domingo, 24 de junho de 2012

domingo, 17 de junho de 2012

Weekend Postcards





















«(...) Tenho de tratar da vida mas aguento, estou na minha hora da poesia (...)»
+ na Companhia das Ilhas.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A crise quando nasce é para todos

A crise veio para ficar, dirão alguns. O certo é que ela tem permanecido mais do que seria desejável e irá continuar a condicionar o nosso quotidiano até final do corrente ano e, muito provavelmente, durante o próximo.

Para o distinto economista Daniel Bessa só agora é que estamos a chegar aos "momentos mais duros". Ainda mais?! A questão que se coloca é: qual o corte que se segue?!

Para fazer cumprir as metas estabelecidas e com a derrapagem na receita fiscal a gorar as previsões do Estado, o grau de exigência irá aumentar. Não existindo um aumento do prazo de ajustamento, terá de ser tudo aplicado e conseguido durante o próximo ano. E, neste processo de consolidação, será muito difícil a economia crescer (nas palavras 'insuspeitas' de Manuela Ferreira Leite) e será utópica a ideia de que as exportações são o único motor de alavancagem de toda a economia nacional. Apesar de ser o sector que melhor desempenho tem tido, a sua intensidade já foi menor no 1º trimestre deste ano, fruto do desaceleramento de toda a economia europeia e sobretudo dos países para os quais exportamos, que, salvo a Alemanha (e não será por muito tempo), estagnaram.

O erro alemão (para não dizer europeu) passou por considerar "que a crise era apenas dos outros, dos gregos, dos portugueses, dos espanhóis e dos italianos". Por esta hora, isso "já não é uma opção", pela simples razão de que hoje, "a política económica não pode fazer-se nos limites exclusivos das fronteiras nacionais" (in Spiegel Online).

Mas a (in)tranquilidade alemã fez despertar a Europa. E o discurso da 'austeridade absoluta' passou a dar lugar à receita do 'crescimento obrigatório'. Somam-se os planos para reduzir os assustadores números do desemprego e devolver (!) a confiança aos consumidores. Mas tal não se vislumbra tarefa fácil e agora são também aqueles que mais induziram ao consumo os que mais sofrem com ele - os bancos. E são, também eles, os que mais desconfianças geram no sector financeiro, que é quem, no fundo, balança todo o sistema económico onde nos inserimos.

Enquanto escrevo estas linhas discute-se se irá haver ou não resgaste à Espanha, a maioria parlamentar na Assembleia da República chumba a descida do IVA na restauração, comenta-se a perda dos feriados nos próximos anos e o quão absurdo esta decisão é (pelo menos nos propósitos que consubstanciam esta interrupção) e Batista Bastos assinala com a sua habitual acutilância a 'miséria moral' das declarações de António Borges, conselheiro do governo da República para as privatizações, ao afirmar sem dó nem complacência que "a diminuição de salários, em Portugal, não é uma política, é uma urgência e uma emergência." A indignação foi a que foi e teve a anuência e patrocínio do 1º Ministro, cuja acção irracional está, nas palavras do Prof. Viriato Soromenho-Marques, «a rasgar todos os limites» da nossa dignidade.

E antes mesmo de terminar, a agência de notação financeira Fitch lança um relatório (mais um!) onde 'acredita' que a Europa vai sair da actual crise, mas, para isso, precisa de mais medidas de austeridade. Os cenários são mais ou menos catastróficos e incluem 5 possibilidades para um futuro próximo: "a saída da Grécia; uma quase-união orçamental; um euro-marco (onde os países mais fortes, como a Alemanha, deixariam o euro); uns Estados Unidos da Europa; o fim da união monetária" (in Agência Financeira).

Nada que faça perder a tranquilidade de um país à beira de um campeonato europeu de futebol. Por cá, os tempos não são menos conturbados, mas assistimos à renovação e à projecção do futuro e do património comum com responsabilidade e confiança.

* Publicado na edição de 11/06/12 do AO
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Está?!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Os Açores não estão a saque
















Esta semana fomos confrontados com um conjunto de notícias reveladoras de uma perigosa "hemorragia" que, se não for estancada em tempo devido, corre o risco de imobilizar um número significativo de serviços do Estado na Região Autónoma dos Açores.

Desde o início desta "ordem para cortar", os Açores têm agido com responsabilidade perante as exigências do desígnio orçamental. Porém, parte da aplicação que nos é imposta tem sido feita em surdina, sem olhar às idiossincrasias de um espaço geograficamente descontinuado, e sem articulação, ou com deficits de atenção, para com as entidades regionais - que nunca, e isso convém que seja dito, se colocaram à margem das consequências dos ajustamentos aplicados aos serviços do Estado, cujo emagrecimento tem reflexos imediatos na qualidade dos serviços prestados às populações.

Aliás, temos assistido exactamente ao oposto. Ou seja, o Governo Regional tem agido cirurgicamente, com os pouco meios financeiros que tem ao dispor, quer para tentar suprir a falta de condições, em alguns casos mínimas, de funcionamento de algumas instituições nacionais, ou tentando atenuar os cortes orçamentais com que foram contempladas, quer assinalando o "desmantelamento das funções de soberania e da sua representação na Região", que se verifica ao nível do encerramento de Tribunais, da acção da Polícia de Segurança Pública, da Universidade dos Açores, da fibra óptica para as Flores e Corvo, das obrigações de serviço público no transporte aéreo, do aparente fecho de Serviços de Finanças e do anúncio da redução da emissão e passagem efectiva a "janela" da RTP/A.

Nada disto tem sido feito com parcimónia. O que me espanta é que a indignação de ontem tenha dado lugar a uma passividade generalizada e ao dislate oficial - se estás mal, emigra! O receio da população adensa-se, como ontem afirmou o antigo presidente Jorge Sampaio, pois «no centro da crise estão pessoas - pessoas que temem pelos seus empregos, que receiam pelo seu futuro; no centro da crise estão cidadãos que começam a ficar dominados pelo medo, pela desconfiança e pelo ressentimento, uma mistura explosiva a que há que saber dar resposta».

O actual Governo da República tem tido poucas respostas e tem pautado a sua acção de modo fortuito, confundindo rigor com cortes cegos, agindo de forma arrogante e desculpando-se com os "erros do passado", fazendo tábua rasa do que havia dito em campanha eleitoral.

Não queremos exigir mais da República e temos todos de contribuir para um esforço nacional de eficiência e racionalização de meios. Mas temos o direito de chamar o Estado a cumprir as responsabilidades que exerce em território regional. Não podemos desistir de reivindicar, nem aceitar a alienação do património autonómico sob as promessas da resolução desse deficit por via demagógica e populista e com anúncios de ocasião para tudo aquilo que são funções e obrigações do Estado. A não ser que sejamos adeptos do "estado mínimo", com todas as implicações que isso comporta. Será que quem preconiza esta agenda tem como único objectivo obrigar a região a pedir um resgate financeiro como o da Madeira? Ou quererá entregar a Autonomia Regional ao Terreiro do Paço?! "Os Açores não estão a saque", como afirmou responsavelmente (e bem) Vasco Cordeiro em São Jorge.

* Publicado na edição de 04/06/12 do AO
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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Tuning


Portas da Cidade, Ponta Delgada, Maio'2012



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Singularidade Qualificada














Apesar da austeridade e da falta de oportunidades para todos, existem ainda boas notícias. O Açoriano Oriental deu destaque à utilização de rendas do Pico por parte da mais internacional das artistas nacionais – Joana Vasconcelos. A artista prepara uma exposição em Versailles, França, que, desde 2008, convida artistas contemporâneos a exporem no espaço. A estratégia visa captar mais público para um local inscrito no roteiro do turismo cultural mundial, mas que necessita de se reinventar.

Outra notícia que merece ser realçada tem a ver com os prémios de Museu Europeu do Ano, em que o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos foi finalista. Não ganhou, mas apenas o facto de constar da lista de seleccionados é per si uma vitória. Quer o projecto de arquitectura, quer a produção de conteúdos valorizam este projecto e tornam-no distinto, posicionando-nos de forma qualitativa numa rede europeia. A selecção do Centro de Interpretação evidencia o valor dos programas que visam potenciar aquilo que nos distingue, em vez das propostas de cópia de modelos falidos ou de réplica do que não se aplica à nossa realidade.

A este propósito, recordo o que escreveu António Pinto Ribeiro sobre os mitos do Turismo Cultural (Público/Ípsilon de 11/05/12) e sobre outros mitos que por cá se têm propagandeado. Primeiro, porque a depressão colectiva causada pela inevitabilidade da austeridade (agravada por irmos para além da Troika) deu lugar a uma retórica do crescimento, no seguimento da vitória de François Hollande, que até aqui tinha sido amplamente criticada por quase todos e que agora passou a 'solução' para todas as nossas maleitas. Segundo, também a subida dos impostos directos ao sector turístico e cultural, com o IVA à cabeça, fez com que o governo da república conseguisse atrofiar «(...) uma actividade que é uma fonte de receitas importante para o país», sem que importem «os custos sociais e ambientais que tal pode provocar», bem como «conduziu à criação de mais uma mítica solução económica para o país».

Neste sentido, também a notoriedade e a valorização do destino Açores não se faz apenas com a possibilidade de turistas e residentes viajarem de forma mais acessível, isto apesar das passagens estarem, actualmente, a valores médios mais baixos com preços de combustíveis mais altos. Não obstante, esta é uma revindicação legítima e que é de todos. O que se estranha é que quem faz bandeira disto, não fale da necessária qualificação dos diversos sectores associados ao Turismo. Mais estranho, ainda, é que dois ex-presidentes da SATA não saibam como baixar as tarifas aéreas, nem apontar um valor para tal redução e que não o tenham feito no tempo devido. Felizmente, há quem o saiba fazer sem onerar as obrigações de serviço público.

Nos Açores não devemos «encenar a História» nem fazer dela um «espectáculo» e muito menos aderir a uma «lógica da espectacularidade populista», por muito que nos digam que isso é o está a dar. Devemos, isso sim, pugnar pela qualificação e pela singularidade que nos distinguem, como fazem as rendas do Pico nas obras de Joana Vasconcelos ou o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos.

* Publicado na edição de 28/05/12 do AO
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terça-feira, 29 de maio de 2012

É d' Homem!

«(...) Ainda hoje é possível ver como tudo o que depende da administração central anda mais devagar e tudo quanto somos chamados a fazer por nós anda mais depressa. (...)
O último discurso de Carlos César, ontem, nas comemorações do Dia dos Açores, é revelador do Homem que é e tem sido como Presidente do Governo. Ninguém ficou indiferente às palavras que proferiu. Sobretudo quem não o aplaudiu.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Parar é Morrer

RX, Abril 2012





















O encerramento do Festival Panazorean ficou marcado pela estreia, entre nós, de "É na Terra não é na Lua" o multipremiado filme/documentário do realizador Gonçalo Tocha.

As cerca de 400 pessoas que assistiram às 3 horas de exibição não saíram defraudadas. Se a duração podia, à partida, ser um entrave à mobilização de público, tal não se veio a verificar. A duração pouco conta neste filme, o tempo sim. São 3 horas de exibição pública, mas foram muitas mais as que ficaram em arquivo, como nos confidenciou o realizador na breve conversa que se seguiu à projecção de "É na Terra…". O mais difícil foi o tempo de montagem, o de construir um filme com base num 'arquivo' de 160 horas recolhidas ao longo de semanas e meses. O registo é de intimidade. A câmara não é um estranho, um intruso. Passou, sim, a ter o estatuto de mais um elemento na 'imensa família' que habita o Corvo. A deambulação inicial dá lugar à partilha dos momentos mais íntimos, do acompanhar das rotinas quotidianas, do abrir do baú da(s) memória(s), como se estivéssemos na presença de um parente distante de visita às raízes familiares. O sentido de partilha e de generosidade da população do Corvo com o Gonçalo e do Gonçalo com o público resulta em algo especial. E esse facto não tem passado despercebido a quem vê o filme, seja em Locarno, em São Francisco, Madrid ou Buenos Aires, lugares por onde tem passado e amealhado prémios. Há uma partilha de identidade(s) sem recurso a uma localização geográfica pré-determinada.

Vem esta entrada a propósito de 2 situações. A primeira tem a ver com a displicência com que, localmente, ignoramos acontecimentos culturais ímpares, que passam entre nós, com a agravante de atribuirmos notoriedade a quem ostensivamente não a tem - situação que urge alterar. Não podemos balizar tudo pelo mesmo diapasão. E esta discussão não tem nada a ver com o que é popular ou erudito. Isso é 'entretenimento' para quem não sabe ou não tem nada para dizer.

A segunda está intimamente associada ao Gonçalo, nomeadamente, no que concerne ao reconhecimento internacional que a jovem cinematografia portuguesa tem tido, nos tempos mais recentes, e do quão mal estamos em termos de Cultura na República. A falta de meios não explica tudo e não colhe. Ninguém está indiferente à redução de meios e à contenção a que estamos, todos, sujeitos (dificuldades com que o sector cultural sempre se deparou e com as quais sempre trabalhou). Estamos, sim, a falar do corte total e absoluto de verbas por opção ideológica. Uma acção que motivou a ida à Comissão de Educação, Ciência e Cultura, da Assembleia da República, dos realizadores Miguel Gomes, João Salaviza e Gonçalo Tocha, para «(...) deixaram bem vincado o paradoxo. Num momento em que uma nova geração de cineastas acumula prémios em festivais internacionais de renome, o cinema em Portugal corre o risco de desaparecer (...)».

Esta e outras situações são reveladoras do estado de espírito em que vive o país, quando pequenas conquistas, da Cultura ao Estado Social, são colocadas em causa pela ausência de políticas com critérios bem definidos e, de momento, são deixadas à mercê da "livre iniciativa".

Ao contrário da ideologia vigente "o valor da Cultura não se mede pelo montante da sua conta no Orçamento" (nas palavras do escritor João Ricardo Pedro). O olhar íntimo de Gonçalo Tocha sobre a realidade de um pequeno universo de ilha é, ou permitam-me que o leia deste modo, o repositório de uma humanidade e esperança perdidas na voragem destes dias e do clima suicidário que se instalou na Europa. "Parar é morrer" disse Manoel de Oliveira na sua mensagem aos deputados da Assembleia da República. Faço minha a lucidez das suas palavras.

* Publicado na edição de 21/05/12 do AO
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Álvaro, a quanto obrigas!

O que ontem era verdade hoje pouco importa.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Encerrado à circulação





















Por altura das maiores festas religiosas dos Açores os WC’s públicos, na cidade que as acolhe, estão fechados (o 'Metro' na Av. Infante D. Henrique estava ontem, pelas 20h00, encerrado à circulação). Convém referir que a menos de 100 metros estão instaladas as chamadas 'barracas' de comes e bebes que, anualmente, juntam muitas centenas, para não falar de milhares de pessoas, que não têm acesso a instalações sanitárias em número (e condições) suficientes. O que por si já é condenável e reprovável.

Passam os anos mas esta chaga não se altera. Será esta visão cosmopolita da autarquia?! Ou estará, também ela (a visão, entenda-se), fechada por imposição da troika?!!

terça-feira, 15 de maio de 2012

No comments

Proposta prevê redução superior a 40% nas passagens aéreas

O silêncio de Lisboa diz quase tudo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mau tempo

Estrada » Feteiras » Vista do Rei, São Miguel













O mau tempo que se tem feito sentir nos últimos dias, no arquipélago, já provocou inúmeros prejuízos materiais e alguns insólitos. Felizmente, e até ao momento, sem vítimas a registar.

sábado, 12 de maio de 2012

Desiquilibrado?!

Marcelo Rebelo de Sousa diz que declaração de Passos Coelho foi "desequilibrada"
O país passa a vida a tentar interpretar o que dizem os mais altos magistrados da nação. Será um problema das massas ou um desiquilíbrio de poder(es)?!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Penoso

Viegas diz que Europa Criativa libertará entidades culturais da dependência de subsídios
A postura do SEC revela, a cada dia que passa, um enorme desconhecimento do sector que ele, supostamente, governa.

Confesso que, sem grande surpresas, isto já começa a ser penoso.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O dia seguinte

"Hollande: austeridade não é uma fatalidade"
Infelizmente, o entendimento dos mercados é outro.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Haja 'esperança'!

Esperança, Campo de São Francisco, Abril 2005
















«(...) A 18 de Abril deste ano a "Google" prestou homenagem com logótipo personalizado ao poeta açoriano Antero de Quental, assinalando os 170 anos do seu nascimento. Antero de Quental suicidou-se em 1891, em Ponta Delgada, deixando o seu nome inscrito na Poesia e Cultura portuguesas.

Com o aproximar das Festas do Senhor Santo Cristo lá estão (mais uma vez) as barraquinhas a tapar o banco onde se matou o poeta e a âncora com a palavra “esperança” inscrita.


Não era já tempo da Câmara Municipal de Ponta Delgada ter protegido aquele local? Era. (...)


O Governo dos Açores já fez a sua parte: criou o "Roteiro Cultural Antero de Quental", permitindo assim convidar os locais e visitantes a fazerem parte da história desta cidade, vivendo-a.


Um povo sem história (sabemos todos) é um povo sem memória. E Antero de Quental merece maior respeito do poder municipal… (...)»
Entrada pertinente de Mariana Matos hoje com o AO.