quinta-feira, 26 de julho de 2012

Love Will Tear Us Apart

Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Esta é magistral!



segunda-feira, 23 de julho de 2012

A propósito de 'manobras políticas' e 'momentos nobres'

«(...) Em política o faz-de-conta até pode ficar bonito na fotografia, mas não cola, não pega com os valores do serviço e do compromisso, que exigem transparência, honestidade e seriedade. "As pessoas cansam-se da política e dos políticos, quando em excesso de aparição, acabam por cair na tentação de promessas eleitorais que podem roçar a demagogia" (José Manuel Bolieiro, 18 Julho 2012). (...)»
A crónica de Piedade Lalanda faz a síntese do quem sido a acção política da autarca, líder e agora candidata do PSD/A. O 3º e último mandato na maior cidade dos Açores (fazendo esquecer - no discurso e na prática - o resto do concelho) é penoso e serviu apenas de palco e sede para a sua candidatura.

Recomendo a leitura, na íntegra, da entrevista de José Manuel Boleiro onde é evidente o afastamento com quem agora sai - "Não faço da política, nem nunca o fiz, um palco de promoção pessoal". Berta Cabral não poderá dizer o mesmo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A ver vamos

"O Senhor Primeiro-Ministro garantiu que não há qualquer influência partidária em decisões que têm sido atrasadas e ficou, de resto, assente que, em algumas delas, como no que diz respeito às definições das obrigações de serviço público que permitirão, sem qualquer encargo adicional para o Estado, que possam diminuir em média, o preço nas ligações aéreas entre os Açores e o continente em mais de 40%, garantindo que esse processo terá um desenvolvimento mais rápido proximamente e que também alguns dossiers mais específicos, de desafetação de alguns bens do domínio público para a Região Autónoma, e que nos interessam, também serão resolvidos rapidamente", sublinhou.
A conferir nos dias mais próximos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Riscos e incertezas















De acordo com os dados divulgados na passada 6ª feira, 29 de Junho, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o défice das administrações públicas atingiu os 3,2 mil milhões de euros até Março, o equivalente a 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Este valor está 0,4 pontos percentuais acima do registado no período homólogo do ano passado (7,5%), o que significa que o défice piorou face ao de 2011 (dados retirados do Público).

Ora, perante situação idêntica, o actual 1º Ministro acusou o anterior de "fugir à realidade da recessão do início deste ano, sublinhando que foi causada "pelas políticas erradas" do Governo (...), só para não ter de reconhecer que as políticas que ele próprio liderou estão erradas". Neste momento actual, apetece perguntar quem é que anda a "fugir à realidade" e não reconhece as políticas erróneas, apressadas e tremendamente demagógicas?!

Com este cenário, os objectivos traçados para o cumprimento do deficite orçamental, para 2012, estão seriamente comprometidos e, segundo o que foi dito na semana passada pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, repletos de "riscos e incertezas".

Apesar do que tem sido dito e com este cenário depressivo esperam-se, a qualquer momento, novas medidas de austeridade. Mesmo que nos digam que a execução é suficiente e que o "Governo não está a contemplar medidas adicionais". O Presidente da República já fez o pré-anúncio, ao admitir "que podem ser abertas excepções se esses sacrifícios incidirem sobre quem "tenha sido poupado" e que "será muito difícil voltar a exigir sacrifícios aos que já foram chamados a contribuir significativamente para a redução dos nossos desequilíbrios económicos e financeiros". O Presidente confia na palavra do Ministro das Finanças. No entanto, o 1º Ministro confirmou aquilo que ninguém, para já, confirma: "Se isso for necessário, assim o farei", garantiu Pedro Passos Coelho, no debate de apresentação da moção de censura do PCP ao Governo.

Os receios são generalizados, desde que foram conhecidos os números da execução orçamental. O que torna surpreendentes as declarações do Presidente da República, durante as celebrações do 10 de Junho, ao ter afirmado que "existem sinais que nos permitem ter confiança no futuro. Nada está garantido, até porque é grande a nossa dependência do exterior, mas alguns indicadores permitem-nos ter esperança de que a recuperação económica pode ser uma realidade não muito distante". Percebo a necessidade de gerar algum tipo de conforto e esperança nos portugueses, mas qual será a definição para: “alguns indicadores”?! Se isso não fosse suficiente e perante esta execução orçamental comentou que a "credibilidade do país será tida em conta". Fuga à realidade?!

O que não é surpresa para ninguém é que o défice seja, no primeiro trimestre, "ainda maior do que no ano passado". Não me parece que seja necessário ser superdotado ou economista para perceber que as medidas infligidas aos portugueses pelo governo de Passos Coelho só poderiam resultar num agravamento do estado geral da economia, já de si debilitada e, concomitantemente, no colapso eminente das condições sociais da população portuguesa.

Senão vejamos: as receitas fiscais estão a cair 3,5%, enquanto no Orçamento do Estado rectificativo, o Executivo previa que crescessem 2,6% no conjunto do ano. Além disso, o desemprego já reduziu a metade o saldo da Segurança Social, quer devido a uma quebra superior à prevista das receitas das contribuições sociais, quer devido a um aumento maior das despesas com subsídios de desemprego e outras prestações sociais. E o que faz o governo de Passos Coelho secundado pelo Ministro da Solidariedade e Segurança Social? Apresenta como uma medida a fiscalização (cega!) aos beneficiários do RSI - com a entrada em vigor em Julho das novas regras na atribuição das prestações sociais - com todas as repercussões sociais negativas que daqui advirão. É este o plano de emergência social defendido pelo 1º Ministro?! O tempo é de demagogia. Ao fim do 1º ano de governo falou muito e executou pouco. Adia a implementação de medidas estruturantes e tarda em concretizar o crescimento de que o país necessita.

A Europa teima em não se entender. E a cimeira europeia provocou, para já, uma ‘alta’ nos mercados. Resta saber se o efeito é duradouro. Os tempos mais próximos são, infelizmente, de "riscos e incertezas".

* Publicado na edição de 02/07/12 do AO
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segunda-feira, 9 de julho de 2012

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Touca, para que te quero!














Será este o significado de "simplificar e desburocratizar"?! Espero que a IRAE não tenha visto isto...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A propósito de 'festas'

«(...) Sobretudo neste tempo, em que aqueles que querem fazer perdurar o seu poder, desresponsabilizam e substituem-se aos cidadãos e às naturais e espontâneas manifestações culturais de comunidade. Esse abafar desresponsabilizante da sociedade e dos cidadãos tem o nefasto efeito de solidificar e cristalizar algo que deve estar em permanente e natural evolução e dinâmica: a Cultura! Cultura que deve ser livre de domínios, tutelas e condicionalismos. (...)»
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência (ou um lapso como agora se diz).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Uma política do gosto... Ou da falta dele.

Na semana que passou criadores, agentes e representantes do sector cultural reuniram-se no Teatro São Luiz, em Lisboa, para uma reflexão sobre o estado da Cultura em Portugal.

Este encontro marcou uma tomada de posição destes profissionais perante o actual "(...) esvaziamento das políticas culturais e pelo desrespeito pela Cultura e pelos seus representantes".

A propagação da ideia que a Cultura é despesista e uma das áreas, da sociedade portuguesa, que mais contribuiu para o deficit do país, deve ser combatida de forma veemente, pelas inverdades que comporta e pela arrogância demonstrada por quem ignora as dinâmicas do sector. Rui Vieira Nery deu voz à indignação: "Não somos uns parasitas a viver do erário público".

Nestes dias de sufoco financeiro, o discurso crítico à Cultura granjeia adeptos pelo carácter populista e demagógico que encerra, não é verossímil e anula qualquer opção racional perante a situação difícil que todos atravessamos. Quem vive da Cultura não ignora a realidade que nos rodeia. Aliás, mesmo sem esta crise, este foi um sector que sempre subsistiu com dificuldades e com base na imensa disponibilidade (muita das vezes simbólica e gratuita) de quem actua, organiza e produz.

2012 é considerado, por quase todos, um ano zero no que aos apoios diz respeito, na medida em que a SEC (Secretaria de Estado da Cultura) "não abriu concursos para nada". Não estamos perante um acto isolado, um 'acidente de percurso' mas, sim, de um "propósito". Esta acção ou inacção governativa age sob uma égide ideológica. A ideia de que a cultura pode viver, única e exclusivamente, do "mercado" é uma falácia e é, na sua génese, uma ideia "perigosa". Não renego a necessidade de tornar sustentável, na medida do que for possível, o sector criativo. Pelo contrário. No entanto, existem áreas cuja rentabilidade é difícil e cujo objecto dificilmente poderá ser 'rentável'. Pelo que exigir que as necessidades de criação e fruição sejam apenas e somente garantidas pelo acto de "compra e venda no mercado" faz com que, nesta concepção, haja uma demissão inequívoca do Estado. O que, no meu entender, é, e para ser brando em palavras, inaceitável!

Paralelamente, e a propósito da nomeação do representante de Portugal para a Bienal de Veneza em 2013, ficamos a saber que, ao contrário do que tem sido o procedimento habitual e normal neste tipo de organização, não houve a nomeação a priori de um comissário ou júri que tenha desencadeado o processo de selecção, de modo a assegurar a salvaguarda dos criadores da "distância do poder". Tal não se veio a verificar. A opção da representação é uma "escolha directa da SEC" e a posteriori é que irá decorrer o processo formal. Nada mais errado.

Ainda a propósito deste episódio não posso deixar de reproduzir o que escreveu Vanessa Rato (no Público): "(...) Não é demais repetir: ao Estado compete delinear estratégias - por exemplo, decidir se a cada dois anos Portugal deve ter um representante em Veneza (e, nesse caso, assegurar os meios para que tal possa suceder); ao Estado não compete ter um gosto - ou seja, escolher quem vai a Veneza. Por corresponder a uma escolha directa do Estado, a presença de Portugal na Bienal de Veneza de artes plásticas de 2013 traduzirá uma estética do poder, uma arte oficial. Politicamente, o retrocesso dá sopro de vida às piores sombras e fantasmas". Os exemplos sucedem-se.

O que está em causa são conquistas de 30 anos. A impreparação da actual equipa governativa (da República) ou a sua aparente falta de visão estratégica podem deitar por terra "todo este capital cultural e simbólico", nas palavras de António Pinto Ribeiro.

Temos, isso sim, de saber potenciar a "qualidade da criação artística que existe no país" e na região. Os Açores têm inúmeras capacidades neste sector e devemos maximizá-las com renovado fulgor mesmo e apesar de outros "fantasmas" que teimam em resgatar ideias avulsas, datadas e desfasadas daquilo que é hoje o arquipélago e toda uma nova geração de criadores (jovens e menos jovens).

Actualmente, somos confrontados com o discurso da 'inevitabilidade' e com uma política do gosto… Ou da falta dele. O Futuro também passa por aqui...

* Publicado na edição de 25/06/12 do AO
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quinta-feira, 28 de junho de 2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Faz o que te digo, não faças o que eu faço

A capacidade de fruição cultural é coisa que não se adquire de um momento para o outro. É necessário gerar um hábito regular e sustentado no acesso a espaços de cultura (bibliotecas, cinemas, galerias de arte, livrarias, museus, salas de espectáculos) ou através da participação directa nas actividades de uma determinada colectividade (associação juvenil, grupo de teatro, filarmónica), por forma a alimentar e consolidar o interesse, o conhecimento e o gosto.

A prática do actual Governo da República tem ditado outra coisa, ao reduzir a importância da Cultura, mesmo que simbólica, pela supressão do Ministério da Cultura para dar lugar a uma Secretaria de Estado à sombra do Ministro-adjunto (e não do 1º Ministro como nos dizem ser), deixando o sector cultural diminuído, num estado calamitoso, estagnado e com o futuro (próximo) seriamente comprometido. Por cá, apregoa-se um mundo de oportunidades de forma dúbia, assegurada e difundida pela multifuncionalidade institucional e querendo fazer passar uma coisa por outra, quando num ciclo de conferências - de última hora - se debita que "não se pode continuar a encarar a cultura como área menor na acção governativa" nem poderá confundir-se a política cultural "com uma simples concessão de subsídios ou apoios aos agentes culturais". Perante mais este ditame, o que dizer desta notícia: "A Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada assinou hoje protocolos de cooperação com cerca de meia centena de instituições do concelho ligadas à cultura e ao desporto"?! Apenas me ocorre um provérbio popular para desmascarar esta súbita deriva cultural: 'faz o que te digo, não faças o que eu faço'.

A verborreia inconsequente com a realidade dos factos e preenchida de lugares comuns como se fossem dados irrefutáveis, que, ditos repetidamente, passam a constar como verdade insofismável é, ou têm sido, apanágio da candidata à presidência do governo do maior partido da oposição.

Da Região Económica agora passamos a Região Cultural – e o que é isto significa?! Nada! Muito se diz sobre o que Ponta Delgada conquistou ou fez nos últimos anos, mas a cidade não construiu um evento 'âncora' de referência em termos culturais. Pelo menos não o conseguiu por mérito da autarquia. Felizmente, os agentes locais e as instituições governamentais têm contribuído para o engrandecimento da agenda cultural da cidade. Entidades que são todas, sem excepção, 'ignoradas' pelo município. Dizer o contrário é desconhecer a realidade de quem assiste incrédulo à plêiade de articulistas e notas de imprensa profusamente divulgadas sem critério nem rigor, cuja pretensa 'sapiência' tem dado lugar a tiradas deste tipo: "É preciso deixar de levar pela mão aqueles que podem ir pelo seu pé!" – será este o nível de coloquialismo que a candidata pretende 'promover'?! Nada de novo aqui, pois tem sido este o timbre e a bitola aplicada a Ponta Delgada.

Está bem patente, neste tipo de discurso, uma forte questão ideológica que perpassa o Governo da República e granjeia seguidores na região. Para quem o argumento que: "não há outra alternativa", esta é a "hora da verdade" e dá 'graças' à "livre iniciativa", colhe. Quem agora diz que não quer uma "cultura de estado" (!) agiu de forma contrária ao longo da última década. Confunde-se tudo e todos. Fala-se de questões que pouco têm a ver com a criação artística, nivelando tudo pelo mesmo e sem fazer repercutir as necessidades, as qualidades e o actual panorama artístico regional.

Nos tempos que correm, e contrariamente àquilo que tem sido apanágio das políticas recentes do Governo da República e da SEC, a Cultura precisa de ser ainda mais apoiada, mas por quem sabe do que fala. Não precisamos do recurso a 'lugares comuns' para lutar por melhores condições à criação e divulgação dos criadores açorianos, nem mesmo como forma de 'distinguirmos' a singularidade das nossas tradições, pois quem diz não agir por "preconceitos" assinala-os como de estigmas se tratassem.

* Publicado na edição de 18/06/12 do AO
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domingo, 24 de junho de 2012

domingo, 17 de junho de 2012

Weekend Postcards





















«(...) Tenho de tratar da vida mas aguento, estou na minha hora da poesia (...)»
+ na Companhia das Ilhas.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A crise quando nasce é para todos

A crise veio para ficar, dirão alguns. O certo é que ela tem permanecido mais do que seria desejável e irá continuar a condicionar o nosso quotidiano até final do corrente ano e, muito provavelmente, durante o próximo.

Para o distinto economista Daniel Bessa só agora é que estamos a chegar aos "momentos mais duros". Ainda mais?! A questão que se coloca é: qual o corte que se segue?!

Para fazer cumprir as metas estabelecidas e com a derrapagem na receita fiscal a gorar as previsões do Estado, o grau de exigência irá aumentar. Não existindo um aumento do prazo de ajustamento, terá de ser tudo aplicado e conseguido durante o próximo ano. E, neste processo de consolidação, será muito difícil a economia crescer (nas palavras 'insuspeitas' de Manuela Ferreira Leite) e será utópica a ideia de que as exportações são o único motor de alavancagem de toda a economia nacional. Apesar de ser o sector que melhor desempenho tem tido, a sua intensidade já foi menor no 1º trimestre deste ano, fruto do desaceleramento de toda a economia europeia e sobretudo dos países para os quais exportamos, que, salvo a Alemanha (e não será por muito tempo), estagnaram.

O erro alemão (para não dizer europeu) passou por considerar "que a crise era apenas dos outros, dos gregos, dos portugueses, dos espanhóis e dos italianos". Por esta hora, isso "já não é uma opção", pela simples razão de que hoje, "a política económica não pode fazer-se nos limites exclusivos das fronteiras nacionais" (in Spiegel Online).

Mas a (in)tranquilidade alemã fez despertar a Europa. E o discurso da 'austeridade absoluta' passou a dar lugar à receita do 'crescimento obrigatório'. Somam-se os planos para reduzir os assustadores números do desemprego e devolver (!) a confiança aos consumidores. Mas tal não se vislumbra tarefa fácil e agora são também aqueles que mais induziram ao consumo os que mais sofrem com ele - os bancos. E são, também eles, os que mais desconfianças geram no sector financeiro, que é quem, no fundo, balança todo o sistema económico onde nos inserimos.

Enquanto escrevo estas linhas discute-se se irá haver ou não resgaste à Espanha, a maioria parlamentar na Assembleia da República chumba a descida do IVA na restauração, comenta-se a perda dos feriados nos próximos anos e o quão absurdo esta decisão é (pelo menos nos propósitos que consubstanciam esta interrupção) e Batista Bastos assinala com a sua habitual acutilância a 'miséria moral' das declarações de António Borges, conselheiro do governo da República para as privatizações, ao afirmar sem dó nem complacência que "a diminuição de salários, em Portugal, não é uma política, é uma urgência e uma emergência." A indignação foi a que foi e teve a anuência e patrocínio do 1º Ministro, cuja acção irracional está, nas palavras do Prof. Viriato Soromenho-Marques, «a rasgar todos os limites» da nossa dignidade.

E antes mesmo de terminar, a agência de notação financeira Fitch lança um relatório (mais um!) onde 'acredita' que a Europa vai sair da actual crise, mas, para isso, precisa de mais medidas de austeridade. Os cenários são mais ou menos catastróficos e incluem 5 possibilidades para um futuro próximo: "a saída da Grécia; uma quase-união orçamental; um euro-marco (onde os países mais fortes, como a Alemanha, deixariam o euro); uns Estados Unidos da Europa; o fim da união monetária" (in Agência Financeira).

Nada que faça perder a tranquilidade de um país à beira de um campeonato europeu de futebol. Por cá, os tempos não são menos conturbados, mas assistimos à renovação e à projecção do futuro e do património comum com responsabilidade e confiança.

* Publicado na edição de 11/06/12 do AO
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Está?!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Os Açores não estão a saque
















Esta semana fomos confrontados com um conjunto de notícias reveladoras de uma perigosa "hemorragia" que, se não for estancada em tempo devido, corre o risco de imobilizar um número significativo de serviços do Estado na Região Autónoma dos Açores.

Desde o início desta "ordem para cortar", os Açores têm agido com responsabilidade perante as exigências do desígnio orçamental. Porém, parte da aplicação que nos é imposta tem sido feita em surdina, sem olhar às idiossincrasias de um espaço geograficamente descontinuado, e sem articulação, ou com deficits de atenção, para com as entidades regionais - que nunca, e isso convém que seja dito, se colocaram à margem das consequências dos ajustamentos aplicados aos serviços do Estado, cujo emagrecimento tem reflexos imediatos na qualidade dos serviços prestados às populações.

Aliás, temos assistido exactamente ao oposto. Ou seja, o Governo Regional tem agido cirurgicamente, com os pouco meios financeiros que tem ao dispor, quer para tentar suprir a falta de condições, em alguns casos mínimas, de funcionamento de algumas instituições nacionais, ou tentando atenuar os cortes orçamentais com que foram contempladas, quer assinalando o "desmantelamento das funções de soberania e da sua representação na Região", que se verifica ao nível do encerramento de Tribunais, da acção da Polícia de Segurança Pública, da Universidade dos Açores, da fibra óptica para as Flores e Corvo, das obrigações de serviço público no transporte aéreo, do aparente fecho de Serviços de Finanças e do anúncio da redução da emissão e passagem efectiva a "janela" da RTP/A.

Nada disto tem sido feito com parcimónia. O que me espanta é que a indignação de ontem tenha dado lugar a uma passividade generalizada e ao dislate oficial - se estás mal, emigra! O receio da população adensa-se, como ontem afirmou o antigo presidente Jorge Sampaio, pois «no centro da crise estão pessoas - pessoas que temem pelos seus empregos, que receiam pelo seu futuro; no centro da crise estão cidadãos que começam a ficar dominados pelo medo, pela desconfiança e pelo ressentimento, uma mistura explosiva a que há que saber dar resposta».

O actual Governo da República tem tido poucas respostas e tem pautado a sua acção de modo fortuito, confundindo rigor com cortes cegos, agindo de forma arrogante e desculpando-se com os "erros do passado", fazendo tábua rasa do que havia dito em campanha eleitoral.

Não queremos exigir mais da República e temos todos de contribuir para um esforço nacional de eficiência e racionalização de meios. Mas temos o direito de chamar o Estado a cumprir as responsabilidades que exerce em território regional. Não podemos desistir de reivindicar, nem aceitar a alienação do património autonómico sob as promessas da resolução desse deficit por via demagógica e populista e com anúncios de ocasião para tudo aquilo que são funções e obrigações do Estado. A não ser que sejamos adeptos do "estado mínimo", com todas as implicações que isso comporta. Será que quem preconiza esta agenda tem como único objectivo obrigar a região a pedir um resgate financeiro como o da Madeira? Ou quererá entregar a Autonomia Regional ao Terreiro do Paço?! "Os Açores não estão a saque", como afirmou responsavelmente (e bem) Vasco Cordeiro em São Jorge.

* Publicado na edição de 04/06/12 do AO
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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Tuning


Portas da Cidade, Ponta Delgada, Maio'2012



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Singularidade Qualificada














Apesar da austeridade e da falta de oportunidades para todos, existem ainda boas notícias. O Açoriano Oriental deu destaque à utilização de rendas do Pico por parte da mais internacional das artistas nacionais – Joana Vasconcelos. A artista prepara uma exposição em Versailles, França, que, desde 2008, convida artistas contemporâneos a exporem no espaço. A estratégia visa captar mais público para um local inscrito no roteiro do turismo cultural mundial, mas que necessita de se reinventar.

Outra notícia que merece ser realçada tem a ver com os prémios de Museu Europeu do Ano, em que o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos foi finalista. Não ganhou, mas apenas o facto de constar da lista de seleccionados é per si uma vitória. Quer o projecto de arquitectura, quer a produção de conteúdos valorizam este projecto e tornam-no distinto, posicionando-nos de forma qualitativa numa rede europeia. A selecção do Centro de Interpretação evidencia o valor dos programas que visam potenciar aquilo que nos distingue, em vez das propostas de cópia de modelos falidos ou de réplica do que não se aplica à nossa realidade.

A este propósito, recordo o que escreveu António Pinto Ribeiro sobre os mitos do Turismo Cultural (Público/Ípsilon de 11/05/12) e sobre outros mitos que por cá se têm propagandeado. Primeiro, porque a depressão colectiva causada pela inevitabilidade da austeridade (agravada por irmos para além da Troika) deu lugar a uma retórica do crescimento, no seguimento da vitória de François Hollande, que até aqui tinha sido amplamente criticada por quase todos e que agora passou a 'solução' para todas as nossas maleitas. Segundo, também a subida dos impostos directos ao sector turístico e cultural, com o IVA à cabeça, fez com que o governo da república conseguisse atrofiar «(...) uma actividade que é uma fonte de receitas importante para o país», sem que importem «os custos sociais e ambientais que tal pode provocar», bem como «conduziu à criação de mais uma mítica solução económica para o país».

Neste sentido, também a notoriedade e a valorização do destino Açores não se faz apenas com a possibilidade de turistas e residentes viajarem de forma mais acessível, isto apesar das passagens estarem, actualmente, a valores médios mais baixos com preços de combustíveis mais altos. Não obstante, esta é uma revindicação legítima e que é de todos. O que se estranha é que quem faz bandeira disto, não fale da necessária qualificação dos diversos sectores associados ao Turismo. Mais estranho, ainda, é que dois ex-presidentes da SATA não saibam como baixar as tarifas aéreas, nem apontar um valor para tal redução e que não o tenham feito no tempo devido. Felizmente, há quem o saiba fazer sem onerar as obrigações de serviço público.

Nos Açores não devemos «encenar a História» nem fazer dela um «espectáculo» e muito menos aderir a uma «lógica da espectacularidade populista», por muito que nos digam que isso é o está a dar. Devemos, isso sim, pugnar pela qualificação e pela singularidade que nos distinguem, como fazem as rendas do Pico nas obras de Joana Vasconcelos ou o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos.

* Publicado na edição de 28/05/12 do AO
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