terça-feira, 10 de maio de 2011

Boas notícias!

Fotografia Francisco Botelho
















A produção das duas centrais geotérmicas de S. Miguel, nos Açores, ultrapassou em Abril, pela primeira vez, a que foi gerada pela central termoelétrica em funcionamento nesta ilha, revelou hoje a Eletricidade dos Açores (EDA).

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

1º Roteiro Cultural dos Açores





















Do nascimento ao último percurso provável de Antero de Quental pelas ruas de Ponta Delgada até ao banco onde o poeta decidiu o lugar e tempo para matar-se, a primeira publicação do projecto "Roteiros Culturais dos Açores" 'traça' os lugares da cidade marcados pela vida do poeta. Em mapa anotado, com fotografias, uma resenha histórica e tábua cronológica dos passos do também filósofo.  
O desdobrável é o primeiro de vários que se vão seguir, em tornos das vidas de personalidades do Açores que marcaram e foram marcadas pelas cidades e ilhas onde viveram.  
Em fase de preparação, prevendo-se a sua publicação até Outubro próximo, estão já os Roteiros Culturais de Vitorino Nemésio e Manuel de Arriaga, sob orientação científica de Luíz Fagundes Duarte.  
A apresentação pública deste roteiro a que o AO teve acesso, será feita na próxima sexta-feira, dia para o qual também está prevista uma reconstituição dos últimos passos do poeta. "Fazendo uma viagem que se supõe que Antero de Quental terá feito justamente antes de se suicidar no Campo de São Francisco", revela o director regional da Cultura.  
Jorge Paulus Bruno, questionado sobre a utilidade do uso deste roteiro por parte de guias turísticos para, por exemplo, trilhar esses percursos, diz que é, precisamente, umas das utilizações que pode ter. "Esse é um dos objectivos consignados no Plano de Governo, associar também cultura ao turismo, trabalharmos em conjunto", afirma Paulus Bruno, acrescentando que estas publicações permitem aos guias turísticos ou a qualquer visitante dispor de uma "ferramenta" que permite "rever a memória de determinadas personalidades, não só percorrendo sítios que eles percorreram mas, acima de tudo, terão conhecimento dos ambientes, de um modo que hoje em dia é possível revê-los, que eles frequentavam naquele tempo."  
Este primeiro roteiro está a ser colocado nas Lojas de Cultura instaladas nos centros periféricos da Direcção Regional da Cultura (museus e bibliotecas públicas), nas livrarias comerciais, postos de turismo e também estão a ser enviados exemplares para os estabelecimentos hoteleiros da Região.  
Os conteúdos do roteiro vão, igualmente, estar disponíveis no Portal Cultura Açores que também será apresentado ao público durante esta semana.  
Recorde-se que a criação dos Roteiros Culturais dos Açores resulta de uma iniciativa do Grupo Parlamentar do Partido Socialista em 2010 na Assembleia Legislativa Regional. O projecto de resolução, apresentado pelo deputado Alexandre Pascoal, propunha "complementarmente à criação do Roteiro Anteriano, a requalificação do Largo da Esperança, situado no Campo de São Francisco, através da colocação de uma placa identificativa e de homenagem junto ao banco, onde Antero se suicidou".
Olímpia Granada na edição de hoje do Açoriano Oriental.

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domingo, 8 de maio de 2011

“Ninguém pode prometer o que não pode cumprir”

Miguel Relvas: "Não haverá aumento de impostos" com o PSD  
Ou o mesmo é dizer: «Faz o que eu digo, não faças o que eu faço».

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Coisas realmente importantes

Greece Considers Exit from Euro Zone
O fim do/a Euro(pa) tal como o/a conhecemos?!

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Enriquecedor





















Em Ponta Delgada, até à próxima 6ª feira, estão em disputa inúmeras Profissões.

Este evento constitui a validação da formação como um contributo para uma melhor integração dos indivíduos, num mercado de trabalho cada vez mais exigente.

Recomendo a visita.

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terça-feira, 3 de maio de 2011

1º Acto












O primeiro acto da parceria entre a Fundação Medeiros e Almeida e a Direcção Regional da Cultura acontece hoje, em Lisboa, com a inauguração da exposição Serafins de Tomaz Borba Vieira.

Espero que a reciprocidade seja profícua.

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Insólitos



Este assunto deve constituir motivo de reflexão para quem tem responsabilidades na recolha de resíduos urbanos no concelho de Ponta Delgada.

Mas há uma dúvida que me assiste: porque é que este caso só foi notícia aqui?!

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domingo, 1 de maio de 2011

Just for a Day



Esta entrada do Nuno remete-nos para um tempo com +/- 2 décadas - onde os discos eram comprados por catálogo sem direito a escuta prévia, o Blitz chegava com uma semana de atraso, a internet estava no domínio da ficção, a televisão = RTP/A (qual box Meo e Zon!), a rádio era pirata (e fazíamo-la nós mesmos), os concertos eram uma miragem e os The Stone Roses eram quase uma religião.

O meu agradecimento pessoal ao YouTube por tornar mais curtas as distâncias que nos separam.

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sábado, 30 de abril de 2011

Cultura não é sinónimo de Gordura







Ministério da Cultura vs Secretaria de Estado  
A pretexto da crise e das profundas reformas que Portugal terá que continuar a introduzir na administração pública e na organização do Estado, surgem propostas de futuros governos, “magros e enxutos” como disse Passos Coelho, onde o Ministério da Cultura se reduz a Secretaria de Estado. Esta tese, defendida também pelo CDS, assenta na presunção de eliminar as “gorduras” e os gastos administrativos, sem uma reflexão mais séria e fundamentada, quer do ponto de vista financeiro, quer, muito mais grave, do ponto de vista político e programático.

Analisemos como os nossos 26 parceiros na União Europeia (a braços com a mesma crise que todos vivemos na Europa) encaram esta temática: 20 Países têm Ministérios da Cultura –, Espanha, Itália, Dinamarca, Grécia, Suécia, Irlanda (que promoveu a Cultura a Ministério, no pico da crise, com o FMI no país), Finlândia, França, Alemanha, Reino Unido e Bélgica, e quase todos os da antiga Cortina de Ferro. Em 3 Países, a Cultura é associada à Educação – Áustria, Holanda, Chipre e … 2 países com Secretarias de Estado da Cultura - Malta e Hungria.

Dos 27 países da UE, apenas em dois, Malta e Hungria, a Cultura é atribuída a Secretarias de Estado. São estes os modelos que queremos seguir? É esta a ambição que merece um país com uma língua falada por 250 Milhões de pessoas espalhadas por 5 continentes?

É esta a estratégia de afirmação de um povo com 8 séculos de História e uma actividade criativa com presença regular nas listas dos mais importantes prémios internacionais de arquitectura, literatura, cinema, museologia, apenas para referir os mais mediáticos?

E com que argumentos? “Gordura”? A direita portuguesa prova assim que não integra no seu conceito ideológico a noção de que o valor simbólico global da Cultura é incomensuravelmente maior do que a soma das partes, que das suas linhas programáticas resulta o seu real valor civilizacional – a identidade global portuguesa, que assenta, única e exclusivamente, na sua Cultura. E que é a partir da sua identidade, reconhecível como um todo na sua transversalidade económica, na capacitação intelectual, respeitabilidade e atracção internacional, que Portugal tem a sua oportunidade de afirmação.

Foi com os governos liderados pelo Partido Socialista que se afirmaram as principais conquistas da Cultura em Portugal, porque o PS sabe que a consolidação da democracia depende do conhecimento, da coesão social através da coesão cultural, da integração multicultural, da educação do saber. Foi o PS que criou em 1995 o Ministério da Cultura (MC), uma medida fundamental numa democracia avançada, que introduziu profundas alterações no paradigma cultural português, a mudança do discurso político e a assunção de uma maior responsabilização do Estado nesta área.

Apesar do peso orçamental do MC não ser sempre compatível com a sua ambição, a sua acção é de enorme abrangência. Regula todo o Património, tangível e intangível, protege a língua e direitos de autor; gere, apoia e financia centenas de entidades culturais em todas as áreas, para além de manter compromissos internacionais relevantes, quer no quadro da UE, quer na CPLP, quer em outras organizações internacionais.

Em 1994, na última Secretaria de Estado da Cultura (PSD) com menos instituições e 25% de receitas próprias, gastou-se 61% do orçamento em funcionamento; em 2011, com muito mais obrigações a seu cargo, gasta-se 67%, com 41% de receitas próprias. Os gabinetes da MC e do SEC custam actualmente € 2.532.156 (inclui todos os custos com pessoal, estrutura, funcionamento, representação internacional). Em 1994, o gabinete do SEC custou € 2.346.528.

Analisando com seriedade, conclui-se que a extinção do MC teria um custo político e simbólico muito superior ao ganho orçamental. Ao invés de se eliminar um valor operacional determinante no Portugal que se quer para o futuro, num retrocesso sem real fundamento económico (que nem a direita europeia ousou), dever-se-ia antes defender o seu alargamento a áreas correlacionais, indissociáveis da sua acção, como o Audiovisual, a promoção cultural externa e o Turismo, cada vez mais centrado na oferta cultural. Em vez de se advogar a sua insignificância no quadro das políticas estratégicas de desenvolvimento nacional, dever-se-ia aumentar o seu peso e a sua abrangência. São questões civilizacionais, como esta, opções políticas de fundo, que têm sido defendidas em Portugal pelo PS e que importa ter em conta nos tempos que correm.
Artigo de opinião da Ministra da Cultura na edição de 28 de Abr'11 da Revista Visão.

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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Irresponsabilidade & oportunismo

Tribunal Constitucional "chumba" revogação da avaliação de desempenho docente
O oportunismo político aliado a uma dose consistente de irresponsabilidade fez com que a 25 Mar'11 fosse revogado o sistema de avaliação dos professores, com os votos favoráveis de PSD, PCP, BE, PEV e CDS-PP e a oposição da bancada do PS e do deputado social-democrata Pacheco Pereira. Hoje esse acto foi considerado inconstitucional.

Numa altura em que tudo e todos apelam à responsabilidade, há quem não olhe a meios para manter os níveis de populismo.

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Livros: por entre stands e lançamentos

Stand 'Cultura Açores' na Feira do Livro de Lisboa
















Os Açores marcam presença na 81ª Feira do Livro de Lisboa, que arranca hoje e decorre até 18 de Maio, através do stand 'Cultura Açores'.

Esta tarde é lançado o livro 'Antologia Açoriana' de João Miguel Fernandes Jorge e Urbano na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

Ainda esta 5ªfeira, pelas 21h00, o Instituto Cultural de Ponta Delgada apresenta Thomas Hickling - Subsídios para uma Biografia, da autoria de Henrique de Aguiar de Oliveira Rodrigues. A apresentação da obra estará a cargo de Margarida Vaz do Rego Machado, docente da Universidade dos Açores e directora do Centro de Estudos Gaspar Frutuoso.

Apesar de tudo, os livros estão bem e recomendam-se.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Postura eucaliptíca

Maria José Cavaco As Minhas Casas Voadoras, 2001
















O final do plenário de Abril na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores ficou marcado pela discussão de um Projecto de Resolução com pedido de urgência e dispensa de exame em comissão, apresentado pelo Bloco de Esquerda, que recomendava a concertação entre o Governo Regional dos Açores e a Câmara Municipal de Ponta Delgada para a construção de um único Centro de Arte Contemporânea na ilha de São Miguel.

Os considerandos desta Resolução realçam o papel da Cultura como sector vital no desenvolvimento da sociedade, a importância do intercâmbio cultural e todos os benefícios que daí podem advir. Estes princípios são basilares e comungam daquilo que o Partido Socialista tem dito, defendido e executado enquanto governo na Região. Contudo, esta proposta contém 2 erros com os quais não concordamos e que a tornam extemporânea. O primeiro é o destinatário: pela forma como estava formulada deveria ser remetida à autarquia de Ponta Delgada e não ao Governo Regional. E porquê? E daqui resulta o segundo erro: há uma questão cronológica associada ao Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas que não é despiciente, na medida em que não estamos, ao contrário do que afirma o BE, numa «fase de poderem ser convertidos num só projecto». Isto porque o Arquipélago está em fase final de apreciação do concurso público para a empreitada de construção, cuja adjudicação deve acontecer nos próximos meses. Ao passo que o MAC (Museu de Arte Contemporânea) de Ponta Delgada está numa fase projecto e ainda não passou da ‘fotografia’.

Este projecto de resolução deu, igualmente, razão ao Partido Socialista quando no início de Março criticou esta opção camarária, na medida em que este investimento é revelador da ambição pessoal da presidente da autarquia e não salvaguarda a defesa do interesse público. Crítica consubstanciada pelo facto de estarmos a viver uma conturbada situação económica e financeira com fortes repercussões sociais, cujo desfecho se perspectiva incerto. Não tenhamos ilusões quanto a isso. E quanto aos argumentos utilizados em torno da aplicação estrita dos fundos comunitários, convém desmentir categoricamente esses ‘constrangimentos’. A Câmara de Ponta Delgada pode utilizar esses fundos em investimento de natureza diversa e não apenas na Cultura. Não vale pena justificar esta opção com recurso a ‘birras’ e com argumentação sem cabimento. Não estamos contra o investimento na Cultura. Mas, neste caso em particular, estamos a falar de projectos com prazos distintos e da duplicação de investimento, num sector altamente dependente dos apoios públicos. E, neste ponto, concordamos com o Presidente da Câmara da Ribeira Grande que a este propósito disse: «Questionamos se alguma Câmara Municipal dos Açores terá capacidade económica para garantir representatividade cultural de uma região através de um Centro de Arte Contemporânea?». Ele acha que não. Nós também.

Existe igualmente outro equívoco quando se compara os ‘dois museus’. Não estamos a falar de 2 espaços idênticos. O Arquipélago é um espaço de criação e residência artística, cujo projecto prevê, simultaneamente, a reabilitação de um importante património industrial. Espaço que pelo passado que teve transporta uma forte componente simbólica para o seu uso futuro. Espera-se que seja um espaço de confluências várias, de produção de conhecimento e constitua um ‘salto’ para o exterior. Comporta, igualmente, uma vertente expositiva pelo facto de ser o ‘guardião’ da Colecção de Arte Contemporânea dos Açores, um processo dinâmico e em construção. Por tudo isto parece-nos que estamos a falar de conceitos diferentes, num espaço finito e de recursos escassos. Mas que, no caso do Arquipélago, se perspectiva à escala regional, num projecto que extravasa em muito a fronteira concelhia.

A optar, como no final da discussão reconheceu a deputada Zuraida Soares, o projecto escolhido seria, na sua opinião, o do Governo Regional. Postura que aplaudimos. À margem dos que aproveitam esta época de constrangimentos para explorar populismos de ocasião e defender o corte cego nos investimentos da Cultura. Porque é que se quer sempre cortar na Cultura em detrimento de outros sectores da governação?! Numa altura em que múltiplos estudos indicam que se não usarmos «o casamento entre a cultura e a economia não conseguiremos que a sociedade portuguesa cresça»?!

Quem faz birra e, consecutivamente, se contradiz, afirmando uma coisa na Horta e outra em Ponta Delgada, é o PSD/A. O partido que passa a vida a exigir o chamado “desenvolvimento harmónico” para o arquipélago é o primeiro a assumir uma "postura eucaliptíca" e centralizadora em Ponta Delgada. E mais uma vez pergunto: o que é mau para os Açores, é bom para Ponta Delgada?!

* Publicado na edição de 25 Abr'11 do Açoriano Oriental

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terça-feira, 26 de abril de 2011

Para que servem as sondagens políticas?

«(...) Dirão alguns que precisamos de ter fé. É verdade. Eu, por cá, acho que precisamos mais de trabalhar. Em vez de ver os líderes partidários a correr daqui para ali, a comentar esta ou aquela sondagem, eu preferia vê-los preocupados em ouvir especialistas que os ajudassem a fazer propostas válidas. Em vez de ver na televisão peças que mostram hotéis do Algarve lotados em tempo de férias (!!), eu gostaria de ver notícias que falassem de um país de talento e de gente com garra, empenhada em dar a volta a isto; em vez de na 5ª feira ter visto as portas das instituições públicas a fechar, eu preferia ter ficado a trabalhar no meio da normalidade do dia-a-dia. Acho que não estou a exagerar. O Fundo Monetário Internacional dir-me-á isso dentro de dias
Um artigo de Felisbela Lopes recomendado com Margens de Erro.

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Liberdade, a pouco ou nada obrigas

Otelo: Se soubesse como o país ia ficar, não fazia a Revolução
Otelo: "Precisávamos de um homem com a inteligência do Salazar"
Afinal Otelo está “orgulhoso” do seu papel no 25 de Abril
A liberdade é também isto: dizer o que se quer mesmo que não faça muito sentido ou que seja totalmente disparatado. Ou como aqui se diz, o dia da liberdade está transformado num arquivo de egos que hoje se insuflam e amanhã mirram.

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domingo, 24 de abril de 2011

Cultura não pode perder estatuto de ministério

Portugal vai viver, a partir de 5 de Junho, uma nova situação política seja qual for o resultado eleitoral, desde logo porque a precária situação do país impõe compromissos e plataformas de entendimento sem as quais o quadro geral se tornará ainda mais sombrio e preocupante.

Não será aceitável que o novo Governo retire à Cultura a dignidade de uma tutela ministerial, reduzindo-a à dimensão de secretaria de Estado, com tudo o que daí decorre de subalternização e presença menos significativa no núcleo central da decisão política. Essa perspectiva é alarmante, sobretudo se tivermos em conta que a demissão do Governo minoritário do PS impediu que transitassem para a Assembleia da República, para urgente debate e votação, a nova Lei da Cópia Privada e a Lei Antipirataria. Esse atraso implica já prejuízos incalculáveis para os autores e para os artistas no ano corrente e nos seguintes.

Se os novos governantes, sejam eles quais forem, não levarem em conta esta indiscutível urgência, não terão depois legitimidade para pedir aos agentes culturais em geral que dêem o seu contributo para a superação da crise criando mais emprego, mais receita fiscal e mais riqueza em geral.

A União Europeia, no Livro Verde para a Cultura, tornou incontornável esta evidência: a Cultura pode e deve contribuir para gerar soluções que as estruturas do Estado têm obrigação de respeitar, apoiar e incentivar.

A dimensão e a gravidade da crise irão reduzir significativamente os consumos culturais, afectando também, de forma inevitável, as receitas cobráveis pelas estruturas que representam os autores e os artistas.

Os autores, que já viviam uma situação de precariedade, vão enfrentar dificuldades ainda maiores, assistindo à degradação das suas condições de vida e de criação. Se tal acontecer (e é mais do que certo que este quadro é inevitável), Portugal e os portugueses ficarão ainda mais tristes, descrentes e desmotivados.

Se o próximo Governo subalternizar a Cultura na sua estrutura orgânica e a despromover no plano orçamental e da decisão política, irá limitar a sua capacidade de intervenção neste domínio, em nome da austeridade e da contenção de despesas.

Num momento em que o país tem de exportar muito mais do que importa, ignorar o potencial da produção cultural neste domínio será um erro irreparável.

Falando de soluções adoptadas por outro país em crise, será conveniente que se observe a aposta que a Irlanda (onde a Cultura voltou a ter dignidade ministerial) e, em particular, a cidade de Dublin estão a fazer nas actividades culturais, em articulação com o turismo e com o sistema educativo, para melhor poderem enfrentar as dificuldades que os atormentam. Em tempos como o actual, os bons exemplos têm um valor redobrado. Razão tinha o realizador e dramaturgo irlandês Neil Jordan quando escrevia, nas páginas do Morning Ireland, em 11 de Setembro de 2009: "A Igreja falhou; o sistema financeiro falhou; a especulação imobiliária e o comércio falharam; só não falharam a cultura e as artes". Não será tempo de dizermos o mesmo de Portugal, mas agindo em conformidade com esta constatação?

As chamadas "prioridades nacionais" tendem a falar mais alto, mas é imperioso que o novo Governo perceba que são os trabalhos do espírito que reforçam o ânimo colectivo e lembram aos portugueses, que são pessoas e não números, que existirá sempre mais vida para além dos erros graves e dos falsos milagres dos gurus da economia e das finanças. Foram esses e não os criadores culturais e os artistas que nos deixaram na deplorável situação em que hoje estamos.  
 José Jorge Letria in Público de 22 Abr'11

* Escritor, jornalista e presidente da Sociedade Portuguesa de Autores
** O bold é meu 

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sábado, 23 de abril de 2011

It will be hard to find a public library 15 years from now

«(...) In a fully ebooked world, which I expect we’ll be living in 10 or 15 years from now, print books won’t be extinct, but they’ll be either exotic or very purpose-driven. They won’t be common or an ordinary way to deliver content, the way they are today. (...)»
Uma recomendação de leitura a propósito do Dia Mundial do Livro que se hoje se comemora.

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quinta-feira, 21 de abril de 2011

There's no bus service on Saturdays, Sundays and Holidays





















Em Ponta Delgada, nos painéis informativos dos minibus não estão sinalizados os dias da semana em que estes circulam. Quem não sabe presume que funcionam everyday.

Se por estes dias encontrar algum turista numa paragem, à espera do respectivo transporte público, diga-lhe que There's no bus service on Saturdays, Sundays and Holidays. A satisfação é garantida.

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

To speak or not to speak



O Presidente da República ontem afirmou que «Temos ainda que aguardar, porque tudo o que se possa dizer neste momento, quanto sei, é pura especulação».

Em público ou em privado nunca, como agora, se tornou tão óbvio a ineficácia do papel conferido àquele que devia servir de mediador entre as várias forças políticas. Não lhe compete governar mas sim pugnar para que haja governo.

Algo vai mal quando, até eu, estou de acordo com o diz o Pedro Marques Lopes sobre a "magistratura activa" exercida por Belém.

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terça-feira, 19 de abril de 2011

Eles andam aí!

Ponta Delgada, Abr'11
















 Não é nada que me surpreenda mas é garantidamente algo que repudio.

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dia de São Vapor

Foto Eduardo Wallenstein















Em Ponta Delgada, o Domingo passou a ser Dia de São Vapor. Mas nem por isso os hábitos mudam. O comércio continua teimosamente fechado para quem aporta (com excepção para as lojas das Portas do Mar, Solmar Avenida e Parque Atlântico). 

E, para além disso, o que podemos encontrar nas Portas da Cidade e arcadas circundantes?! Cosmopolitismo?! Sim, mas em formato - Lixo = Os despojos acumulados dos excessos da noite anterior. 

Queremos Turismo (e de qualidade)! Disso ninguém tem muitas dúvidas. Mas o que é isso implica?! Aí, muitos encolhem os ombros. O Turismo passa, necessariamente, pela frieza dos números mas tal não significa apenas desembarcar turistas, nem exigir passagens low cost. É preciso querer e sobretudo saber acolher quem nos visita. Felizmente, os dias não são todos iguais...

A prova - do que aqui digo - está hoje estampada na capa do AO (não é birra, não!).





















É caso para perguntar onde é que pára a CCIPD e a CMPD?! Ou o mesmo é dizer old habits die hard...

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domingo, 17 de abril de 2011

Diz que é a mudança...



















Um cartoon de Mário Roberto hoje com o AO.

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Too late













«Portugal's plea for help with its debts from the International Monetary Fund and the European Union last week should be a warning to democracies everywhere»
Quem avisa amigo é. Este 'aviso',  chegou, infelizmente, tarde demais.

Pedro, obrigado!

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terça-feira, 12 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lugar comum

Ponta Delgada, Abr'11






















Cosmopolita?! Deve ser isso...

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domingo, 10 de abril de 2011

Jaime Gama



O - ainda - Presidente da Assembleia da República fez um dos discursos mais fortes do XVII do Congresso do PS, que hoje terminou em Matosinhos, e é um exemplo a seguir por muitos outros.

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sábado, 9 de abril de 2011

XVII Congresso do PS

À distância e ao minuto.

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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Futuro próximo











O futuro próximo do partido e do país discute-se a norte.

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Já!

«Portugal tem de pedir ajuda externa»
Digam o que disserem, o facto é que o chumbo do PEC precipitou o país para a aprovação de um pacote de austeridade...ainda mais duro.

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terça-feira, 5 de abril de 2011

Em Jornadas Parlamentares
















O Grupo Parlamentar do PS, reunido ontem e hoje em Ponta Delgada, anunciou um conjunto de medidas para aumentar o rendimento dos produtores agrícolas e dos pescadores dos Açores que serão apresentadas, no curto prazo, na ALRAA.

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domingo, 3 de abril de 2011

Fundamental



Apesar da conjuntura económica desfavorável e do considerável esforço financeiro associado, o investimento na Rede de Museus dos Açores é para manter, em concreto, a renovação do discurso das exposições permanentes.

Depois de Angra, segue-se o Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada.

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quarta-feira, 30 de março de 2011

Quem avisa, amigo é

«(...) I see also that you are going to change your government in the next couple of months. You will forgive me that I allowed myself a little smile about that. By all means do put a fresh coat of paint over the subsidence cracks in your economy. And by all means enjoy the smell of fresh paint for a while.
We got ourselves a new Government too and it is a nice diversion for a few weeks. What you will find is that the new government will come in amidst a slight euphoria from the people. The new government will have made all kinds of promises during the election campaign about burning bondholders and whatnot and the EU will smile benignly on while all that loose talk goes on.
Then, when your government gets in, they will initially go out to Europe and throw some shapes. You might even win a few sports games against your old enemy, whoever that is, and you may attract visits from foreign dignitaries like the Pope and that. There will be a real feel-good vibe in the air as everyone takes refuge in a bit of delusion for a while.
And enjoy all that while you can, Portugal. Because reality will be waiting to intrude again when all the fun dies down. (...)»
Um Chá servido quente e com sabor irlandês.

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segunda-feira, 28 de março de 2011

«Colóquio - Os Açores, a I Guerra Mundial e a República Portuguesa no contexto internacional»











21h00 04 Abril'11
Palácio dos Capitães-Generais, Angra, Terceira
Conferência de abertura José Medeiros Ferreira  

09h30 05 Abril'11
Museu de Angra do Heroísmo, Terceira
«Os Açores, o Atlântico e a I Guerra Mundial»  
António Costa Pinto, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa  
Josep Sánchez Cervelló, da Universidad Rovira i Virgili, de Tarragona  
José Olívio Mendes 
Sérgio Resendes 
André Rodrigues 
Inês Queirós  

09h15 06 Abril'11
Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, São Miguel
«O Regionalismo e a 2ª geração autonomista nos Açores»  
Carlos Cordeiro 
Fátima Sequeira Dias 
Isabel Soares de Albergaria 
Carlos Enes 
Cármen Ponte 
Elisa Gomes da Torre  

14h00 07 Abril'11
Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, Horta, Faial
«A República Portuguesa no contexto internacional»  
Luis Vieira Andrade 
Francisco das Neves 
Alves Reto Monico 
Pedro Aires de Oliveira 
Luís Fraga 
Ana Paula Pires 
Bruno J. Navarro  

11h00 08 Abril'11
Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, Horta, Faial
Conferência de encerramento Avelino Freitas de Meneses

A não perder. Mais informação aqui.

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domingo, 27 de março de 2011

Dia Mundial do Teatro













Dados curiosos fornecidos pela Pordata a propósito do número de sessões e de espectadores de Teatro, em Portugal, entre 1960 a 2009.

O que explica a estagnação nos 90's e o crescimento dos anos 00?!

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sábado, 26 de março de 2011

Palavra de Krugman

«Portugal’s government has just fallen in a dispute over austerity proposals. Irish bond yields have topped 10 percent for the first time. And the British government has just marked its economic forecast down and its deficit forecast up. What do these events have in common? They’re all evidence that slashing spending in the face of high unemployment is a mistake. (...)» 
 Mais uma voz que condena a cegueira europeia em torno do défice.

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sexta-feira, 25 de março de 2011

Teófilo de Braga x 2





















Hoje é inaugurada na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada a Exposição "Sínteses Afectivas: Teófilo Braga e os Centenários" e a Sala Teófilo Braga.

Esta iniciativa acontece no âmbito das Comemorações do Centenário da República nos Açores.

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quinta-feira, 24 de março de 2011

Preocupante

Infografia daqui











Fitch corta ‘rating’ após chumbo do PEC e demissão de Sócrates
"Foi uma tragédia o que aconteceu em Portugal"

A sede de 'ir ao pote' empurrou o país para um, cada vez mais, inevitável recurso à ajuda externa.

Os resultados estão à vista...de quem os quiser ler.

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quarta-feira, 23 de março de 2011

Inacreditável

Graffiti, Ponta Delgada, Mar'11
















Tenho evitado abordar este tema não por 'ciúme' mas porque a maioria dos dados disponibilizados estão ao nível do 'currículo vitae'.

Não obstante, é impossível permanecer indiferente à justificação da Câmara Municipal de Ponta Delgada sobre a opção de construir um Museu de Arte Contemporânea. Isto porque, e para quem, como eu, ouviu a argumentação do PSD/A durante a discussão do Plano e Orçamento para 2011 e a respectiva justificação às alterações ao investimento público regional, reduzindo a 0 as verbas alocadas à Cultura, não parece estar a ouvir um partido liderado pela mesma pessoa.

Senão vejamos, a 25 de Novembro de 2010 o PSD/A, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, defendia o seguinte: «(…) Apenas uma intervenção breve para falar relativamente à alteração que fazemos neste Programa 4, designadamente na acção correspondente ao Centro de Arte Contemporânea "Arquipélago". Fazemos uma redução de 6 milhões de euros e que se junta a um conjunto de reduções tanto neste Programa 4, como nos Programas 10, 12, 14 e 18 e que essencialmente correspondem a reduções relativas, neste caso, a este Centro de Arte Contemporânea, noutros casos aos Centros de Cultura e de Congressos, beneficiação de edifícios públicos. Ou seja, um conjunto de investimentos que nesta altura não consideramos que sejam efectivamente reprodutivos e que sejam efectivamente essenciais». Excerto retirado do Diários das Sessões. Ponto.

Posto isso, foi com alguma estupefacção que ouvi, a 3 de Março de 2011, a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada (e actual líder do PSD/A, um incómodo para a bancada do PSD/A na ALRAA sempre que é mencionado esse facto, vai-se lá perceber porquê!) afirmar, na apresentação do estudo prévio do futuro museu, que o projecto reflecte «um olhar para o futuro com ambição e audácia», que representa «uma mais-valia» para o arquipélago e que «nenhuma região pode dizer que tem equipamentos culturais a mais». Inacreditável! Diria uma camarada. Será que estamos a falar da mesma pessoa e do mesmo partido?! Será esta a tal dimensão regional de que fala o PSD/A, reflectida através de uma posição ambivalente mediante a ilha onde discursa?!

Esta postura não é de agora, nem me surpreende. Aliás, muito deste argumentário é um copy/paste do que tem sido tido pelo Governo Regional e pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista, no que concerne aos investimentos no domínio da Cultura.

Este episódio demonstra, uma vez mais, que o PSD/A tem 2 faces, uma no ataque indiscriminado ao Governo Regional, e outra quando discrimina o Governo e promove exactamente aquilo que critica. Em que ficamos?! O que é mau para os Açores, é bom para Ponta Delgada?!

Alexandre Pascoal
Mar'11

* Publicado na edição de 22 Mar'11 do Açoriano Oriental

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terça-feira, 22 de março de 2011

Is There Anybody Out There?

«(...) No meu modesto entender, só uma pessoa, neste momento, tem possibilidade de intervir, ser ouvido e impedir a catástrofe anunciada: o Senhor Presidente da República. Tem ainda um ou dois dias para intervir. Conhece bem a realidade nacional e europeia e, ainda por cima, é economista. Por isso, não pode - nem deve - sacudir a água do capote e deixar correr. Como se não pudesse intervir no Parlamento - enviando uma mensagem ou chamando os partidos a Belém - quando estão em jogo, talvez como nunca, "os superiores interesses nacionais". Tanto mais que, durante a campanha eleitoral para a Presidência, prometeu exercer uma magistratura de influência activa. Não pode assim permitir, sem que se oiça a sua voz, que os partidos reclamem insensatamente eleições, que paralisarão, nos próximos dois meses cruciais, a vida nacional, em perigo iminente de bancarrota.

Se não intervier agora, quando será o momento para se pronunciar? É uma responsabilidade que necessariamente ficará a pesar-lhe. Por isso - e com o devido respeito - lhe dirijo este apelo angustiado, quebrando um silêncio que sempre tenho mantido em relação ao exercício das funções dos meus sucessores, no alto cargo de Presidente da República. (...)»
O apelo de Mário Soares. Será atendível?!

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segunda-feira, 21 de março de 2011

Evolução

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo

tronco ou ramo na incógnita floresta...

Onda, espumei, quebrando-me na aresta

Do granito, antiquíssimo inimigo...


Rugi, fera talvez, buscando abrigo

Na caverna que ensombra urze e giesta;

O, monstro primitivo, ergui a testa

No limoso paul, glauco pascigo...


Hoje sou homem, e na sombra enorme

Vejo, a meus pés, a escada multiforme,

Que desce, em espirais, da imensidade...


Interrogo o infinito e às vezes choro...

Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro

E aspiro unicamente à liberdade.

Antero de Quental no Dia Mundial do Livro @ BPARPDL

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domingo, 20 de março de 2011

A propósito de Colecções

Fotografia daqui
















Na colecção falta-nos um ou dois Berardos...

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sexta-feira, 18 de março de 2011

Medeiros Ferreira em entrevista ao i















«O governo apresentou novas medidas de austeridade. O PSD diz que vai rejeitar o novo PEC. Qual é a saída para esta situação?
Eu concordo com a necessidade de eleições antecipadas. Isso parece-me claro. Defendi durante muito tempo uma solução no actual quadro parlamentar, uma espécie de governo de concentração nacional com o apoio de uma maioria na Assembleia da República que conseguisse levar a legislatura até ao fim. Mas os partidos não estão ainda disponíveis para isso.
Ainda?
Digo ainda porque estou convencido que vamos acabar com um governo de concentração nacional, perante as dificuldades que vão surgir. O que indica a apresentação do pacote das medidas de austeridade é que o governo quer, consciente ou inconscientemente, marcar a data das eleições sem tomar a responsabilidade da abertura da crise política, e esta atitude não está isenta de racionalidade. Já se percebeu que o PSD quer queimar este governo em lume brando.
Já não é possível conseguir um consenso?
Nada disto é fácil e não é fácil uma solução. Vai ser cada vez mais difícil governar o país. Desse ponto de vista, quem conseguir passar dos conceitos de consenso, pacto ou compromisso para a realidade é um grande talento político. Provavelmente nem esse consenso ou esse pacto pode ser feito dentro daquilo que as pessoas pensam. Será, se calhar, uma coisa diferente. As pessoas quando falam em compromissos estão a pensar numa aliança entre o PS e o PSD, mas eu acho que seria uma solução fraca. Em todo o caso no quadro actual do parlamento nenhum dos dois partidos está disponível para o fazer. Daí a necessidade de novas eleições.
Já?
Já, porque já se percebeu que um possível governo de concentração nacional, no actual quadro parlamentar, que permitisse que a legislatura fosse até ao fim, não é possível. Em grande parte pela posição pouco activa do Presidente da República, porque ele quer que a crise política seja gerida na própria Assembleia da República. (...)»
Para ler, reflectir e conferir muito do que hoje experienciamos.

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quinta-feira, 17 de março de 2011

Boas notícias


Governo aprova pacote para incentivar reabilitação e arrendamento
Uma medida que faz(ia) falta ao continente e às ilhas. Só posso aplaudir a iniciativa.

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quarta-feira, 16 de março de 2011

Há mais vida além do défice?!

«Na conferência que deu, na segunda-feira, na Faculdade de Economia de Coimbra, disse que, actualmente, há "uma grande tentação de ter um zelo intransigente" quanto à disciplina orçamental, naquilo que caracteriza como uma abordagem de "sangue, suor e lágrimas". Acha que aqueles países europeus, como Portugal, que estão a impor pacotes de austeridade, estão a seguir no caminho errado?
Não estava particularmente a falar de Portugal. Não sei o suficiente a esse nível. Mas há uma visão a nível europeu de que não só a dívida pública deve ser eliminada - ou, pelo menos, reduzida drasticamente -, mas também que isso deve ser feito imediatamente. É muito difícil para cada país afastar-se desta visão europeia geral, até porque os mercados estão a pedir isso. Os países não terão, por isso, grande possibilidade de escolha. Mas esta ideia [de austeridade] não é inteiramente correcta. As reduções de défices gigantes que ocorreram no passado, como por exemplo a dívida contraída por vários países europeus junto da América durante a Segunda Guerra Mundial, foram possíveis apenas numa situação de grande crescimento económico, que é sempre uma altura propícia à redução da dívida. Do mesmo modo, quando Bill Clinton se tornou Presidente dos EUA, o país estava com um elevado nível de dívida e, quando ele deixou de ser Presidente, já não tinha, o que se deveu a um crescimento económico elevado. (...)»
[?] Amartya Sen

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terça-feira, 15 de março de 2011

A crónica semanal de Mário Soares @ DN













«(...) 2. Não somos, ao contrário do que alguns pensam e dizem, um país pequeno, sem recursos e condenado à decadência. Temos uma história gloriosa, com altos e baixos, é certo, mas que nos demonstra o contrário. Em alguns períodos não temos sabido governar-nos. É verdade. Mas é útil, para o futuro, aprender a distinguir o trigo do joio, os honestos dos pecadores e não nos deixarmos cair no derrotismo masoquista, em que alguns se comprazem. Criticar é fácil e protestar, mais ainda. É legítimo, aliás, em democracia, criticar e protestar, desde que o façam pacificamente. Mas agir, desinteressada e conscientemente, é melhor, desde que seja em função de uma alternativa, coerente, eficaz e estruturada, tendo uma visão do futuro, inserida num mundo em mudança. É o caminho para podermos sair do atoleiro em que nos encontramos.
É preciso informar completamente os portugueses da situação em que estamos, para os poder mobilizar. O que não tem sido feito suficientemente pelos responsáveis. O Presidente da República, no seu discurso de posse, insistiu neste ponto. Mas omitiu que a crise portuguesa actual foi causada e continua a ser, altamente influenciada, pela crise internacional e, em especial, pela europeia. Ora isso constituiu uma falha inaceitável, mesmo que não tenha sido voluntária.
O primeiro-ministro tem-se esforçado, na resolução da crise, com um zelo patriótico e uma energia pessoal absolutamente excepcionais. Mas cometeu erros graves: não tem informado, pedagogicamente, os portugueses, quanto às medidas tomadas e à situação real do País. Nos últimos dias, negociou o PEC IV sem informar o Presidente da República, o Parlamento e os Parceiros Sociais. Foram esquecimentos imperdoáveis ou actos inúteis, que irão custar-lhe caro. Avisou tão só o líder da Oposição, após a reunião de Bruxelas, pelo telefone. A resposta pública foi-lhe dada no discurso que Passos Coelho proferiu, em Viana do Castelo, muito didáctico, e foi negativa: "Não conte com o PSD para aceitar as novas medidas (negociadas/impostas?) pelos líderes da Zona Euro, reunidos no dia 11 de Março, em Bruxelas." Assim se abre, ao que parece, uma crise política, a juntar às outras que a precederam: financeira, económica (estamos a entrar em recessão), social, ambiental e de valores.
E agora? Ao invés do que parece, tudo ainda pode acontecer. Porque os Partidos da Oposição - todos - não querem ir para o Governo, nem assumir responsabilidades, numa situação que não é agradável para ninguém. O Presidente da República, perante o impasse criado, vai dissolver o Parlamento e provocar eleições? Para cairmos, no pior momento, numa campanha eleitoral, como a última presidencial, com as culpas atiradas uns aos outros, sem tratarmos dos problemas nacionais? E para quê? Para chegarmos, talvez, a resultados, mais ou menos, idênticos? Mas se o não fizer, deixa que o Governo - e o PS, o que é mais grave - fiquem a fritar em lume brando? Com que vantagem para o futuro?
As informações (poucas) que me chegaram da reunião de Bruxelas indicam que houve pela parte da União dos Estados da Zona Euro um pequeno passo em frente, incluindo, obviamente, a Senhora Merkel. Mesmo implicando as questões laborais, dadas as pressões dos Sindicatos europeus. Sócrates, entre os seus pares, foi dos que mais combateram quanto ao alargamento das competências do futuro Fundo Europeu. Foi importante e positivo. Mas tudo ficou em carteira, adiado, para debater ainda na próxima reunião dos dias 24 e 25 do corrente mês. Zapatero escreveu uma carta de aceitação prévia e, ao que me disseram - vale o que vale -, ficou bastante calado na reunião. Quando o que seria importante era que os dois Estados ibéricos exigissem uma política europeia convergente e falassem no mesmo sentido. Dar-lhes-ia, em termos europeus, uma importância redobrada. Temos connosco a Comunidade Ibero-Americana e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Não é pequena coisa, em termos europeus.
Veremos o que se passará nas duas próximas semanas, que serão decisivas para a União Europeia e, seguramente, também, para Portugal. (...)»
Leitura atenta do Chá Verde.

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segunda-feira, 14 de março de 2011

Coisas Realmente Importantes
















Japan radiation leaks feared as nuclear experts point to possible cover-up

Perante esta sucessão de trágicos acontecimentos - os sobressaltos e as arritmias deste nosso quotidiano são  relativos (para não dizer outra coisa).

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sábado, 12 de março de 2011

Exímio demagogo

«O discurso de posse do sr. Cavaco foi a repetição do que a direita, nomeadamente Paulo Portas, tem dito. [...] Cavaco chega tarde. Ou, mais precisamente, depois de sacrificar o primeiro mandato à reeleição, como disse com perfídia e justiça o dr. Jaime Gama.
Falta o resto. O Presidente da República apresentou um programa, mas com certeza se esqueceu que a Constituição não lhe permite executar qualquer espécie de programa. [...] Apesar do tom tonitruante, o discurso de ontem na Assembleia foi uma manifestação de fraqueza. Lisonjeando a direita e hostilizando a esquerda, continua paralisado.
[...] O que pretende Cavaco, episodicamente mascarado de tribuno do povo, incitando Portugal a protestar contra o Governo da República? Pretende popularidade e tanta popularidade que o transforme no autêntico chefe da oposição. Nessa altura, se conseguir, dissolverá a Assembleia a favor de uma maioria que lhe obedeça. E ele é, como se sabe, desde 1985, um exímio demagogo
@ Da Literatura

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sexta-feira, 11 de março de 2011

Tsunami hits Japan after massive quake

Imagem BBC


quarta-feira, 9 de março de 2011

Património?!

Rua Doutor Guilherme Poças Falcão, Ponta Delgada, Mar'11

terça-feira, 8 de março de 2011

O plástico não engana

Fotografia Mário Nelson Medeiros





















Nada tenho contra a tradição deste dia de Entrudo. Mas aos serviços municipalizados impõe-se a limpeza - imediata - dos despojos da batalha.

É o mínimo que se pode exigir a uma cidade que se diz (quer ou aparenta ser) cosmopolita.

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segunda-feira, 7 de março de 2011

Pausa
















A ler a actualidade que me é externa.

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sexta-feira, 4 de março de 2011

3 - 7 = -4


















A propósito do anúncio de mais um Museu de Arte Contemporânea em São Miguel: esta será uma conta que ao invés de sumir vai subir.

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quarta-feira, 2 de março de 2011

120 anos do nascimento de Armando Cortes-Rodrigues


As comemorações continuam - de 28 de Fevereiro a 28 de Março, de 2ª a 6ª das 10h às 12h30 e das 14h às 17h30 - com uma mostra documental e actividades educativas centradas na vida e obra do escritor @ Morada da Escrita.

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Trabalho de campo

Fotografia Francisco Botelho
















O Grupo Parlamentar do PS/Açores deu entrada hoje, na ALRA, a um diploma que fixa novas regras para a manutenção, sinalização e fiscalização dos percursos pedestres, que prevê a articulação entre as entidades públicas de Turismo, Ambiente e Florestas.

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Passado, presente e futuro



Na véspera do arranque das obras do Arquipélago, uma peça que faz a reconstituição do passado, olha o presente e perspectiva o empreendimento futuro.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

EDEN












Os Parques Naturais do Faial e do Pico ficaram nos lugares cimeiros do concurso para o representante português no programa europeu EDEN.

Mais uma distinção reveladora do bom trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela SRAM.

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Imperdível!





















Os trabalhos na Horta não me permitem ouvir Paolo Pinamonti esta noite na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

Uma recomendação em agenda até Julho.

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(In)coerência

«(...) Já não se entende que, perante uma proposta de alargamento desta remuneração aos funcionários das autarquias, recomendação feita pela Associação de Municípios, o PSD tenha votado contra no Parlamento. E menos se percebe ainda que, apesar de não concordarem, vários municípios de gestão social-democrata tenham decidido por em prática tal procedimento. O caso é ainda mais flagrante quando se analisa o município de Ponta Delgada. É então que surge a figura da "Olívia empregada", que justifica a inevitabilidade da remuneração compensatória por se tratar de uma lei e, como tal, ser obrigatória a sua aplicação. É bom lembrar que o Diploma que prevê o alargamento da remuneração compensatória aos funcionários das autarquias coloca nos municípios a "decisão de aplicar ou não a medida", e aliás, foi esse facto que, segundo o comunicado do Representante da República, justificou a sua promulgação imediata. (...) Afinal em que é que ficamos? Contra ou a favor? Contra, perante a opinião pública, fazendo o discurso de que há quem ganhe menos e que merecia um aumento de salário, mas a favor, das portas para dentro, quando toca aos seus? A coerência é um exercício de exigência e rigor político, por sinal difícil para alguns
Ou o mesmo é dizer que aquilo que é considerado injusto para os Açores é «justo» para Ponta Delgada.

(in)coerência da líder do maior partido da oposição nos Açores passou, nesta e noutras matérias, a ser norma.

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Azores: A World Apart














Destaque na edição de Mar'11 da revista Islands.

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

30 Anos, Academia das Artes dos Açores


















A Academia das Artes dos Açores foi fundada a 5 de Agosto de 1980, então com o nome de Academia Livre das Artes, tendo a sua denominação sido alterada em revisão estatutária realizada em 1995. Em 1989, foi considerada pessoa colectiva de utilidade pública pelo Governo Regional dos Açores.

Desde 1981, desenvolve a sua actividade no espaço da antiga Igreja de Nossa Senhora da Graça, junto ao Largo de Camões, em Ponta Delgada. Este imóvel, pertença da Região Autónoma, é parte integrante do antigo convento seiscentista da Ordem de Santo Agostinho e é actualmente ocupado, para além da Academia das Artes, também pelo Conservatório Regional de Ponta Delgada.

O processo de cedência do espaço da Igreja conventual à Academia das Artes dos Açores foi autorizado por via da intervenção apaixonada de Luísa Constantina - a sua fundadora -, junto do Governo Regional.

No decorrer destas três décadas foram inúmeras as obras de adaptação, remodelação e beneficiação realizadas neste espaço, com o intuito de aumentar a sua funcionalidade. Mais recentemente, em 2001, a Academia das Artes viu a sua área de gestão ampliada, através da cedência de mais cinco salas, após a transferência da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada para as novas instalações, o que veio permitir a melhoria da oferta e das condições dos ateliers desenvolvidos, nomeadamente, de Gravura, de Artesanato, de Pintura e de Teatro/Dança.

A Academia, como é popularmente conhecida, é uma associação sem fins lucrativos que, desde a sua criação, teve e tem como propósitos: o ensino, a formação, a promoção e a divulgação das Artes Plásticas, do Artesanato, do Património, das Artes de Palco, entre outras manifestações de índole cultural.

A ambição de fundir as tradições locais, artísticas e artesanais, com a contemporaneidade foi o fundamento que esteve na origem da Academia das Artes dos Açores e foi amplamente defendido pela sua mentora - a artista Luísa Constantina.

Em Novembro passado, na sessão comemorativa do 30º aniversário da Academia das Artes, foi lançado Um Pacto com as Artes, um livro da autoria da Professora Leonor Sampaio que é, nas palavras de Vítor dos Reis, «(…) uma viagem por trinta anos de vida de uma instituição e (…) um olhar sobre a obra e a personalidade da sua fundadora. (…)». Um registo que conta a «(…) história de uma instituição fundamental da cidade de Ponta Delgada e do arquipélago dos Açores» mas que é, simultaneamente, «(…) uma análise da arte, do ensino artístico e da cultura no período a que se reporta». E através do qual verificamos que o papel da ADA «(…) contribuiu decisivamente para a construção e afirmação dessa contemporaneidade».

O documento produzido por Leonor Sampaio é um instrumento fundamental para a compreensão do Presente.

A Academia já não é o único espaço de intervenção artística e criativa no arquipélago, mas não deixou de constituir-se, para os artistas locais, como um espaço de referência e um ‘porto de abrigo’. Aliás, na génese da sua fundação esteve o despertar da comunidade local para as Artes. Passados 30 anos, este desígnio cumpriu-se, em parte, subsistindo outros por concretizar, sendo que os pressupostos iniciais se mantêm actuais.

Nestes anos têm sido muitos os artistas acolhidos, entre locais e nacionais, consagrados e amadores, num espaço gerido de forma irrepreensível, sobretudo, pelo carácter voluntário e gracioso de quem tem estado à frente dos destinos da instituição.

A maioria dos artistas plásticos que hoje são referência nos Açores passou pela galeria da Academia das Artes, quer como artistas, quer como formadores e, muitos, como dirigentes.

Nesta medida, e como manifestado na reunião plenária de Janeiro’11 da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, pareceu de elementar justiça ao grupo parlamentar do Partido Socialista apresentar um voto de congratulação pelo 30º Aniversário da Academia das Artes dos Açores, realçando o contributo, o ‘inconformismo’ e a importância da Academia e dos seus dirigentes, ao longo destas três décadas ao serviço do ensino e da divulgação cultural nos Açores.

* Publicado na edição de 17 Fev'11 do Açoriano Oriental

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tabu

A foto da semana do AO revela - na legenda - um 'assunto tabu' e que foi pouco ou nada discutido. Fica o rescaldo para memória futura.

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