quinta-feira, 13 de setembro de 2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Perigoso

«Os trabalhadores que paguem a crise e TC que se lixe
Passos Coelho aproveitou a estadia da troika em Portugal para responder, pela teimosia, às reticências gerais, e especialmente do PR, do PS e do CDS, às suas medidas de austeridade centradas sobre as mesmas vítimas, desafiando até o Acórdão do Tribunal Constitucional sobre as prestações do 13º e 14º mês da função pública e reformados desta. O expediente anunciado para a baixa da TSU para os patrões e a subida desta para os trabalhadores é simplesmente escandaloso.Este homem começa a ser perigoso para o bom funcionamento da sociedade.»
aviso de José Medeiros Ferreira.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Cultura = mais-valia económica

Não podemos dizer que Agosto foi monótono em termos noticiosos. O Governo da República quer fazer de nós - portugueses - parvos. Mas está a enganar-se a si próprio. E, ainda não percebeu ou não quer perceber, que a ladainha miserabilista e do "custe o que custar" já provou não ser a solução para os 'males' do país.

Se por um lado Agosto é o mês de férias, por excelência, este ano não foi exactamente assim, na medida em que as férias de uma imensa maioria dos trabalhadores nacionais foram, seguramente, "cá dentro" e sem direito a opção. O acesso a este direito (constitucionalmente consagrado), é agora tido como um "privilégio" e foi responsável pela descida (expectável) dos números do turismo. Felizmente, a subida dos turistas estrangeiros em Portugal atenuaram a forte quebra do mercado interno.

No entanto, existem exemplos de como é possível contrariar o estado depressivo em que vivemos. Na passada semana tive a oportunidade de participar numa das sessões de trabalho da edição 2012 da Universidade de Verão da Assembleia das Regiões da Europa (AER – Summer Schools) que decorreu em Ponta Delgada, de 20 a 25 de Agosto, no complexo científico da Universidade dos Açores.

Durante este período cerca de 130 participantes, oriundos dos mais diversos pontos da Europa, reuniram-se, entre nós, para discutir os desafios futuros em torno do potencial económico da cultura e das indústrias criativas, bem como, o papel das regiões da europa na sua promoção.

Neste sentido, assisti à comunicação de Francisca Abreu (vereadora da cultura da cidade de Guimarães) que fez um balanço dos primeiros 6 meses de - Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012, onde, de forma bastante concreta, foi apresentado o conceito no qual assentou toda a estratégia que esteve na essência da candidatura a Capital Europeia da Cultura. Mais do que um momento efémero, o projecto delineado para Guimarães é um processo de inclusão, numa acção que pretendeu, desde início, integrar a população na construção do futuro da cidade. Este plano foi concebido tendo por base o desenvolvimento económico local - numa região com uma taxa de desemprego jovem elevada, devido à crise que o sector têxtil atravessa - e a reabilitação urbana do centro histórico de Guimarães. Mas este processo não foi feito de um ano para o outro. Toda esta acção decorre há quase 15 anos e culminou com o processo de candidatura (e conquista) da Capital Europeia da Cultura.

Há, neste exemplo, inúmeras leituras que devemos retirar e reflectir sobre aquilo que nos rodeia. Sem um centro histórico dinâmico e com vida não há cidade que resista. Ponta Delgada é, infelizmente, disso, um mau exemplo. Acredito, contudo, apesar da inexistência de um plano estratégico para a cidade e para o concelho, que ainda possamos corrigir o vazio por que tem passado, nos últimos 20 anos, a maior autarquia dos Açores.

E o resultado de Guimarães 2012?! Ao contrário do resto do país, e graças a uma série de iniciativas, da programação e de uma comunicação actual e apelativa, Guimarães subiu em todos os indicadores económicos associados ao sector turístico, da hotelaria, à restauração, passando pelo número de entradas nos museus e espectáculos. É, igualmente, um sucesso de visibilidade e notoriedade internacional, com referências nas mais importantes publicações internacionais, desde o New York Times, à revista Wallpaper e ao Lonely Planet.

E o que temos nós a aprender com este tipo de exemplos?! Muito. A começar pelo modo como olhamos para quem organiza e dinamiza a coisa cultural, pois é a prova, mais do que provada, de que se trata de uma mais-valia económica, a qual pode ser potenciada se lhe for dada a escala devida.

A Cultura não deve servir de arma de arremesso eleitoral, nem de promessa demagógica de pré-campanha presente numa simples troca de "menos festas" por mais "apoios sociais aos idosos e famílias açorianas". Os açorianos não necessitam de palavras vãs, precisam, isso sim, de quem olhe com confiança para o futuro.

* Publicado na edição de 03/09/12 do AO
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

-40 dias

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Dispostos a tudo

«(...) O PSD/A, também, já deixou cair a máscara e age de forma "bizarra" para fazer vingar a sua estratégia eleitoral, nem que para isso desbarate o seu capital político e aceite ser capacho de outros, ao abdicar de apresentar uma lista de candidatos, em nome próprio, pelo círculo eleitoral do Corvo.
Onde é que estão Mota Amaral, Reis Leite, Madruga da Costa ou mesmo Natalino de Viveiros?! Só sei que se cá estivesse Jorge Nascimento Cabral muita tinta havia de correr. Em política não pode valer tudo com risco de tornarmos, ainda mais volátil, a imagem dos protagonistas políticos perante a opinião pública. Pelos vistos, e contrariamente ao que os tempos aconselham, há quem esteja disposta a tudo x 9».
Para ler na íntegra no Açoriano Oriental.

sábado, 11 de agosto de 2012

Uma Ópera Bufa







A mistificação mediática com que o PSD/Açores tem tratado uma matéria fundamental para o nosso futuro, como os transportes aéreos e marítimos, na impossibilidade pública de uma justa qualificação política, remete-me para o campo das artes cénicas. Berta Cabral é líder do PSD/Açores desde Janeiro de 2009. No seu longuíssimo currículo, de 30 anos em funções políticas, destacam-se, para o que aqui nos releva, o cargo de Directora Regional dos Transportes, de Presidente do Conselho de Administração da SATA e de Secretária Regional das Finanças. Do período, em que teve responsabilidades directas, ou que pôde influir decisivamente, na evolução do sector, o que nos ficou dos transportes marítimos foi a sua extinção, e dos transportes aéreos a sua pré-insolvência, temperada, anualmente, com aumentos das tarifas na ordem dos 10%.

Entrelongos silêncios, como que à espera de uma luz do Divino, o PSD/Açores sob a sua liderança mascara o pesado legado e decide, num errático argumento, cavalgar todos os descontentamentos e demagogias da praça pública, chegando ao cúmulo de, no espaço de poucos meses, fazer juras a Deus e ao Diabo.

Começaram nas Low Cost. A 6 de Janeiro de 2010, afirmava Berta Cabral "É preciso deixar que as ilhas que têm condições para receber companhias low-cost as possam receber e potenciar através disso o turismo dessas ilhas".

Já a17 Outubro 2011, questionada sobre se o seu modelo aponta para a manutenção das cinco portas de entrada tergiversa "Essa questão tem de ser bem estudada no seu conjunto, não vou estar aqui a dar opiniões avulsas sobre cinco, sobre três sobre quatro. Pode fazer todo o sentido e até pode ser que se façam opções diferentes." Inacreditável!

Depois nunca mais parou! A 13 de Janeiro do corrente, afirma ter proposto ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, a criação de um programa POSEI para os transportes que permita reduzir o preço das passagens aéreas "uma ideia inovadora", afirmou Berta Cabral, como se não fosse público que o Governo dos Açores vem trabalhando formal e politicamente a mesma ideia,desde 2010,junto das RUP e das instituições europeias.

A 15 de Fevereiro, ajusta a mira e "temos de acertar as nossas estratégias em função das novas realidades e mais do que low-cost, os Açores precisam de tarifas mais baratas" mas, reafirmando a necessidade do POSEI para os transportes, já diz que "vai ser um caminho longo e duro".

A 13 de Março, na apresentação da candidatura já "é uma prioridade absoluta um modelo agilizado que defenda os passageiros, residentes e não residentes, por via da fixação de uma tarifa de teto máximo".

A 15 de Abril, em pleno discurso de encerramento do congresso partidário, garante que "1% do orçamento regional será alocado ao abaixamento das passagens". 12Milhões a menos para o Governo da República de Passos Coelho!

Mas, três dias depois, a 18 de Abril, quando perguntada se realmente pode concretizar essa promessa, já tem menos certezas "isso vai decorrer das negociações e da possibilidade dos fundos disponíveis para esse efeito. Eu neste momento preferiria não estar a apontar um número porque se apontar agora pode ser muito ou pode ser pouco".

A 16 de Maio, afirma peremptoriamente que a proposta do Governo Regional para alterar as obrigações de serviço público nas ligações aéreas entre os Açores e o continente, com tarifas a menos 40%, "não merece confiança e engana os açorianos".

A 21 de Junho, o POSEI Transportes volta a ser "um desígnio" e a 29 Junho é "urgente criar condições do ponto de vista legal para permitir a operação de aviões cargueiros", como se a proposta do Governo dos Açores entregue em Lisboa não resolvesse essa questão.

A 10 de Julho, "os aeroportos dos Açores têm de fazer parte do pacote de privatização" da ANA, que "deve garantir os seus custos de funcionamento e de investimento", mas um ano antes, a 8 de Julho de 2011, o Grupo Parlamentar do PSD/A votou contra uma Resolução com o mesmo teor, quiçá porque, a 9 de Maio desse ano, a sua líder se havia comprometido "a aprofundar as competências das regiões autónomas, por exemplo, na gestão dos aeroportos na sequência da privatização da ANA".

Como se tal não bastasse, no passado 11 de Julho, surge o clímax desta comédia quando, no âmbito das conferências promovidas pelos sociais-democratas, o ex-Presidente do Conselho de Administração da SATA, de uma penada, desmontou em directo e ao vivo todo o argumentário que a líder do PSD/Açores andou a encenar. Pior era impossível!

Na verdade, o modelo apresentado não só se assemelha como assenta em todos os pressupostos que o Governo dos Açores vem defendendo desde Agosto do ano passado junto do Governo da República: 1) não onerar mais o erário público (Berta Cabral defende o desvio de 12Milhões do orçamento regional); 2) flexibilizar o modelo das OSP contra o fantasma da low cost (Berta Cabral já defendeu as low cost); 3) criar uma tarifa especial para residente, com tecto máximo e posterior entrega do subsídio ao passageiro, numa redução em cerca de 40% do valor actual (exactamente o proposto pelo Governo dos Açores).

Esta lição de sapiência a Berta Cabral e aos seus seguidores foi cruel, tal como o outro lado do palco, aquele que interessa aos Açorianos, é demasiado sério para que alguém, com consciência, o possa ignorar. Nesta, como noutras matérias, a falta de memória de alguns será, sempre, avivada pela verdade.

* Publicado no Diário Insular de 24/07/12

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Indigências

Inaugurou na passada 6ª feira mais um capítulo de Indigências, um projecto da pastoral cultural da paróquia de São José, em Ponta Delgada, que nasce a partir da constatação da degradação física e humana instalada no Campo de São Francisco.

O mentor desta iniciativa é o pároco Duarte Melo para quem este "é um projeto muito abrangente, que tem uma cumplicidade no campo das artes, no campo teológico e no campo social, sobretudo da justiça", afirmou à imprensa.

Ao longo de um ano, a Igreja de S. José terá todos os dias uma obra de arte contemporânea em exposição, para além de conferências e concertos, entre outras iniciativas culturais. O objetivo central desta chamada de atenção é o de apelar à consciência cívica de quem se desloca à Igreja, estabelecendo um confronto com os problemas sociais que existem nas imediações do Campo de São Francisco – um espaço que se tornou zona de exclusão, quando é, de facto, uma zona nobre da cidade.

Este é um exemplo do que pode ser feito para atrair a atenção para o património e, em simultâneo, para dar voz aos flagelos sociais com que somos confrontados e que, em tempos de crise, tendem a agudizar-se. E é igualmente uma tomada de consciência para aquilo que convive paredes meias com o ostracismo a que a cidade votou o Campo de São Francisco na maior parte do ano. Fora a época das Festas do Senhor Santo Cristo e a Animação de Verão promovida pela autarquia, o resto do ano é sombrio.

A aparente reanimação temporária daquele espaço pelas chamadas ‘noites de verão’ oculta outro tipo de deterioração da qualidade de vida de quem habita nos quarteirões vizinhos. Para além das parcas condições sanitárias para o número de pessoas que ali se desloca (isto para já não falar no 3º mundismo com que, ano após ano, somos confrontados durante as maiores festas religiosas do arquipélago), o ruído e o cheiro nauseabundo atingiram níveis que estão muito para além do que seria razoável. Se estivéssemos a falar de uma actividade efectivamente temporária, com a duração de 1 ou 2 fins-de-semana, julgo que tal seria admissível. Contudo, prolongar uma situação com as características que se conhecem durante 2 a 3 meses, não me parece de todo sustentável.

O que para mim é ainda mais estranho é o silêncio ensurdecedor de pessoas e instituições perante aquilo que se passa. E os problemas iniciais mantêm-se, com a agravante de pouco ou nada ter sido feito para reabilitar o espaço que alberga os 'foliões', a maioria deles menores. Não é com um 'shot' que vão salvar o Campo de São Francisco. Mas a longa 'série de shots' irresponsáveis - e quiçá transformados em tradição 'ready made' - contribuiu para uma agudização do estado calamitoso a que o espaço físico e humano chegou, com a total complacência da autarquia.

Por isso, e apesar deste aparente beneplácito de quem gere o espaço público, há quem não desarme e procure olhar para aquilo que deve ser enaltecido.

A acção cultural e social de Indigências não se deve circunscrever ao espaço sagrado e deve, antes que seja tarde demais, ocupar o 'campo', que se diz público.

* Publicado na edição de 06/08/12 do AO
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Andei e falei pela Cultura



































A conversa vai andar por aí até dia 12.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Love Will Tear Us Apart

Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Esta é magistral!



segunda-feira, 23 de julho de 2012

A propósito de 'manobras políticas' e 'momentos nobres'

«(...) Em política o faz-de-conta até pode ficar bonito na fotografia, mas não cola, não pega com os valores do serviço e do compromisso, que exigem transparência, honestidade e seriedade. "As pessoas cansam-se da política e dos políticos, quando em excesso de aparição, acabam por cair na tentação de promessas eleitorais que podem roçar a demagogia" (José Manuel Bolieiro, 18 Julho 2012). (...)»
A crónica de Piedade Lalanda faz a síntese do quem sido a acção política da autarca, líder e agora candidata do PSD/A. O 3º e último mandato na maior cidade dos Açores (fazendo esquecer - no discurso e na prática - o resto do concelho) é penoso e serviu apenas de palco e sede para a sua candidatura.

Recomendo a leitura, na íntegra, da entrevista de José Manuel Boleiro onde é evidente o afastamento com quem agora sai - "Não faço da política, nem nunca o fiz, um palco de promoção pessoal". Berta Cabral não poderá dizer o mesmo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A ver vamos

"O Senhor Primeiro-Ministro garantiu que não há qualquer influência partidária em decisões que têm sido atrasadas e ficou, de resto, assente que, em algumas delas, como no que diz respeito às definições das obrigações de serviço público que permitirão, sem qualquer encargo adicional para o Estado, que possam diminuir em média, o preço nas ligações aéreas entre os Açores e o continente em mais de 40%, garantindo que esse processo terá um desenvolvimento mais rápido proximamente e que também alguns dossiers mais específicos, de desafetação de alguns bens do domínio público para a Região Autónoma, e que nos interessam, também serão resolvidos rapidamente", sublinhou.
A conferir nos dias mais próximos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Riscos e incertezas















De acordo com os dados divulgados na passada 6ª feira, 29 de Junho, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o défice das administrações públicas atingiu os 3,2 mil milhões de euros até Março, o equivalente a 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Este valor está 0,4 pontos percentuais acima do registado no período homólogo do ano passado (7,5%), o que significa que o défice piorou face ao de 2011 (dados retirados do Público).

Ora, perante situação idêntica, o actual 1º Ministro acusou o anterior de "fugir à realidade da recessão do início deste ano, sublinhando que foi causada "pelas políticas erradas" do Governo (...), só para não ter de reconhecer que as políticas que ele próprio liderou estão erradas". Neste momento actual, apetece perguntar quem é que anda a "fugir à realidade" e não reconhece as políticas erróneas, apressadas e tremendamente demagógicas?!

Com este cenário, os objectivos traçados para o cumprimento do deficite orçamental, para 2012, estão seriamente comprometidos e, segundo o que foi dito na semana passada pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, repletos de "riscos e incertezas".

Apesar do que tem sido dito e com este cenário depressivo esperam-se, a qualquer momento, novas medidas de austeridade. Mesmo que nos digam que a execução é suficiente e que o "Governo não está a contemplar medidas adicionais". O Presidente da República já fez o pré-anúncio, ao admitir "que podem ser abertas excepções se esses sacrifícios incidirem sobre quem "tenha sido poupado" e que "será muito difícil voltar a exigir sacrifícios aos que já foram chamados a contribuir significativamente para a redução dos nossos desequilíbrios económicos e financeiros". O Presidente confia na palavra do Ministro das Finanças. No entanto, o 1º Ministro confirmou aquilo que ninguém, para já, confirma: "Se isso for necessário, assim o farei", garantiu Pedro Passos Coelho, no debate de apresentação da moção de censura do PCP ao Governo.

Os receios são generalizados, desde que foram conhecidos os números da execução orçamental. O que torna surpreendentes as declarações do Presidente da República, durante as celebrações do 10 de Junho, ao ter afirmado que "existem sinais que nos permitem ter confiança no futuro. Nada está garantido, até porque é grande a nossa dependência do exterior, mas alguns indicadores permitem-nos ter esperança de que a recuperação económica pode ser uma realidade não muito distante". Percebo a necessidade de gerar algum tipo de conforto e esperança nos portugueses, mas qual será a definição para: “alguns indicadores”?! Se isso não fosse suficiente e perante esta execução orçamental comentou que a "credibilidade do país será tida em conta". Fuga à realidade?!

O que não é surpresa para ninguém é que o défice seja, no primeiro trimestre, "ainda maior do que no ano passado". Não me parece que seja necessário ser superdotado ou economista para perceber que as medidas infligidas aos portugueses pelo governo de Passos Coelho só poderiam resultar num agravamento do estado geral da economia, já de si debilitada e, concomitantemente, no colapso eminente das condições sociais da população portuguesa.

Senão vejamos: as receitas fiscais estão a cair 3,5%, enquanto no Orçamento do Estado rectificativo, o Executivo previa que crescessem 2,6% no conjunto do ano. Além disso, o desemprego já reduziu a metade o saldo da Segurança Social, quer devido a uma quebra superior à prevista das receitas das contribuições sociais, quer devido a um aumento maior das despesas com subsídios de desemprego e outras prestações sociais. E o que faz o governo de Passos Coelho secundado pelo Ministro da Solidariedade e Segurança Social? Apresenta como uma medida a fiscalização (cega!) aos beneficiários do RSI - com a entrada em vigor em Julho das novas regras na atribuição das prestações sociais - com todas as repercussões sociais negativas que daqui advirão. É este o plano de emergência social defendido pelo 1º Ministro?! O tempo é de demagogia. Ao fim do 1º ano de governo falou muito e executou pouco. Adia a implementação de medidas estruturantes e tarda em concretizar o crescimento de que o país necessita.

A Europa teima em não se entender. E a cimeira europeia provocou, para já, uma ‘alta’ nos mercados. Resta saber se o efeito é duradouro. Os tempos mais próximos são, infelizmente, de "riscos e incertezas".

* Publicado na edição de 02/07/12 do AO
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segunda-feira, 9 de julho de 2012

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Touca, para que te quero!














Será este o significado de "simplificar e desburocratizar"?! Espero que a IRAE não tenha visto isto...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A propósito de 'festas'

«(...) Sobretudo neste tempo, em que aqueles que querem fazer perdurar o seu poder, desresponsabilizam e substituem-se aos cidadãos e às naturais e espontâneas manifestações culturais de comunidade. Esse abafar desresponsabilizante da sociedade e dos cidadãos tem o nefasto efeito de solidificar e cristalizar algo que deve estar em permanente e natural evolução e dinâmica: a Cultura! Cultura que deve ser livre de domínios, tutelas e condicionalismos. (...)»
Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência (ou um lapso como agora se diz).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Uma política do gosto... Ou da falta dele.

Na semana que passou criadores, agentes e representantes do sector cultural reuniram-se no Teatro São Luiz, em Lisboa, para uma reflexão sobre o estado da Cultura em Portugal.

Este encontro marcou uma tomada de posição destes profissionais perante o actual "(...) esvaziamento das políticas culturais e pelo desrespeito pela Cultura e pelos seus representantes".

A propagação da ideia que a Cultura é despesista e uma das áreas, da sociedade portuguesa, que mais contribuiu para o deficit do país, deve ser combatida de forma veemente, pelas inverdades que comporta e pela arrogância demonstrada por quem ignora as dinâmicas do sector. Rui Vieira Nery deu voz à indignação: "Não somos uns parasitas a viver do erário público".

Nestes dias de sufoco financeiro, o discurso crítico à Cultura granjeia adeptos pelo carácter populista e demagógico que encerra, não é verossímil e anula qualquer opção racional perante a situação difícil que todos atravessamos. Quem vive da Cultura não ignora a realidade que nos rodeia. Aliás, mesmo sem esta crise, este foi um sector que sempre subsistiu com dificuldades e com base na imensa disponibilidade (muita das vezes simbólica e gratuita) de quem actua, organiza e produz.

2012 é considerado, por quase todos, um ano zero no que aos apoios diz respeito, na medida em que a SEC (Secretaria de Estado da Cultura) "não abriu concursos para nada". Não estamos perante um acto isolado, um 'acidente de percurso' mas, sim, de um "propósito". Esta acção ou inacção governativa age sob uma égide ideológica. A ideia de que a cultura pode viver, única e exclusivamente, do "mercado" é uma falácia e é, na sua génese, uma ideia "perigosa". Não renego a necessidade de tornar sustentável, na medida do que for possível, o sector criativo. Pelo contrário. No entanto, existem áreas cuja rentabilidade é difícil e cujo objecto dificilmente poderá ser 'rentável'. Pelo que exigir que as necessidades de criação e fruição sejam apenas e somente garantidas pelo acto de "compra e venda no mercado" faz com que, nesta concepção, haja uma demissão inequívoca do Estado. O que, no meu entender, é, e para ser brando em palavras, inaceitável!

Paralelamente, e a propósito da nomeação do representante de Portugal para a Bienal de Veneza em 2013, ficamos a saber que, ao contrário do que tem sido o procedimento habitual e normal neste tipo de organização, não houve a nomeação a priori de um comissário ou júri que tenha desencadeado o processo de selecção, de modo a assegurar a salvaguarda dos criadores da "distância do poder". Tal não se veio a verificar. A opção da representação é uma "escolha directa da SEC" e a posteriori é que irá decorrer o processo formal. Nada mais errado.

Ainda a propósito deste episódio não posso deixar de reproduzir o que escreveu Vanessa Rato (no Público): "(...) Não é demais repetir: ao Estado compete delinear estratégias - por exemplo, decidir se a cada dois anos Portugal deve ter um representante em Veneza (e, nesse caso, assegurar os meios para que tal possa suceder); ao Estado não compete ter um gosto - ou seja, escolher quem vai a Veneza. Por corresponder a uma escolha directa do Estado, a presença de Portugal na Bienal de Veneza de artes plásticas de 2013 traduzirá uma estética do poder, uma arte oficial. Politicamente, o retrocesso dá sopro de vida às piores sombras e fantasmas". Os exemplos sucedem-se.

O que está em causa são conquistas de 30 anos. A impreparação da actual equipa governativa (da República) ou a sua aparente falta de visão estratégica podem deitar por terra "todo este capital cultural e simbólico", nas palavras de António Pinto Ribeiro.

Temos, isso sim, de saber potenciar a "qualidade da criação artística que existe no país" e na região. Os Açores têm inúmeras capacidades neste sector e devemos maximizá-las com renovado fulgor mesmo e apesar de outros "fantasmas" que teimam em resgatar ideias avulsas, datadas e desfasadas daquilo que é hoje o arquipélago e toda uma nova geração de criadores (jovens e menos jovens).

Actualmente, somos confrontados com o discurso da 'inevitabilidade' e com uma política do gosto… Ou da falta dele. O Futuro também passa por aqui...

* Publicado na edição de 25/06/12 do AO
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