quarta-feira, 8 de maio de 2013

Medíocre

Ninguém tinha dúvidas quanto ao posicionamento do Presidente da República face às opções governativas do Primeiro-Ministro Passos Coelho. Na cerimónia que marcou os 39 anos da Revolução de Abril ficámos com a prova que faltava.

A leitura daquilo que nos foi dado a ver e ouvir reúne um consenso transversal de quem faz o comentário da vida pública da nação lusa. Se o momento presente exige um nível de responsabilidade acima da média, a postura e a intervenção de Cavaco Silva têm sido pautadas por uma insuficiência gritante que terá culminado com o discurso deste 25 de Abril.

Ao contrário do que alguns círculos políticos possam pensar, as pessoas não são parvas e, no momento actual, a construção de narrativas rebuscadas e a imputação de responsabilidades a quem já não nos governa é meio caminho andado para afastar ainda mais as pessoas da política e de uma cidadania activa. As opções hoje em vigor têm um rosto. E na 5ª feira passaram a ter dois. Por mais que o Presidente da República queira negar, já não pode ignorar que é conivente com a austeridade vigente.

Numa entrevista concedida este sábado, à rádio Antena 1 e ao jornal Diário Económico, o constitucionalista Jorge Miranda considerou que o Presidente da República é "largamente responsável" pela falta de consenso entre os partidos políticos portugueses, sobretudo entre o PSD e o PS.

Mas Jorge Miranda faz uma análise mais profunda e questiona o comportamento de Cavaco Silva após as eleições legislativas de 2009, ganhas pelo PS com maioria relativa, e a forma como tem actuado na crise actual: "Não vi, nem ninguém viu, esforço de aproximação entre os partidos", disse, referindo-se ao modo como o Presidente agiu após as eleições que conduziram à formação do segundo governo de José Sócrates. "A crise já estava instalada" e "não havia condições para a nomeação" de um governo minoritário, acrescentou (in Público 27/04/13).

A este propósito recupero o que peremptoriamente afirmou o sociólogo Boaventura Sousa Santos, coordenador do Observatório Permanente da Justiça, quando numa entrevista ao Jornal de Negócios e questionado sobre se o Presidente da República, Cavaco Silva, tomaria a decisão de convocar eleições antecipadas: "Acredito que os políticos podem não ser brilhantes, e este não o é, pelo contrário, é o mais medíocre que tivemos até hoje, mas tudo vai depender do que acontecer nas ruas". Não posso estar mais de acordo. E a cada dia que passa torna-se mais confrangedora a actuação de quem zela pelo destino do país.

É incompreensível que quem faça um apelo ao consenso possa, no minuto seguinte, atacar ostensivamente a esquerda, quando deveria estar empenhado na efectiva procura de compromissos. Tal não se verificou. E o seu posicionamento é “negativo” para a situação política actual e assaz demonstrativo da inabilidade política com que tem conduzido todo este cenário de crise.

Carlos César, na carta que escreveu ao Jornal i na 2ª feira, acabou por ser premonitório no que escreveu sobre Cavaco Silva: "(…) ir para o governo depois de eleições, numa perspectiva de salvação nacional, poderá ser uma obrigação cívica e a única possibilidade de acautelar que a dimensão de protecção social não é destituída a pretexto da consolidação orçamental. Esse devia ser o contexto útil de empenhamento de Cavaco Silva, mas, infelizmente, este não dá sinais de rectificar a conduta que o tem caracterizado como o Presidente mais partidário de sempre. (…)". A sequência dos acontecimentos acabou por lhe dar razão.

Os desafios são mais que muitos mas necessitamos de outro rumo para o país. Alguém acredita que ainda nos faltam três anos de mandato com este presidente?!

* Publicado na edição de 29/04/13 do AO
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sábado, 4 de maio de 2013

A fé (ainda) não paga imposto





















Retirado da edição de Maio da Yuzin. Foto do Reporter.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Quem diria

Ferreira Leite diz que "andamos a fazer sacrifícios em nome de nada"
A confirmação chega-nos hoje em directo pelas 19h00 (hora dos Açores).

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Panazorean

«(...) Apesar das dificuldades que todos sentimos, não podemos deixar de acreditar na Cultura, a mesma não é só despesa, gera riqueza e dela dependem muitas pessoas. Há por vezes quem ignore este simples facto. Assistir a um filme numa sala de cinema nada tem de ver com o visionamento do mesmo no sofá. São situações distintas. Estes são hábitos que devem ser cultivados e o seu consumo deve ser incentivado e estimulado. Também para isso é importante um festival de cinema. E, no caso do Panazorean, as temáticas propostas ajudam-nos a melhor compreender quem somos, quem cá habita e o mundo em que vivemos. (...)
Para ler na íntegra.

* Publicado na edição de 22/04/13 do AO
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domingo, 14 de abril de 2013

Gaspar comeu folga no défice antes do chumbo do TC

A leitura imprescindível do Dinheiro Vivo.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Caminho perigoso

«A sucessão agitada destes tempos ajuda à reflexão. Se por um lado somos confrontados com um novo paradigma (palavrão recorrente mas incontornável) no nosso modo e estilo de vida, não é menos verdade que estes dias são propícios a repensarmos quase tudo ou a relativizar parte desse todo. (...)
Para ler na íntegra aqui.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Pacheco Pereira dixit

«(...) o caminho seguido pelo governo para o objectivo de cumprimento do memorando da troika é que põe em causa esse cumprimento, porque não teve em conta qualquer preocupação em salvar um quantum da economia nacional, desprezou os efeitos sociais do “ir para além da troika”, não deu importância a qualquer entendimento social e político, vital em momentos de crise. Foi um caminho de pura engenharia social, económica e política, prosseguido com arrogância por uma mistura de técnicos alcandorados à infalibilidade com políticos de aviário, órfãos de cultura e pensamento, permeáveis a que os interesses instalados definissem os limites da sua política. Quiseram servir os poderosos com um imenso complexo de inferioridade social, e mostraram sempre (mostrou-o de novo o primeiro-ministro ontem), um revanchismo agressivo com os mais fracos
Para ler até final.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Chipre, Sócrates e o Orçamento Regional para 2013

O plano de resgate a Chipre, o regresso de Sócrates ao comentário político na televisão pública e a discussão e aprovação do orçamento do primeiro governo de Vasco Cordeiro marcaram a agenda de uma atribulada semana.

Chipre O que aconteceu na antiga colónia inglesa é algo contra o qual julgávamos estar imunes e, em última instância, impensável. Tudo foi decidido em surdina pelos ministros das finanças do Eurogrupo. Ninguém colocou em causa as razões da Alemanha para esta tomada de decisão. Aliás, existem inúmeros contornos em toda esta operação que não são do domínio publico e em muito extravasam o mero resgate do sistema bancário cipriota. Vasco Pulido Valente (Público, 22/03/13) sintetiza o que se passou nesta passagem: “(…) A ideia de impor uma taxa universal aos depósitos de Chipre não veio do Governo do sítio, veio da União Europeia e foi aprovada pelos 17 países do euro, incluindo Portugal, por vontade expressa da Alemanha. Havia outros motivos para tomar essa medida drástica ou, em rigor, qualquer coisa semelhante: a predominância do sector financeiro, o uso da banca para as manobras mais do que suspeitas da oligarquia russa (que lá pusera uma parte importante do seu dinheiro) e, desde Fevereiro, uma incipiente corrida da pequena poupança para levantar a tempo o que era dela. Mas nada disso explica a brutalidade da Alemanha e a abjecta subserviência da União”. Estaremos a assistir em velocidade acelerada ao ‘fim da Europa’ tal como a conhecemos?!

José Sócrates A propensão dos portugueses em dirigir as suas energias para algo aparentemente sem sentido ou com impacto reduzido é algo recorrente. O recente anúncio do regresso de ex-Primeiro Ministro como comentador da RTP provocou uma onda de indignação viral e resultou, inevitavelmente, em mais uma petição online com um número obtuso de signatários. Outras petições há, com questões bem mais importantes e pertinentes, cujos valores de participação ficam muito aquém destas manifestações furiosas e que mais não são do que um bode expiatório para a frustração (compreensível) do estado a que chegamos. Mesmo que haja quem não concorde com a opinião do ex-governante “é absurdo e até antidemocrático exigir que Sócrates seja silenciado”, como escreve o Público em editorial. Para alguns politólogos o regresso de Sócrates ao comentário político tem, pelo menos, duas leituras: António Costa Pinto considera que esta postura “revela a tendência para que alguns líderes voltem aos seus lugares no sistema político” e que esta foi uma “decisão estudada e com uma estratégia política definida”; por seu turno José Adelino Maltez considera a contratação da RTP como um “bom sinal” para a democracia, pois a participação de Sócrates tem a vantagem de permitir o “contraditório” no debate. O regresso à vida pública do ex-primeiro-ministro terá, também ele, outras leituras, sobretudo, na gestão interna do PS. Vamos esperar para ver.

Orçamento Regional’2013 Na Horta foi discutido e aprovado na Assembleia Legislativa dos Açores o primeiro orçamento do primeiro governo liderado por Vasco Cordeiro. Não é um orçamento fácil, nem estes são tempos fáceis. Perante o acompanhamento intermitente que fiz e da leitura das posições assumidas por alguns dos intervenientes, persiste uma ideia de vazio da situação que vivemos. A oposição manifesta alguma dificuldade em olhar para os números, apenas concentrada na aprovação das suas propostas sem olhar a meios para atingir as suas contendas. Não tenho nada contra propostas de aumentos e reforços nas rubricas sociais. Importa sim perceber que nos Açores essa diferenciação já existe há muito. E mesmo nestes dias conturbados elas mantêm-se e são reforçadas na medida daquilo que nos é possível. A discussão política não pode ser cega nem irresponsável, com risco de cair ainda mais em descrédito.

* Publicado na edição de 25/03/13 do AO
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domingo, 24 de março de 2013

Frases









O último texto foi hoje motivo de destaque na edição, deste domingo, do Açoriano Oriental.

sábado, 23 de março de 2013

Put my records ON

terça-feira, 19 de março de 2013

A Viagem Autonómica





















No passado fim-de-semana, data do Decreto de 2 de Março de 1895, foi estreado entre nós – A Viagem Autonómica. Um filme realizado por Filipe Tavares e co-escrito por Nuno Costa Santos e Filipe Tavares.

A temática em torno deste documento - a Autonomia dos Açores - levou a que o filme suscitasse uma enorme curiosidade local e foi necessário programar uma sessão extra para responder às inúmeras solicitações que o mesmo gerou. E não desiludiu. Esse é, pelo menos, o meu entendimento daquilo que nos foi dado a ver a 02 e 03 de Março.

A Autonomia é algo que não é, digamos assim, um assunto corriqueiro. Está intimamente associada ao domínio político e raras são as vezes em que o mesmo é discutido no grande formato e apresentado às massas.

O filme tem esse mérito. O de sistematizar a cronologia do processo autonómico. Num registo que alterna a ficção com o documentário seguimos numa viagem pelo arquipélago a bordo da vespa conduzida pelo jovem actor Gonçalo Cabral, personagem protagonizada por Frederico Amaral, um rosto conhecido do pequeno ecrã e que retrata na perfeição aquilo que são hoje os Açores e o dinamismo e modernidade das novas gerações.

O objectivo desta realização é para Filipe Tavares, "narrar a história da autonomia de uma forma séria e rigorosa, mas que, ao mesmo tempo seja capaz de incorporar um tom informal na abordagem dos conteúdos, e dessa forma conseguir aproximar e gerar impacto junto de vários públicos".

Considero que no essencial isso foi conseguido, na medida em que o filme encerra muita informação e aponta pistas para outras viagens e pesquisas. A "digestão" de toda a informação disponibilizada não é matéria que se faça de ânimo leve e conduz a um espaço de reflexão sobre aquilo que somos e ajudamos a construir no nosso quotidiano.

Auxiliando a desvendar a informação necessária à compreensão da conquista autonómica desfilam no ecrã inúmeras personalidades, dos mais diversos quadrantes políticos e sociais, que nos ajudam a ver, reflectir e compreender aquilo que somos. Nomes como os de José Medeiros Ferreira, Avelino Menezes, Machado Pires, Onésimo Teotónio de Almeida, Carlos Melo Bento, José Decq Mota, Álvaro Monjardino, Mota Amaral e Carlos César são incontornáveis nesta Viagem.

O encontro final entre os dois primeiros presidentes - Mota Amaral e Carlos César - é per si um momento maior, não só do filme, mas no processo de construção autonómica dos Açores. Algo que, por exemplo, a Madeira não pode replicar. E que pelo simbolismo que encerra demonstra o nível de maturidade democrática a que chegamos.

A Viagem Autonómica não está isenta de erros (leia-se opções) que não me importa, aqui, avaliar nem julgar. Considero mais importante dela retirar tudo aquilo que considero relevante destacar. É, sobretudo, mais um contributo e quiçá um ponto de partida para um debate ou reflexão, mais alargado, sobre o delicado momento que vivemos. Até por isso este filme surge no momento certo. Ao contrário do que se possa pensar, o processo de construção autonómico não é um assunto encerrado. E, neste momento, assistimos, uma vez mais, a um ataque do governo central às autonomias regionais, sendo que o argumentário economicista oculta outros perigos bem mais onerosos. O estado é de alerta permanente perante a ameaça centralista. Temos de o fazer de forma construtiva e nunca como uma arma de arremesso sem conteúdo. O futuro está, essencialmente, nas nossas mãos.

A Viagem Autonómica irá prosseguir o seu caminho dentro e fora dos Açores, para melhor dar a conhecer a história aos próprios mas, essencialmente, a todos os que teimam em desconhecer as idiossincrasias da realidade insular.

* Publicado na edição de 11/03/13 do AO
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domingo, 17 de março de 2013

Ziphius

O Ziphius é um dos finalistas no top 5 do concurso de tecnologia Engadget Insert Coin. Votem!

sábado, 16 de março de 2013

10 Anos





















Memória e referência ao número especial da revista :ILHAS sobre a Cimeira das Lajes nesta entrada do :ILHAS.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Leitura obrigatória

«(...) Tudo somado, Vítor Gaspar bateu na parede e levou o país com ele. Com este nível de impostos directos e indirectos, o défice ficará, ainda assim, nos 5,5% do PIB. A über austeridade falhou, por mais conceitos de défice público que Gaspar traga para a discussão para tentar, em vão, esconder os disparates políticos, os erros económicos, a má gestão financeira da crise. (...)»
Para ler na íntegra o editorial de André Macedo a propósito da comunicação ministerial da 7ª avaliação da Troika.

domingo, 10 de março de 2013

Grafonola



A minha entrevista ao programa Grafonola de Miguel Decq Mota na edição deste domingo do Açoriano Oriental.