos que o movem.

Carlos César mostrou que tem fibra de líder e que tem futuro político. Um dia, quando o actual PS implodir – por força da acção da influência neoliberal que é incompatível com a sua origem –, nas ruínas pós-Sócrates esta atitude de Carlos César será uma referência marcante de como se pode continuar a ser socialista democrático, como se chamavam a si mesmos os fundadores do partido, ou seja, social-democrata. Além de servir os açorianos, César marcou um lugar no futuro.

São José Almeida
Jornalista

in Público de 11 Dez'10

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domingo, 12 de dezembro de 2010

Foi bonita a festa



A inauguração de um empreendimento que aponta os caminhos a trilhar, na reconversão do discurso museológico da Rede Regional de Museus, e do qual os Açores se podem e devem orgulhar.

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sábado, 11 de dezembro de 2010

Entrevistas de Carlos César

Leitura obrigatória - das edições de hoje do jornal i e do Expresso - para quem continua a olhar os Açores com distância.

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sem comentários



O Presidente que nada comenta ou diz nada poder comentar, não se inibe em fazê-lo quando se trata dos Açores. O que não deixa de ser curioso, em particular, quando o faz não estando em território nacional.

É uma posição, no mínimo e para não dizer outra coisa, transparente.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Solidariedade

Fotografia Luísa Madruga, Flores, Dez'10





















À distância, da ilha e do dilúvio, pouco mais há a fazer do que uma palavra de estímulo a todos quantos estão no terreno a tentar repor a 'normalidade' à freguesia da Fajãzinha, na ilha das Flores.

Dados para donativos_  
Junta Freguesia Fajãzinha
Banif NIB 003800005071886530109  
IBAN PT50003800005071886530109  
Nº CONTA 00050718865/30/10
@ Solidários com a Fajãzinha

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

«(...) As autonomias regionais são uma das mais felizes realizações do Portugal democrático. É essencial aprofundar o diálogo com as Regiões Autónomas, reconhecer as suas especificidades, manter a solidariedade que lhes é devida e respeitar a sua autonomia. (...)»
Autor identificado.

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cultura, não é ‘gasto’ é Investimento



As análises feitas à Cultura e à indústria que a suporta enfermam, frequentemente, de algumas leituras superficiais que devem ser esclarecidas. Apesar da tendência crescente em tornar o produto cultural num bem rentável, há que salvaguardar que, na essência do gesto artístico estão pressupostos que o tornam, não todo, mas quase, num produto não 'reprodutível' e não 'massificável', cujo custo de investimento não pode ser rentabilizado por uma qualquer 'cadeia de valor' (in José Luis Ferreira, p. 115, Quatro Ensaios à Boca de Cena, Cotovia, 2009).

Importa distinguir o que é a actividade das chamadas indústrias criativas e aquilo que é a actividade artística, propriamente dita.

Há inúmeras actividades onde não é possível adaptar uma economia de escala. E esta condição passa a ter uma relevância, ainda maior, quando nos centramos em países e em regiões, como os nossos, com uma dimensão reduzida e com um número reduzido de utilizadores da coisa cultural.

O objectivo que alicerça o investimento cultural deve ter em conta, necessariamente, a 'obtenção de riqueza através de um bem-estar civilizacional'.

A Cultura deve ser encarada como um investimento social e como um instrumento de desenvolvimento, na medida em que “nem tudo o que conta é mensurável, nem tudo o que é mensurável conta”, nas palavras, mais que insuspeitas, de Albert Einstein.

O Governo dos Açores prossegue a missão de dotar todas as ilhas com infra-estruturas capazes de realizar e acolher espectáculos e eventos de índole diversa.

Nem todas têm as mesmas valências, pois há que acautelar as diferenças que existem em cada realidade de ilha. Fazê-lo, para além de utópico, seria querer replicar o mesmo por todos, o que na sua essência é justificável, mas impraticável. Não é, nem pode ser assim. Ninguém pode ser prejudicado pelo local onde fixou residência, mas não devemos cair na tentação de sustentar populismos e visões irrealistas. Mais do que edificar será conveniente, no acto da sua concepção, prever a gestão futura, quer em termos de recursos financeiros, quer humanos, não excluindo, como é óbvio, a sua componente programática.

A rentabilização far-se-á, se forem criadas condições para que ela se concretize.

As dificuldades geradas pelas medidas de austeridade e de contenção orçamental, do país e da região, não têm afectado, significativamente, os objectivos elencados para esta legislatura, na medida em que estes têm vindo a ser escrupulosamente cumpridos, alguns redefinidos, outros estão à mercê das contingências que advêm da tramitação legal em vigor.

Não obstante quaisquer obstáculos que possam surgir no decurso da concretização de um determinado projecto, mantém-se inalterado o carácter prioritário que este Governo atribui ao sector Cultural.

Mesmo e apesar das dificuldades emergentes «(...) tal não significa que a oportunidade, a pertinência e a legitimação da intervenção do Estado nas artes e cultura seja posta em causa. Antes pelo contrário, cada vez mais se comprova que gastos em cultura não são gastos - são investimento, é criação de emprego, é qualificação dos cidadãos, é desenvolvimento, no melhor sentido que a palavra contém».

Palavras de estímulo e confiança proferidas pela actual Ministra da Cultura, num colóquio decorrido em Setembro passado, e que aqui se aplicam ipsis verbis à acção do Governo Regional do Partido Socialista na Região Autónoma dos Açores.

O Plano e Orçamento para 2011, em particular, no Programa que à Cultura diz respeito, é um plano de confiança, demonstra ambição e revela o imenso trabalho em curso, de quem acredita no crescimento e na importância que a Cultura desempenha no desenvolvimento presente/futuro dos Açores.

Alexandre Pascoal
Novembro 2010


* Adaptação da intervenção efectuada a 23 de Nov’10 na ALRAA
** Publicado na edição de 02 Dez'10 do Açoriano Oriental

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Satisfaz 2x



A resposta, na 'dose' certa, ao ruído + o comunicado do Secretariado Regional do PS/A.

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sábado, 4 de dezembro de 2010

FdS

Fotografia Filipe Franco















Vou andar por aqui...

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cooperação estratégica



O acordo agora firmado permitirá solucionar 3 pendentes:

- O retomar da dinamização da «Morada da Escrita» para a função que foi, inicialmente, gizada;

- Simultaneamente, dotar o Instituto Cultural de Ponta Delgada de uma sede condigna para as suas actividades sociais, na medida em que antes não dispunha do local apropriado para as realizar;

- A 'libertação' de um espaço fundamental, no Convento de Sto. André, para a obra de reconversão museológica do núcleo sede do Museu Carlos Machado. Um processo que em breve se iniciará.

Esta é, sem qualquer dúvida, uma boa medida para todas as partes (Governo/Instituto/Público).

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cultura, o Plano e Orçamento para 2011

Sta. Cruz da Graciosa, Ago'10

















O Plano e Orçamento para 2011 reforça o empenho da Região na defesa do Património e das Actividades Culturais.

O investimento assenta nos múltiplos projectos em curso, sem descurar o apoio à actividade regular dos agentes culturais regionais nas diferentes áreas de acção, sejam de vertente tradicional ou contemporânea.

Exemplo disso é o apoio atribuído às Bandas Filarmónicas, que constituiu, em 2010, cerca de 34% do valor dispendido pela Direcção Regional da Cultura à acção 4.1.8, relativa às Actividades de Relevante Interesse Cultural. Este valor é demonstrativo da importância da actividade desenvolvida por estas colectividades junto do tecido social da Região.

O valor não será suficiente, dirão. Não é certamente, nem nunca o será, pois a insatisfação criativa é, em qualquer actividade, uma constante. Não obstante, a acção programada reflecte a estratégia delineada para esta legislatura: a de dotar o arquipélago de equipamentos modernos e com capacidade para acolher diferentes tipos de espectáculos e eventos. Esta acção deriva, essencialmente, da capitalização directa dos fundos comunitários disponíveis para o efeito, e que, neste caso, estão abrangidos pelo Programa Pro-Convergência, que consagra um máximo de 85% de comparticipação comunitária ao investimento previsto.

Para o próximo ano, estão afectos quase 23 milhões de euros no Plano para a Cultura. Apesar dos constrangimentos, que todos conhecemos, há um ligeiro aumento do investimento em 2011, em comparação com o ano anterior, de cerca de 1.1%. Este valor não é muito significativo, é certo, mas é revelador da importância estratégica que o sector representa para o Governo. Esta posição sai ainda mais reforçada, tendo em linha de conta os tempos de austeridade com que, actualmente, somos confrontados. E não deixa de ser simbólico o investimento a concretizar, que, para além do aspecto formativo, é, sobretudo, reprodutivo, quer pela criação de empregos qualificados, quer pela acção complementar na área da animação turística e, consequentemente, na dinamização da economia local.

No âmbito do programa - Defesa e Valorização do Património Arquitectónico e Cultural, o destaque em 2011 vai para: a conclusão da nova Biblioteca Pública de Angra do Heroísmo; o arranque, no decorrer do 1º trimestre, da obra do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, situado na cidade da Ribeira Grande; a conclusão do Espaço Cultural Multiusos do Corvo, a Temporada Musical, e a prossecução das Comemorações do Centenário da República, que culminarão com a inauguração da Casa Manuel de Arriaga, na cidade da Horta.

De igual modo, realça-se, ainda em 2010, a conclusão das obras do Museu da Graciosa, a inaugurar até final do ano, e a conclusão da intervenção de conservação da cobertura do Convento de São Boaventura - Museu das Flores.

Quanto à - Dinamização de Actividades Culturais, o Governo dos Açores mantém, em 2011, os incentivos à formação, à criatividade, à fruição e à itinerância, com o intuito de fomentar uma programação de âmbito regional, bem como, a continuada promoção ‘fora de portas’ dos criadores da Região, consubstanciando, por esta acção, as palavras do Presidente do Governo quando este afirma que «(…) compete (ao Governo) contribuir para a ocorrência de condições para que os nossos criadores possam concretizar as suas propostas estéticas», obviando, deste modo, os constrangimentos geográficos que nos rodeiam. E acentuando o facto da “criação cultural e artística ser universal”, pelo que a distância e o isolamento podem, no caso dos Açores, ser superados.

A este nível, saliente-se a Exposição de Arte Contemporânea na Galeria do Rei D. Luís I, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, a decorrer entre Outubro de 2011 e Janeiro de 2012, e o início do ‘acolhimento recíproco’ entre a Fundação Medeiros e Almeida e a Direcção Regional da Cultura, dando seguimento ao protocolo assinado, em Abril de 2010, entre ambas as entidades.

Alexandre Pascoal
Novembro 2010


* Adaptação da intervenção efectuada a 23 de Nov’10 na ALRAA
** Publicado na edição de 30 Nov'10 do Açoriano Oriental

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Foi ontem mas não deixa de ser actual







































Ainda e sobre os 75 anos da morte de Fernando Pessoa - uma descoberta de todos os dias.

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sábado, 27 de novembro de 2010

Tea Break's


Melhor do que as pausas são os regressos...

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

KO

Esta madrugada, durante as votações na especialidade do Plano Anual Regional para 2011, o PSD/A 'caiu do palco'. E nunca mais se levantou...

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

«Gastos em Cultura são investimento e desenvolvimento»














Nota de imprensa sobre a intervenção de tribuna dedicada à Cultura, no âmbito da sessão plenária relativa ao Plano e Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2011.

* A intervenção na sua versão integral em Pdf.

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Diário das Sessões

Na Horta, e apesar da Greve Geral, os trabalhos decorrem com a normalidade desejada.

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Diz que é uma espécie de...


 Antolhos.

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domingo, 21 de novembro de 2010

História



Um autor que sigo e que não tem dúvidas em afirmar que "a Europa não é uma prioridade para a América".

A 'produtividade', destes últimos dias, diz-me que chegou a hora de recolocar em agenda a leitura que tem sido consecutivamente adiada.

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sábado, 20 de novembro de 2010

Histórico




















Toda a história aqui.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sustentável



Projectos como o que aqui se noticia - o da produção de Cracas em regime de aquacultura - são exemplo daquilo que se pode e deve desenvolver, no futuro mais que próximo, de modo a tornar sustentável a exploração do Mar que nos rodeia.

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Streets of Your Town

Rua José Maria Raposo Amaral, Ponta Delgada, Nov'10

















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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Excelência

Fotografia Fernando Guerra






















Nos Açores, nos últimos anos, temos assistido à promoção de Projectos de Arquitectura de qualidade aliados a projectos no âmbito da educação e da sensibilização ambiental.

Esta prática é motivo de satisfação e deve constituir-se como um bom exemplo de investimento público reprodutivo.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Partilho

À luz das contas *

A maioria das autarquias do país e Região vai manter as iluminações de Natal, mas com cortes substanciais nos valores destinados a isso; muitas reduzirão o período de duração e os locais a ornamentar. Outras, pura e simplesmente, não iluminarão as ruas.

Em Coimbra, por exemplo, onde a iluminação de Natal custará 100 mil euros (como no Porto), as luzes acender-se-ão uma semana mais tarde que o habitual para poupar energia. Em Albufeira e Faro, as luzes vão custar 70 mil euros; em Bragança, 50 mil euros; em Santarém, 30 mil euros e em Vila Nova de Gaia, 20 mil euros, por exemplo.

Na nossa cidade de Ponta Delgada não há vestígios de cortes. As luzes vão manter-se acesas e vamos pagar 400 mil euros pelos anjos e pelas bolas e pelas prendas. A discrepância do que pagamos e do que paga uma cidade como o Porto, por exemplo, é intrigante, senão mesmo incrível! Ora bem e, por falar em intrigante e incrível, lembre-se a notícia que marcou a semana passada: o relatório da auditoria feita pelo Tribunal de Contas à empresa municipal "Acção PDL".

Com este documento ficámos a saber, coisas que a nossa memória não deixa apagar, que serão, agora novas, mas sempre repetidas, mudando apenas, aqui e ali, alguns dos e das protagonistas.

Ora, ficámos então a saber, dizia eu, que os estatutos da "Acção PDL" não estão em conformidade com a lei, porque atribuem à Câmara Municipal competências que são da Assembleia Municipal.

Ficámos a saber, também, que os estatutos da empresa municipal não estão de acordo com a lei, porque prevêem que sejam concedidos empréstimos pela autarquia à empresa.

E, ainda, ficámos a saber, agora, que os ordenados dos membros do conselho de administração não foram aprovados pela Assembleia Municipal, como deviam ter sido, assim como ficámos a saber que os funcionários da empresa, afinal, trabalham é na Câmara Municipal...

Mas ainda há mais, a auditoria do Tribunal de Contas a uma empresa da autarquia que se diz campeã do apoio às famílias carenciadas e às pessoas com dificuldades financeiras também revelou outros dados interessantes: por exemplo, que foi possível trocar a construção de um pavilhão e de uma piscina para todos os munícipes por um Driving Range para a prática do Golfe e por um Club House só para alguns.

Assim como foi possível descobrir que apesar de serem obras de dimensão bem mais reduzida, não só o seu preço se manteve igual, como ainda foi necessário mais dinheiro para concretizá-las. Se dúvidas ainda havia, a gestão da empresa "Acção PDL" demonstra bem a incoerência política existente entre o que é dito pela líder do PSD/Açores e o que é feito pela Presidente da Câmara de Ponta Delgada...

* Mariana Matos in AO de 09 Nov'11

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cruzes há muitas






















A nossa é outra + outra...

* Rabiscos Vieira @ Arrastão

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domingo, 7 de novembro de 2010

O Mar dos Açores

© Birgitta Mück















A riqueza do Mar que nos rodeia é um complemento e um viveiro natural para a actividade marítimo-turística.

Nessa medida, como em outras, devemos pugnar pela sua salvaguarda.

Os exemplares que aqui se mostram são disso um bom exemplo.

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sábado, 6 de novembro de 2010

A ler

Auditoria à Acção PDL – Empresa Municipal de Urbanização, Requalificação Urbana e Ambiental e Habitação Social, EM.

E a destacar das Conclusões:
«(...) O projecto do Parque Urbano efectivamente implementado apresenta profundas alterações relativamente à sua versão inicial, pois em vez do pavilhão multiusos e do complexo de piscinas foram construídos um Driving Range e um Club-House, mantendo-se, contudo, a estimativa inicial para o custo total do investimento, na ordem dos € 15 000 000,00 (...)».
 ...

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Convite

No âmbito do programa comemorativo do Centenário da República, a Presidência do Governo Regional dos Açores, através da Direcção Regional da Cultura, irá promover um conjunto de conferências temáticas sobre a República que decorrerá de Novembro do corrente ano a Outubro do próximo.

A conferência inaugural será proferida pelo Professor Doutor António Reis, subordinada ao tema “República - Mudança histórica e papel central de Teófilo Braga e Manuel de Arriaga”.

A conferência acontece hoje, 4ª feira, pelas 21h00, no Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada.

Nesta ocasião serão publicamente apresentados os retratos de Teófilo Braga e de Manuel de Arriaga concebidos por Tomaz Borba Vieira, um nome incontornável no sector criativo do arquipélago.

A entrada é livre.

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Apoio Social

Foram ontem anunciadas um conjunto de medidas que visam amenizar, nos Açores, os efeitos das medidas de austeridade impostas pelo OE/2011.

Destaque obrigatório para a criação da Remuneração Compensatória, que introduz um regime de compensação integral, durante 2011, pela perda de vencimento dos funcionários públicos que auferiam uma remuneração mensal ilíquida entre 1500 e 2000 euros. Esta medida abrange um universo de, aproximadamente, 3.700 funcionários públicos açorianos.

Outro destaque é a criação de um Fundo de Compensação Social, dotado inicialmente de 7 milhões de euros, que servirá para situações de emergência, casos de pobreza e de desprotecção súbita.

Neste conjunto de medidas saliento, igualmente, a suspensão do aumento dos pagamentos em creches, amas, jardins-de-infância e ATLs, como forma de responder aos constrangimentos anunciados pelo Governo da República e que atingem, em larga medida, as famílias.

Estas medidas reforçam o enfoque, do Governo Regional dos Açores, no Apoio Social e nas empresas. A proposta do Plano e Orçamento da RAA para 2011, apresentada hoje, é prova disso.

No entanto, há quem as saiba denegrir para outras apresentar, como forma de garantir 'tempo de antena' no espaço público. A somar à falta de ideias transparece uma espécie de plágio encapotado. Mas deve ser impressão minha. O vazio e a maledicência grassam.

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

10.000

Por estes dias o blogue ultrapassou as 10.000 visitas (e as 15.000 page views). Não ando ao sabor das audiências mas é bom saber que não sozinho e que andam por aí...

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domingo, 31 de outubro de 2010

Espelho meu, espelho meu...

«Passos vai ser primeiro-ministro só não sabe é quando»
A tentação para a analogia, local e regional, é grande.
Mas não o faço.
Ainda...

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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

'Danças Ocultas'





















O Pedro é, nem sempre mas quase, demasiado assertivo. Espero, no entanto, que nesta dança não acabem sozinhos...

* Crónica publicada na edição de 23 Out'10 @ Expresso
** Outras crónicas de PAS

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Obrigado!

O destaque ao X no 3º aniversário do In Concreto. O blogue exigia mais do que aquilo que lhe dou. De qualquer modo, agradeço o olhar de quem me segue...

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Arranca hoje





















O programa completo aqui.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

1 ano








Para sinalizar um ano sobre o início do mandato do XVIII Governo Constitucional, o Ministério da Cultura inaugurou, hoje, um novo sítio - o Blogue da Cultura. De modo, e segundo as palavras da Ministra, a «(...) criar veículos de informação alternativos, sem intermediários, onde os assuntos da cultura e das políticas em curso no MC sejam colocadas em discurso directo». E onde, tendo em conta os dias que se avizinham, é imperativo «(...) manter canais de comunicação abertos».

A seguir com atenção e expectativa.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sperm Whale off the coast of the Azores

Fotografia Franco Banfi/Photolibrary © (@ Bing)












A imagem fala por si...

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

(I Can't Get No) Satisfaction


Este é e tem sido o modus operandi do maior partido da oposição que agora, e perante a publicação das alterações de serviço público de transporte aéreo entre os Açores e o Continente, diz que o mesmo não o satisfaz.

Os argumentos, tal como os 'provérbios', estão-se a acabar.

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domingo, 24 de outubro de 2010

Sinais de outros tempos

Fotografia António Barreto * Ilha de São Miguel (há + de 20 anos)

O 'nosso' Mundo mudou.
quem não tenha dado por isso...

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sábado, 23 de outubro de 2010

Imperdível!

















No âmbito da Temporada de Música dos Açores, a Companhia Olga Roriz, apresenta esta noite, no Teatro Micaelense, as coreografias Electra + A Sagração da Primavera.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Desleixo ou abandono?!

Rua de Lisboa, Ponta Delgada, Set'10
















A Rua de Lisboa é a principal porta de entrada, pelo lado poente, da cidade de Ponta Delgada.

No entanto, a degradação a que tem sido sujeita, no decorrer dos últimos anos, está à vista de todos e/ou daqueles que a querem ver.

Para quem lá vive e tem de conviver com: Noites de Verão, afterhours no Coliseu Micaelense, parca iluminação pública, estacionamento selvagem e diversos atropelos automobilísticos, é tempo de implementar medidas de controlo "físico da velocidade", e outros, nomeadamente: lombas de abrandamento, semáforos e melhor iluminação, de modo que seja preservada e reintroduzida a qualidade de vida aos residentes e aos turistas que a frequentam.

Está na altura de alterar este 'estado de coisas'.

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Boas notícias

Tarifas promocionais abaixo dos 100 euros com luz verde de Bruxelas
Nos termos legais, estas alterações entram em vigor 60 dias depois da sua publicação no Jornal Oficial das Comunidades Europeias, o que significa que as tarifas promocionais inferiores a € 100, nas ligações entre os Açores e o continente, devem estar disponíveis, ainda, durante o mês de Dezembro.

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

«Cumplicidade e oportunismo» *

Já toda a gente pediu a Pedro Passos Coelho que desista da ideia perigosa e aberrante de rejeitar o Orçamento. Do dr. Durão Barroso até (anteontem) um grupo de banqueiros com Ricardo Salgado e Artur Santos Silva à frente. Mas no meio deste espectáculo o Presidente da República brilha pela sua ausência. É verdade que de quando em quando deixa cair uma frase prudente e sibilina, que entusiasma muito a televisão e os jornais. Não devia entusiasmar ninguém, porque o Presidente da República não está a cumprir a sua obrigação mais básica: prevenir solenemente o país de que a atitude de Passos Coelho (e a correspondente fita, que já dura há mais de seis semanas) prejudica o futuro dos portugueses. O silêncio de Cavaco é um acto grave de cumplicidade e de oportunismo.

É um acto de cumplicidade, porque manifestamente encoraja um desvario, que nos vai trazer mais miséria e pobreza; e também porque ajuda Passos Coelho a conseguir que o partido aceite sem tugir nem mugir a sua extravagância e a sua inacreditável estupidez. Nunca o Presidente deveria dar o seu consentimento tácito a um exercício de irresponsabilidade, que põe em risco a vida já difícil da maioria da população e o próprio prestígio da República. E, em segundo lugar, o silêncio de Cavaco é um acto de puro oportunismo, porque se destina antes de mais nada a não hostilizar o eleitorado do PSD de que ele precisa para a eleição presidencial. O homem não quer entrar em guerra aberta com Passos Coelho, mesmo para evitar uma catástrofe, para não perder um voto do seu putativo eleitorado, um alto objectivo que a Pátria com certeza lhe agradecerá.

O pior é que esta subtileza de saloia nem sequer o levará a parte alguma. O português comum acha hoje Cavaco responsável pela questão do Orçamento e a sua reserva sem desculpa. As bandeirinhas que, segundo Alegre, ele distribui pela criançada não compensam o gesto de autoridade (e censura) que lhe cabia imperativamente fazer. O que parece muito hábil agora será um peso, provavelmente mortal, em 23 de Janeiro, caso Passos Coelho acabe, como ele promete, por empurrar Portugal para a impotência e o caos político. Se Cavaco se opusesse a tempo às manobras do PSD, valeria a pena um esforço para o repor em Belém. A neutralidade professoral, inteiramente inútil, que ele adoptou não o recomenda para coisa nenhuma e, muito em particular, para Presidente.

* Vasco Pulido Valente, in Público de 15 Out'10

Leitura obrigatória!

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domingo, 17 de outubro de 2010

Clap, clap, clap, clap!

«Carlos César anuncia suspensão dos aumentos em creches, amas, jardins de infância e ATLs»
Uma decisão que (re)introduz justiça social perante as dificuldades impostas às famílias pelos 'cortes' das medidas de austeridade contidas na proposta de OE para 2011.

Mais uma vez o Governo dos Açores demonstra que trabalha "para bem dos açorianos", colocando as pessoas em 1º lugar.

Aplaudo de pé!!!

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sábado, 16 de outubro de 2010

O fim dos 'ismos'?!




















«(...) Was minimalism the last absurd, exhausted spasm of neophilia, the cult of the new that so defined modern taste? Or is it still, and will it remain, the ultimate refinement of aesthetic sensibility: the place we go when we have been everywhere else? The answer to both questions is yes. (...)»
Recomendação de leitura para um sábado de Outono que mais parece de Inverno.

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

À Procura de Escala *

Maqueta Menos é Mais





















A Direcção Regional da Cultura assinou com o Instituto dos Museus e da Conservação, no passado dia 5 de Outubro, um protocolo que visa a realização de uma exposição na Galeria do Rei D. Luís I, no Palácio da Ajuda, entre Outubro de 2011 e Janeiro de 2012, constituída pelo acervo do futuro Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas.

Esta iniciativa constitui prova inequívoca, do interesse e empenho da Região na promoção dos seus criadores, dentro e 'fora de portas'. A concretização deste objectivo é um desígnio do programa do X Governo dos Açores e é, legitimamente, uma das reivindicações maiores da comunidade artística do arquipélago.

As limitações a que está sujeito o 'mercado de arte' nos Açores, associado a um falta de visibilidade e de reconhecimento necessários à evolução, que se impõe, na carreira de quem procura 'crescer', são elementos, mais do que suficientes, para que esta exposição seja reconhecida com uma conquista que visa romper e perspectivar para "fora das fronteiras da Região", o trabalho de quem está confinado à geografias das ilhas.

Mostrar aquilo que por cá se produz é fundamental para quem cria. E por várias razões: pela abrangência com um público alargado e mais exigente; pelo confronto com a crítica especializada ou ainda como introdução a novos mercados. Parte desta problemática reside no facto de, localmente, não existir, salvo raras e valiosas excepções, um trabalho aturado e profissional, no difuso mercado artístico, em torno da promoção dos criadores regionais. Primeiro, porque nem todos os artistas estão representados por uma galeria. Segundo, porque nem todos falam a 'linguagem' que se exige a um meio fortemente concorrencial (ou porque não querem ou porque não têm perfil para isso). Terceiro, porque não existem galerias, em número e com essa 'vocação', no espaço insular.

Não obstante o carácter e o funcionamento do mercado interno, no sector artístico, o que se perspectiva nesta mostra é «(…) um desafio para os Açores se mostrarem e valorizarem no exterior», parafraseando Jorge Bruno, o Director Regional da Cultura.

Mesmo e apesar de uma existência num local (ultra)periférico, longe dos 'centros', é possível estar em sintonia com a contemporaneidade, na medida em que «(…) passámos a estar ligados a todos independentemente do lugar, os recantos mais periféricos estão desencravados, o local está em contacto com o global: a cultura-mundo é a cultura da compressão do tempo e da diminuição do espaço». Mais isso não significa que exista, actualmente, uma 'única' cultura. «(…) Quanto mais o mundo se globaliza, mais particularismos culturais aspiram a afirmar-se nele. Uniformização globalitária e fragmentação cultural caminham a par» (G. Lipovetsky/J. Serroy in A Cultura-Mundo, Ed. 70, 2010). O nosso caso é, neste sentido, paradigmático.

Esta iniciativa marca - de forma simbólica - o arranque das actividades do futuro Centro de Artes Contemporâneas, a ser instalado na antiga Fábrica do Álcool, na cidade da Ribeira Grande, e cujo concurso público, para a empreitada de construção, será lançado até final do mês de Outubro.

Esta mostra incidirá sobre as peças disponíveis na Colecção de Arte Contemporânea da Região, que conta com um núcleo principal composto por cerca de três centenas de peças, cuja aquisição tem vindo a ser traçada ao longo da última década.

A Colecção é composta, essencialmente, por pintura e escultura, na sua maioria de criadores açorianos, mas onde figuram outros artistas nacionais e internacionais. É, nas palavras de Jorge Bruno, «(…) uma colecção representativa dos principais criadores açorianos, mas onde eles se confrontem com os criadores do exterior». Pretende-se que a mesma venha a constituir-se como referência e de visita obrigatória a quem nos visite.

É com base neste confronto de linguagens que podemos ambicionar a construção de um novo Centro, polivalente, que posicione a Região, também, como pólo criador. É uma questão de programarmos à "escala justa".

Neste ponto, parece-me adequado citar Gabriela Canavilhas, a actual Ministra da Cultura, quando escreve que: «(…) A obrigação do Estado, num governo socialista, é garantir a liberdade, a pluralidade, a diversidade, a memória, o passado e o futuro da nossa identidade cultural - património herdado e aquele que queremos legar, em permanente regeneração. Essa é a grandeza e imprescindibilidade da arte (…)» (in Público 17 Set’10).

Há, no entanto, quem receie a "liberdade absoluta que a arte comporta". Para outros, é uma questão de orgulho e de "marca genética".

Alexandre Pascoal, Outubro 2010

* Título de um livro de António Pinto Ribeiro, editado em 2009 pela Cotovia
** Publicado na edição de 14 Out'10 do Açoriano Oriental

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A partir de amanhã

Fotografia Francisco Botelho
















A campanha «VisitAzores com voo incluído», promovida pela Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) e com o apoio da Secretaria Regional da Economia dos Açores, arranca amanhã e decorre entre 15 Out'10 e 31 Mar'11.

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O meu 'ecoponto'

Parque do Peru, Ponta Delgada, Out'10
















Esta situação é mais do que recorrente e passou a ser um mau cartão-de-visita a quem, em sua casa e muitas das vezes sem espaço para o realizar, faz a triagem do seu lixo doméstico.

Não sou daqueles que desmotivam ao primeiro sinal de contrariedade. E não faço da minha prática - o 'exemplo' de todos. Outros há que, perante este cenário, desacreditam do 'processo'.

Temos de reconhecer que é frustrante verificar a 'insuficiência' de quem não cumpre com o estipulado, age de forma irregular e sem a celeridade que este tipo de acções exige. O lixo aqui fotografado permaneceu 'intacto' todo o passado fim-de-semana. Infelizmente, não faltam exemplos destes. Para isso bastará uma simples deambulação pela urbe. Esteve mau tempo?! Esteve. Mas se a recolha fosse atempada, contínua e eficaz, porventura não teríamos a proliferação destes 'aglomerados'.

Para o caso de sermos confrontados com um ecoponto vandalizado ou sobrelotado devemos informar o município pelo nº disponível (800223660), de forma a denunciar a situação e exigir a sua resolução. É nosso dever exigir a quem gere os destinos municipais que faça o que lhe compete.

A proactividade em prol de uma cultura de eficiência e de respeito pelo espaço público é uma tarefa de todos. Como munícipes devemos pugnar quotidianamente pelos nossos deveres/direitos e não apenas quando o 'lixo nos bate à porta'.

* Informação complementar em O Meu Ecoponto

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

A infelicidade de um 'título'





Mulher no corpo da notícia. Prostituta no título. A razão desta categorização, alguém?!

Parece-me uma leitura apressada da sociedade que nos rodeia, e a perpetuação de 'estigmas', por intermédio de uma 'opção editorial'.

Não havia necessidade. Penso eu de que...

* Título da página 5 da edição de 12 Out'10 do Açoriano Oriental

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Concertos pedagógicos









A Orquestra Académica Metropolitana está, a partir de hoje, em digressão pelos Açores.

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domingo, 10 de outubro de 2010

O que diz o Público do Angrajazz'10

Fotografia Público

Jazz Transatlântico
No primeiro dia, cumprindo a tradição, apresentou-se a Orquestra Angrajazz, desta vez com a participação especial do trombonista Luís Cunha. Dirigida, como habitual, por Claus Nymark e Pedro Moreira, a orquestra, integrada por jovens músicos residentes na Terceira, interpretou um repertório dedicado essencialmente à obra de Wayne Shorter.
Com alguma desenvoltura instrumental e boas intervenções por parte de Nymark (trombone) e Moreira (saxofone), destacou-se sobretudo a excepcional clareza e foco do trombone de Luís Cunha, a quem falta apenas um pouco mais de arrojo nas improvisações. Estranhou-se o facto de não ter acontecido uma única intervenção solista por parte dos músicos locais, factor que vem subverter toda a lógica que presidiu à criação da orquestra.


Actuou de seguida a Mingus Dinasty, banda que se dedica, há anos, a divulgar e interpretar o repertório do contrabaixista e compositor Charles Mingus. Formada por Wayne Escoffery ("sax"-tenor), Abraham Burton ("sax"-tenor), Alex Sipiagin (trompete), Frank "Ku-umba" Lacy (voz, trombone), Boris Kozlov (contrabaixo), Kenny Drew Jr (piano), e Donald Edwards (bateria), destilou um hard-bop extremamente eficaz, em que se destacaram as improvisações de Burton, contidas mas com enorme direcção, Lacy, brilhante no trombone mas um pouco excessivo nas intervenções vocais, e particularmente Kenny Drew Jr, sendo este quem melhor soube evocar o espírito de Mingus.


No segundo dia, o pianista Stefano Bollani entrou em cena como um furacão, fazendo antever o melhor. Com uma técnica prodigiosa e um drive rítmico bastante mais poderoso do que no seu último registo para a ECM, Bollani fez a música cantar e dançar, brincando com os tempos e intercalando sucessivas explosões harmónicas que potenciavam cada novo segmento das canções. A secção rítmica, formada por Jesper Bodilsen e Morten Lund, cumpriu, sem estar, no entanto, à altura da exuberância criativa de Bollani. Infelizmente, sucessivas tiradas de um humor igualmente exuberante, por parte de Bollani, interromperam o fluxo musical e acabaram por desconcentrar músicos e assistência.


Na segunda parte, a cantora Paula Oliveira apresentou o seu novo disco, Raça. Reunindo o trio - Leo Tardin, Bernardo Moreira e Bruno Pedroso - a um quarteto de trombones liderado por Lars Arens - com Claus Nymark, Luís Cunha e Rui Bandeira - Oliveira alinhou uma ambiciosa selecção de temas, entre originais e standards, e procurou um som novo e original. Com os trombones a marcar os melhores momentos do espectáculo - destaque para a versão de Cão - revelaram-se, no entanto, alguma falta de ensaios e, sobretudo, fragilidades da voz e postura em palco de Oliveira.


No último dia, após uma actuação da Orchestre National de Jazz que teve demasiado estilo e pouca substância, algures entre o pop cabaret dos Pink Martini e um lounge-rock estafado com pretenções vanguardistas (salvando-se, ainda assim, o carácter de entertainment da coisa e um jovem saxofonista e clarinetista, Rémi Dumoulin), seguiu-se aquele que foi o grande concerto do festival, o Transatlantik Quartet do contrabaixista Henri Texier.


Com Joe Lovano (saxofone), Steve Swallow (baixo eléctrico), e Aldo Romano (bateria), o concerto revelou quatro mestres absolutos nos seus respectivos instrumentos, a tocar com a inspiração, rigor e vitalidade que lhes garantiram já um lugar cativo na história do jazz. É um enorme prazer observar a forma como abordam os seus instrumentos, como trabalham sequências harmónicas injectando-lhes pequenos detalhes de uma enorme criatividade que transportam a música para um nível superior de comunicação. Exemplos máximos terão sido os solos absolutos de Swallow e de Romano, bem como toda a actuação, explosiva, de Lovano, que tirou proveito de um set enérgico e vibrante. Certeira foi também a combinação de timbres dada pelo contrabaixo e pelo baixo eléctrico. Surpreendente e inspirador.
Rodrigo Amado, Y/Público de 8 Out'10
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

City Sickness





Rua de Lisboa, Set'10
 
À primeira vista parece um carro estacionado igual a tantos outros. Depois verificamos que não é bem assim. E não é uma nova peça de mobiliário urbano. É apenas mais 'um' veículo que jaz abandonado nas ruas da cidade do 'maior Concelho dos Açores'.

Este exemplar passou incólume, durante todo o Verão de 2010, e sem que 'ninguém' desse por ele.

Uma missão para a recém-criada Polícia Municipal?! Parece-me que sim.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

100 anos e um dia

«(...) Parece que a Iª República cometeu o grande pecado de ser uma balbúrdia, - mas por oposição a quê? Pelos vistos, deve haver quem ache que o resto do mundo era, naquele primeiro quartel do século XX, uma espécie de pacífico jardim.
Não era; desde ocupantes de cargos eleitos a cabeças coroadas, do primeiro-ministro de Espanha ao arquiduque da Áustria, houve homicídios para todos os gostos naquela época. Não excederam, contudo, a morte massificada da gente comum; entre os anos de 1914-1918 - não tinha a nossa República quatro anos - houve simplesmente uma Guerra Mundial, neste continente e nas suas colónias. Quando essa Grande Guerra e a sua estúpida e inútil mortandade acabou, tinham acabado também vastos impérios: o dos Czares, varrido por duas revoluções e desmembrado; o Austro-Húngaro, despedaçado; e pouco tempo depois o Império Otomano. No culminar desse processo, fez-se o ensaio geral aos genocídios que seriam levados às maiores consequências nos meados do século XX europeu. A República Portuguesa lá aguentou, mas entre a Iª e a IIª Guerra Mundial nasceram o fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, e regimes seus aparentados - como a ditadura nacional em Portugal - um pouco por toda a Europa. Desfez-se o sonho da Sociedade das Nações. Como eloquentemente diz a historiadora Zara Steiner, esta foi a época em que - por quase todo o mundo e sobretudo na Europa - “as luzes falharam”.
Perante isto, - ou melhor, esquecendo isto - há gente que faz da leitura da Iª República uma única lenga-lenga sobre como os líderes políticos portugueses da época eram defeituosos. Pois eram. Sem querer ser preciosista, esse é exatamente o sentido da República: sermos governados por gente imperfeita. Precisamente porque não existe gente perfeita, nem gente que herde a predisposição para governar vitaliciamente um país, o princípio republicano é o de que nem o nascimento nem a classe social devem vedar alguém de eleger e ser temporariamente eleito. Isto é uma coisa boa, e uma coisa simples. Às vezes há coisas assim. É pueril alegar que ser governado pelo filho do rei da Casa de Bragança tivesse sido melhor do que ter sido governado pelos Srs. Teófilo Braga ou Bernardino Machado, mas quer o sentimento anti-progressista que rasguemos as vestes por cada vez que este país deu um salto político. Pelo grande gozo que é “irritar a esquerda”, pratica-se o contorcionismo da mioleira. Mesmo assim, o liberalismo continua a ser melhor do que o absolutismo; e a república melhor do que a monarquia, a democracia melhor do que a ditadura. Melhores porque regimes mais livres e mais iguais, mais próximos do princípio de que a sociedade se pode - e deve - auto-governar. (...)»
Leitura obrigatória para esta crónica (e todas as outras) do Rui Tavares, publicada ontem com o Público, sobre aqueles que, em ano de Centenário, 'depreciam' a República e 'suspiram', quiçá, por tempos idos.

* o bold é meu 

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

«Arquipélago»

Filipe Franco Linha de Terra, 2004





















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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Blackout
















O lado sul do Teatro Micaelense está, literalmente, ‘às escuras’ desde que terminaram as obras de requalificação do antigo Largo de S. João.

Para além do aparente ‘abandono’ do local, em particular, naquele em redor desta importante ‘sala de visitas’ da cidade, o mesmo está sem iluminação pública. O que dificulta a vida a quem por lá transita. E 'facilita' a quem prevarica.

É, infelizmente, mais uma infelicidade municipal, num concelho que se diz feliz mas que tem, neste âmbito, poucas razões para sorrir.

Felizmente, e a outro nível, a noite foi luminosa.

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domingo, 3 de outubro de 2010

Posta dominical


Recta final para uma semana em que havia e há muito para e por dizer...

"You know I why I hate you, baby?/ Because you make me hate you, baby (...)".

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sábado, 2 de outubro de 2010

Estreia mundial















Hoje, 2 de Outubro, pelas 21h30, no Teatro Micaelense, acontece, pela primeira vez nos Açores, o concerto de laureados do Prémio Jovens Músicos/2010 (PJM). Este concerto está integrado na Temporada de Música 2010 e assinala as Comemorações do Centenário da República com a presença da Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro Osvaldo Ferreira, que fará a estreia mundial da obra sinfónica Centenário da República, do compositor Filipe Pires, encomendada pela Presidência do Governo Regional dos Açores através da Direcção Regional da Cultura.  

Imperdível!

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Modas

Por estes dias o que prevalece, pelos menos aparentemente, é o diz que disse... Parece - dizem - que é uma espécie de pisca, pisca.

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