quinta-feira, 25 de julho de 2013

A crise (política) segue dentro de momentos

Quando todos aguardávamos por uma decisão, mais ou menos óbvia, para a proposta de governo apresentada por Passos Coelho, eis que Cavaco não decide coisa alguma e devolve aos partidos a responsabilidade da resolução da crise política gerada pelas demissões de Vítor Gaspar e Paulo Portas.

Cavaco Silva fez o que sempre faz melhor: nega determinantemente a assunção do ónus desta questiúncula político-partidária e pede para que sejam os líderes - os mesmos que até aqui têm estado em constante desacordo - a resolver a coisa pela sua própria mão e em nome da "salvação nacional".

Nada disto me parece razoável. Nem sei como é que se pode promover tão irrealista solução perante os medos e receios que, de forma extensa, fez questão de detalhar na sua intervenção da passada 4ª feira.

Porém, uma coisa passou a ser óbvia: o Presidente não esconde o seu desconforto perante a ascensão política de Paulo Portas e, de forma directa, questionou a "credibilidade" e a "consistência" da renovação governamental proposta pelo actual Primeiro-Ministro.

No momento em que escrevo estas linhas discute-se o início das conversações entre PS, PSD e CDS/PP, com vista a viabilizar o acordo de médio prazo proposto pelo Presidente da República. Algo que me parece difícil de materializar, pelo menos nos moldes idealizados.

No entanto, existem três dados que passaram a ser concretos após a declaração de Cavaco Silva: primeiro, eleições antecipadas em meados do próximo ano e após o fim do programa de assistência financeira; segundo, medidas que visem o acesso aos mercados no pós-troika; e em terceiro lugar, um acordo de médio prazo para a sustentabilidade das contas públicas e do controle da dívida externa.

Contudo, considero que o Presidente da República, quando afirma que "(…) se esse compromisso não for alcançado, os Portugueses irão tirar as suas ilações quanto aos agentes políticos que os governam ou que aspiram a ser governo", não assume uma posição imparcial no espectro ou na sua tarefa de governar em nome de todos os portugueses. Sabemos, e ele também, que o PS já disse que não irá fazer parte de uma qualquer solução governativa sem que haja eleições antecipadas. Esta posição é bem capaz de comprometer a solução protagonizada, o que julgo ser - em parte - um dos objectivos desta "solução de compromisso". Se bem que Cavaco Silva também não morre de amores pelos restantes líderes partidários, incluindo Passos Coelho.

Este é, provavelmente, o derradeiro grito de um Presidente moribundo e impopular que intenta aqui um golpe "surpreendente" e "inusitado" (António José Teixeira, SIC-Notícias).

A crise, política e económica, nacional e internacional, sobretudo europeia, é tudo menos de resolução simples e imediata. Julgo que a solução para a gravidade dos problemas que nos atropelam não deve ser balanceada com a leviandade com que os agentes políticos nacionais a têm conduzido.

A "salvação nacional" não é um colete-de-forças. Os meus receios - que o pior ainda está para vir - agudizaram-se. A crise (política) segue dentro de momentos.


* Publicado na edição de 15/07/13 do AO
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terça-feira, 23 de julho de 2013

Pior é impossível
















E quando se espera que haja alguma decência, sentido de responsabilidade e, sobretudo, bom senso, o Primeiro-Ministro não consegue deixar de, uma vez mais, nos surpreender.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Crónica de uma morte anunciada

Os sinais para o que se passou, esta semana, andavam por aí. Ninguém os queria ou quis ver. A demissão de Vítor Gaspar precipitou-se após uma ida ao supermercado, na qual terá sido presenteado com alguns populares mais exaltados. É caso para perguntar: há quanto tempo é que o Ministro não ia às compras? Terá conseguido passar os últimos dois anos longe da realidade ou do país real? A carta de demissão por ele apresentada acaba por ser um mea culpa por assumir o que nos era evidente: a falência das medidas e das previsões de um tecnocrata isolado governamentalmente e de um governo incapaz de honrar os compromissos que assumiu com a Troika. Aliás, será esta a questão que estará na base do episódio novelesco com que Passos e Portas brindaram os portugueses. Ninguém foi capaz de pôr em prática os cortes sociais de 4,7 mil milhões de euros, na já famosa reforma do estado tantas vezes anunciada, outras tantas adiada e que, por razões que todos conhecemos, foi esta semana esquecida e passada para segundo plano.

A imagem pública de Paulo Portas sai muito fragilizada no final desta contenda. Isto apesar de sair reforçado politicamente e ministerialmente da birra que protagonizou. Será que, por uma vez, terá medido as consequências financeiras da sua decisão irrevogável? O nível de irresponsabilidade demonstrada apenas reforça o preconceito popular em relação à classe política. E fica mais uma vez provado o respeito que estes políticos têm pelos sacrifícios dos portugueses, na exacta medida que o nível de danos introduzido por esta crise politica na credibilidade das instituições nacionais, perante a voragem dos mercados e dos credores internacionais, coloca-nos irremediavelmente perante o indesejado segundo resgate. Num só dia a bolsa nacional caiu 5,31% e perdeu 2.650 milhões de euros. Esta é apenas uma pequena parte do custo directo do amuo do actual (ex?) Ministro dos Negócios Estrangeiros. Será que podemos continuar a confiar o comando do país a alguém com este grau de personalidade flutuante?

Aparentemente há uma solução de compromisso no seio da coligação. Segundo Passos Coelho, na leitura da declaração conjunta com o PP do passado Sábado, os dois partidos chegaram a um “acordo sólido e abrangente”, o qual “reúne as condições políticas necessárias para o Governo chegar ao fim da legislatura e assegurar o cumprimento das nossas obrigações internacionais”. Nada disto é plausível. Continuamos no reino da fantasia. E depois de tudo a que assistimos esta semana, e que nos últimos anos foi dito por Vítor Gaspar e pelos ‘iluminados’ técnicos da Troika, nem uma palavra de apreço sobre o obreiro do milagre da contenção do deficit e da salvaguarda das contas públicas. Aliás, é curioso, agora, ouvir muitos dos que profetizaram sobre as benfeitorias da receita de Vítor Gaspar e que, neste momento, negam tudo o que disseram até aqui. O falhanço esteve sempre à vista de todos, apenas negámos o óbvio. E ele chegou pela pior via. Pelo ego cego de políticos egoístas e impreparados, cuja ambição ultrapassa largamente o espectro partidário, transformado em mero instrumento ao dispor de uma birra meticulosamente planeada.

Não quero continuar a ‘bater no ceguinho’, mas é impossível evitá-lo. Amanhã, 3ª feira, o Presidente da República irá reunir com os partidos com assento parlamentar, para depois decidir se convoca eleições antecipadas ou aceita a proposta de renovação governamental de Passos Coelho. Cavaco Silva não é um político de roturas, mas de conveniências, pelo que não tem espaço político para fazer outra coisa que não seja aceitar a proposta que lhe foi comunicada, a qual encerra condições por ele estabelecidas.

Pelo que o desfecho para todo este imbróglio é apenas adiado por tempo indeterminado. A coligação está ferida de morte. A sua continuação é a crónica de uma morte anunciada. Resta saber por quanto tempo mais. E que terá no Presidente da República um, senão mesmo, o principal responsável.

* Publicado na edição de 08/07/13 do AO
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Nobody’s Perfect”

«(...) O mundo está em mudança. Caminhamos no sentido de algo novo mas que ainda não é certo. As certezas de ontem são hoje uma grande incógnita. Lamento Sr. Presidente, mas nobody’s perfect».

Para ler na íntegra aqui.

* Publicado na edição de 24/05/13 do AO
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quarta-feira, 3 de julho de 2013

terça-feira, 2 de julho de 2013

Sem palavras

















Isto é tudo, menos normal.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dissonâncias

«(...) Primeiro temos que resolver a pequenez (na atitude e no pensamento), a mesquinhez, os preconceitos (vários) e os bairrismos que muito contribuem para a desarmonização arquipelágica. Depois sim, teremos condições para ultrapassar as dificuldades e as condicionantes que nos envolvem. Sem isso não há governo capaz de amparar todas as dissonâncias deste viver insular
Para ler na íntegra aqui.

* Publicado na edição de 17/05/13 do AO
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domingo, 23 de junho de 2013

20 anos



Tindersticks
City Sickness
1993

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Reinventar, é preciso!

«(...) Pior do que não haver dinheiro, é consumir o pouco que temos em opções de gosto e retorno duvidoso. Os cartazes que por aí pululam são prova disso mesmo. (...)»

Para ler na íntegra aqui.

* Publicado na edição de 10/05/13 do AO
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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Utopias
















Uma curiosa observação do Paulo Mendes que se pode estender a muitos outros serviços, públicos e privados, dos Açores.

Pequenas ou grandes, as utopias nunca são demais e, em tempos como estes, há que continuar a lutar por aquilo em que acreditamos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Eles andam aí...





















Foto RX.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Encenação Catastrófica

As últimas semanas têm sido pródigas em contradições e esclarecimentos por parte dos membros da coligação que (des)governa o país.

Primeiro, um primeiro-ministro que fala à nação em prime time para explicar aos portugueses as novas medidas de austeridade que visam conter a despesa pública e, deste modo, fazer cumprir os desígnios do défice, impostos pelos credores estrangeiros (também conhecidos por troika).

O problema é que ainda assim, e apesar de ser amplamente palavroso, o primeiro-ministro é parco em explicações. E o país real, incluindo o noticioso e todos os especialistas económicos da nossa praça, passou os dias seguintes a tentar decifrar a mensagem contida na comunicação de Passos Coelho, na vã tentativa de conseguir destrinçar a nova vaga de cortes a infligir aos portugueses e, em particular, aos funcionários públicos, entretanto elevados a inimigo público nº 1 e carrascos deste pobre país à beira-mar plantado.

Segundo, e para que não houvesse dúvidas do desnorte, o vice-primeiro-mistro e ministro dos negócios estrangeiros e líder do CDS/PP, Paulo Portas, também falou à grande nação lusa para ‘comentar’ as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro. Comentar? Fala como membro do governo de coligação, como líder partidário ou como comentador avençado de um canal noticioso? Impressionante este nosso estado das coisas, não? Paulo Portas veio afirmar-se contra uma medida (novo imposto sobre as reformas) que o próprio tinha aprovado em conselho de ministros. Para dias depois a medida deste descontentamento e ruptura constar da redacção final do documento da 7ª avaliação da troika, figurando não com carácter obrigatório mas a adoptar somente “como último recurso e apenas se for necessário”. E, como sabemos, as coisas estão longe de estar a correr bem, pelo que este “último recurso” pode estar bem mais próximo daquilo que os deputados do CDS/PP desejam. A encenação e a hipocrisia tomaram conta do discurso oficial dos responsáveis máximos do país.

E eis senão quando, julgando que já assistimos a tudo, há algo que nos surpreende.

O divino entrou no léxico político português pela boca do Presidente da República, coadjuvado pela intervenção divina da sua mulher junto de Nossa Senhora de Fátima que, por sua vez, terá inspirado o fecho da 7ª avaliação da troika graças a um comentário de Maria Cavaco Silva (!). E não, esta não é uma notícia do ‘Inimigo Público’. Mas é um daqueles casos é que a realidade supera largamente a ficção.

Portugal necessita urgentemente de “boas notícias” mas este tipo de alocuções por parte da figura mais importante da nação não deixa de causar arrepio perante o descaramento e insensatez já demonstrados vezes sem conta. O ridículo abateu-se sobre o Palácio de Belém e não há nada - ou aparentemente nada - que o faça despertar para a realidade.

O último episódio desta novela palaciana esteve relacionado com o agendamento do Conselho de Estado para esta 2ª feira, 20 de Maio, em simultâneo com a comemoração do Dia dos Açores. Este é mais um dado demonstrativo da importância com que o Presidente olha para o país. A este respeito transcrevo uma passagem de um post de Paulo Pedroso (no blog Banco Corrido): «(…) Atendendo a que o assunto em agenda no Conselho de Estado, sendo importante não é urgente, ou o Presidente marcou de propósito a reunião para um dia em que o representante açoriano não pudesse estar, o que nem em dia de delírio conspirativo me passaria pela cabeça, ou ninguém na Casa Civil nem no secretariado do Conselho de Estado deu por ela, o que me parece bem mais provável. Provável, mas não justificado, porque os portugueses não esperam que o Presidente tenha uma Casa Civil adormecida. E quem pratica estes lapsos pode um dia com facilidade deparar-se com erros protocolares catastróficos».

A verdadeira catástrofe, como agora se comprova, foi a eleição de Cavaco Silva com os resultados que se conhecem e com um desfecho deveras imprevisível perante os desafios que se nos avizinham.

* Publicado na edição de 20/05/13 do AO
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terça-feira, 28 de maio de 2013

Novo blog

O Nuno tem novo blog. Já aqui anda na coluna do lado.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Há coisas fantásticas, não há?!

Câmara abre faixa de rodagem no prolongamento da Avenida aos ciclístas
Mais uma prova que, na última década, a gestão autárquica de Ponta Delgada primou por medidas avulso e sem uma prospectiva estratégica.

Perante este exemplo, e outros recentes, é caso para perguntar: Bolieiro, onde é que estiveste nos últimos 4 anos?!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Açores em Rede

«(...) Os Açores são realidades distintas. E no interior de cada uma delas encontramos muitas mais. Considerar exequível a harmonização de costumes, práticas e modelos económicos é reduzir à indiferença as idiossincrasias que tanto apregoamos ter, anular as vicissitudes distintivas de cada ilhéu e acirrar a mesquinhez e os bairrismos que muito contribuem para a desarmonização arquipelágica. (...)»
* Publicado na edição de 06/05/13 do AO
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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ignorância

Ex-presidente dos Açores acusa Cavaco de "ignorância"
Para ler o resto da notícia aqui.

terça-feira, 14 de maio de 2013

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Medíocre

Ninguém tinha dúvidas quanto ao posicionamento do Presidente da República face às opções governativas do Primeiro-Ministro Passos Coelho. Na cerimónia que marcou os 39 anos da Revolução de Abril ficámos com a prova que faltava.

A leitura daquilo que nos foi dado a ver e ouvir reúne um consenso transversal de quem faz o comentário da vida pública da nação lusa. Se o momento presente exige um nível de responsabilidade acima da média, a postura e a intervenção de Cavaco Silva têm sido pautadas por uma insuficiência gritante que terá culminado com o discurso deste 25 de Abril.

Ao contrário do que alguns círculos políticos possam pensar, as pessoas não são parvas e, no momento actual, a construção de narrativas rebuscadas e a imputação de responsabilidades a quem já não nos governa é meio caminho andado para afastar ainda mais as pessoas da política e de uma cidadania activa. As opções hoje em vigor têm um rosto. E na 5ª feira passaram a ter dois. Por mais que o Presidente da República queira negar, já não pode ignorar que é conivente com a austeridade vigente.

Numa entrevista concedida este sábado, à rádio Antena 1 e ao jornal Diário Económico, o constitucionalista Jorge Miranda considerou que o Presidente da República é "largamente responsável" pela falta de consenso entre os partidos políticos portugueses, sobretudo entre o PSD e o PS.

Mas Jorge Miranda faz uma análise mais profunda e questiona o comportamento de Cavaco Silva após as eleições legislativas de 2009, ganhas pelo PS com maioria relativa, e a forma como tem actuado na crise actual: "Não vi, nem ninguém viu, esforço de aproximação entre os partidos", disse, referindo-se ao modo como o Presidente agiu após as eleições que conduziram à formação do segundo governo de José Sócrates. "A crise já estava instalada" e "não havia condições para a nomeação" de um governo minoritário, acrescentou (in Público 27/04/13).

A este propósito recupero o que peremptoriamente afirmou o sociólogo Boaventura Sousa Santos, coordenador do Observatório Permanente da Justiça, quando numa entrevista ao Jornal de Negócios e questionado sobre se o Presidente da República, Cavaco Silva, tomaria a decisão de convocar eleições antecipadas: "Acredito que os políticos podem não ser brilhantes, e este não o é, pelo contrário, é o mais medíocre que tivemos até hoje, mas tudo vai depender do que acontecer nas ruas". Não posso estar mais de acordo. E a cada dia que passa torna-se mais confrangedora a actuação de quem zela pelo destino do país.

É incompreensível que quem faça um apelo ao consenso possa, no minuto seguinte, atacar ostensivamente a esquerda, quando deveria estar empenhado na efectiva procura de compromissos. Tal não se verificou. E o seu posicionamento é “negativo” para a situação política actual e assaz demonstrativo da inabilidade política com que tem conduzido todo este cenário de crise.

Carlos César, na carta que escreveu ao Jornal i na 2ª feira, acabou por ser premonitório no que escreveu sobre Cavaco Silva: "(…) ir para o governo depois de eleições, numa perspectiva de salvação nacional, poderá ser uma obrigação cívica e a única possibilidade de acautelar que a dimensão de protecção social não é destituída a pretexto da consolidação orçamental. Esse devia ser o contexto útil de empenhamento de Cavaco Silva, mas, infelizmente, este não dá sinais de rectificar a conduta que o tem caracterizado como o Presidente mais partidário de sempre. (…)". A sequência dos acontecimentos acabou por lhe dar razão.

Os desafios são mais que muitos mas necessitamos de outro rumo para o país. Alguém acredita que ainda nos faltam três anos de mandato com este presidente?!

* Publicado na edição de 29/04/13 do AO
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