terça-feira, 29 de maio de 2012

É d' Homem!

«(...) Ainda hoje é possível ver como tudo o que depende da administração central anda mais devagar e tudo quanto somos chamados a fazer por nós anda mais depressa. (...)
O último discurso de Carlos César, ontem, nas comemorações do Dia dos Açores, é revelador do Homem que é e tem sido como Presidente do Governo. Ninguém ficou indiferente às palavras que proferiu. Sobretudo quem não o aplaudiu.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Parar é Morrer

RX, Abril 2012





















O encerramento do Festival Panazorean ficou marcado pela estreia, entre nós, de "É na Terra não é na Lua" o multipremiado filme/documentário do realizador Gonçalo Tocha.

As cerca de 400 pessoas que assistiram às 3 horas de exibição não saíram defraudadas. Se a duração podia, à partida, ser um entrave à mobilização de público, tal não se veio a verificar. A duração pouco conta neste filme, o tempo sim. São 3 horas de exibição pública, mas foram muitas mais as que ficaram em arquivo, como nos confidenciou o realizador na breve conversa que se seguiu à projecção de "É na Terra…". O mais difícil foi o tempo de montagem, o de construir um filme com base num 'arquivo' de 160 horas recolhidas ao longo de semanas e meses. O registo é de intimidade. A câmara não é um estranho, um intruso. Passou, sim, a ter o estatuto de mais um elemento na 'imensa família' que habita o Corvo. A deambulação inicial dá lugar à partilha dos momentos mais íntimos, do acompanhar das rotinas quotidianas, do abrir do baú da(s) memória(s), como se estivéssemos na presença de um parente distante de visita às raízes familiares. O sentido de partilha e de generosidade da população do Corvo com o Gonçalo e do Gonçalo com o público resulta em algo especial. E esse facto não tem passado despercebido a quem vê o filme, seja em Locarno, em São Francisco, Madrid ou Buenos Aires, lugares por onde tem passado e amealhado prémios. Há uma partilha de identidade(s) sem recurso a uma localização geográfica pré-determinada.

Vem esta entrada a propósito de 2 situações. A primeira tem a ver com a displicência com que, localmente, ignoramos acontecimentos culturais ímpares, que passam entre nós, com a agravante de atribuirmos notoriedade a quem ostensivamente não a tem - situação que urge alterar. Não podemos balizar tudo pelo mesmo diapasão. E esta discussão não tem nada a ver com o que é popular ou erudito. Isso é 'entretenimento' para quem não sabe ou não tem nada para dizer.

A segunda está intimamente associada ao Gonçalo, nomeadamente, no que concerne ao reconhecimento internacional que a jovem cinematografia portuguesa tem tido, nos tempos mais recentes, e do quão mal estamos em termos de Cultura na República. A falta de meios não explica tudo e não colhe. Ninguém está indiferente à redução de meios e à contenção a que estamos, todos, sujeitos (dificuldades com que o sector cultural sempre se deparou e com as quais sempre trabalhou). Estamos, sim, a falar do corte total e absoluto de verbas por opção ideológica. Uma acção que motivou a ida à Comissão de Educação, Ciência e Cultura, da Assembleia da República, dos realizadores Miguel Gomes, João Salaviza e Gonçalo Tocha, para «(...) deixaram bem vincado o paradoxo. Num momento em que uma nova geração de cineastas acumula prémios em festivais internacionais de renome, o cinema em Portugal corre o risco de desaparecer (...)».

Esta e outras situações são reveladoras do estado de espírito em que vive o país, quando pequenas conquistas, da Cultura ao Estado Social, são colocadas em causa pela ausência de políticas com critérios bem definidos e, de momento, são deixadas à mercê da "livre iniciativa".

Ao contrário da ideologia vigente "o valor da Cultura não se mede pelo montante da sua conta no Orçamento" (nas palavras do escritor João Ricardo Pedro). O olhar íntimo de Gonçalo Tocha sobre a realidade de um pequeno universo de ilha é, ou permitam-me que o leia deste modo, o repositório de uma humanidade e esperança perdidas na voragem destes dias e do clima suicidário que se instalou na Europa. "Parar é morrer" disse Manoel de Oliveira na sua mensagem aos deputados da Assembleia da República. Faço minha a lucidez das suas palavras.

* Publicado na edição de 21/05/12 do AO
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Álvaro, a quanto obrigas!

O que ontem era verdade hoje pouco importa.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Encerrado à circulação





















Por altura das maiores festas religiosas dos Açores os WC’s públicos, na cidade que as acolhe, estão fechados (o 'Metro' na Av. Infante D. Henrique estava ontem, pelas 20h00, encerrado à circulação). Convém referir que a menos de 100 metros estão instaladas as chamadas 'barracas' de comes e bebes que, anualmente, juntam muitas centenas, para não falar de milhares de pessoas, que não têm acesso a instalações sanitárias em número (e condições) suficientes. O que por si já é condenável e reprovável.

Passam os anos mas esta chaga não se altera. Será esta visão cosmopolita da autarquia?! Ou estará, também ela (a visão, entenda-se), fechada por imposição da troika?!!

terça-feira, 15 de maio de 2012

No comments

Proposta prevê redução superior a 40% nas passagens aéreas

O silêncio de Lisboa diz quase tudo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mau tempo

Estrada » Feteiras » Vista do Rei, São Miguel













O mau tempo que se tem feito sentir nos últimos dias, no arquipélago, já provocou inúmeros prejuízos materiais e alguns insólitos. Felizmente, e até ao momento, sem vítimas a registar.

sábado, 12 de maio de 2012

Desiquilibrado?!

Marcelo Rebelo de Sousa diz que declaração de Passos Coelho foi "desequilibrada"
O país passa a vida a tentar interpretar o que dizem os mais altos magistrados da nação. Será um problema das massas ou um desiquilíbrio de poder(es)?!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Penoso

Viegas diz que Europa Criativa libertará entidades culturais da dependência de subsídios
A postura do SEC revela, a cada dia que passa, um enorme desconhecimento do sector que ele, supostamente, governa.

Confesso que, sem grande surpresas, isto já começa a ser penoso.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O dia seguinte

"Hollande: austeridade não é uma fatalidade"
Infelizmente, o entendimento dos mercados é outro.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Haja 'esperança'!

Esperança, Campo de São Francisco, Abril 2005
















«(...) A 18 de Abril deste ano a "Google" prestou homenagem com logótipo personalizado ao poeta açoriano Antero de Quental, assinalando os 170 anos do seu nascimento. Antero de Quental suicidou-se em 1891, em Ponta Delgada, deixando o seu nome inscrito na Poesia e Cultura portuguesas.

Com o aproximar das Festas do Senhor Santo Cristo lá estão (mais uma vez) as barraquinhas a tapar o banco onde se matou o poeta e a âncora com a palavra “esperança” inscrita.


Não era já tempo da Câmara Municipal de Ponta Delgada ter protegido aquele local? Era. (...)


O Governo dos Açores já fez a sua parte: criou o "Roteiro Cultural Antero de Quental", permitindo assim convidar os locais e visitantes a fazerem parte da história desta cidade, vivendo-a.


Um povo sem história (sabemos todos) é um povo sem memória. E Antero de Quental merece maior respeito do poder municipal… (...)»
Entrada pertinente de Mariana Matos hoje com o AO.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pontos no i's

Carlos César diz que há uma estratégia de desresponsabilização do Governo da República com aliados nos Açores
É necessário reagir a esta contínua onda de desresponsabilização da República (para não lhe chamar outra coisa) em torno de questões fundamentais.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A tomar nota

«(...) Para os que criticam tudo, cumpre recordar que o PIB de Portugal é hoje sete vezes maior do que o de 1950, duas vezes maior do que o de 1974, e corresponde a mais de 80% do que era quando aderimos à CEE. Além disso, a economia portuguesa foi uma das que mais se desenvolveram de 1980 até 2001: nesta data, tínhamos a 3.ª taxa de desemprego mais baixa do Sul da Europa, e também a 3.ª mais baixa da CEE a 12 (números do Prof. João César das Neves).

A grande crise surgiu, como se sabe, em 2008-09, a partir da América. Mas veio encontrar-nos bastante debilitados: por um lado, se o aumento da produtividade entre 1999 e 2008 foi bom, 7,59%, a subida dos salários reais foi excessiva, 6,58%. (Compare-se com a Alemanha: 8,69 v. 2,67); por outro lado, o défice da balança de transacções com o exterior quase quadruplicou entre 1996 e 2010 - por isso, até 1997, o nosso endividamento externo passou de 0,8% para 3,6% do PIB; em 1998, atingiu 5%; e de 2000 a 2010, duplicou outra vez, chegando aos 9,8% do PIB.

Em tudo isto há culpas da nossa parte, claro (já identificadas). Porém, houve dois factores externos que nos empurraram mais para baixo: primeiro, desde 2000 a Alemanha encorajou-nos a gastar mais para aproveitar o baixo custo do dinheiro, e nós comprámos-lhe tudo o que pudemos; depois, face à crise de 2008-09, a Alemanha acusou-nos de gastar de mais e de não sabermos controlar os nossos gastos. Realmente...
(...)»
Diogo Freitas do Amaral no Público de 25 ABril'12.

terça-feira, 24 de abril de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Doodle















Ontem Antero foi alvo do Google.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Provincianismo

«(...) Berta Cabral aproveitou a oportunidade para anunciar, ainda, a realização, no princípio do mês de junho de uma visita guiada aos bastidores de Serralves, que se encontra aberta aos artistas de todas as ilhas. Esta visita guiada, adiantou, poderá estender-se a Guimarães – Capital Europeia da Cultura – e surge numa altura em que a fundação está a realizar o seu maior evento anual, Serralves em Festa. Adiantou que os custos inerentes à participação dos artistas açorianos nesta visita guiada estão a cargo dos próprios, (...)»
Convidar os artistas para conhecer um Museu (!) e depois pedir-lhes que paguem do seu bolso?!! Há aqui qualquer coisa que me escapa...

Assim se faz campanha (a tempo inteiro) prometendo o que não se tem (e passando um atestado de menoridade aos artistas locais). Uma atitude provinciana e inqualificável!

domingo, 15 de abril de 2012

Noite de Festa



Esta search teve inicialmente outro nome - podia ter sido The Party's Over ou Desesperadamente à procura dos nossos 'discos perdidos' - e foi revelada, este sábado, na abertura do Panazorean.

A 1ª parte desta viagem termina, em parte, com este filme.

Ao Nuno, aquele Abraço.